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Carla Matadinho: “O amor, quando é verdadeiro, vence tudo”

A dias do nascimento do segundo filho, a produtora diz que o casamento com Paulo Sousa Costa poderá acontecer em breve.

Vanessa Bento
10 de setembro de 2016, 12:00

Carla Matadinho, de 33 anos, e Paulo Sousa Costa, de 47, vão ser pais pela segunda vez dentro de poucos dias. O bebé, um rapaz, que ainda não tem nome escolhido, vem juntar-se à filha mais velha do casal, Letícia, de quatro anos. E no coração dos pais partilhará sempre um lugar com Paulinho, o filho que Paulo Sousa Costa perdeu em 2010, com apenas seis anos, devido a uma leucemia fulminante. Depois de ter tido algumas complicações durante os primeiros meses da gravidez, a produtora tem conseguido viver a fase final de forma mais tranquila, e foi com bastante serenidade que posou para esta sessão fotográfica intimista, que mostra bem como se sente feliz.
– Agora que a gestação está quase a chegar ao fim, e apesar dos problemas iniciais, gosta de estar grávida? Lida bem com as mudanças no seu corpo?
Carla Matadinho –
Na primeira gravidez achava-me muito bonita, nesta confesso que há coisas de que não gosto tanto, que têm muito a ver com o facto de ser uma gravidez de risco e de não ter podido fazer nada em termos de exercício. Não me queixo nada dos quilos que aumentei, porque são fases da vida de uma mulher que têm de se aproveitar ao segundo, visto que são um privilégio, mas há modificações, como as pernas inchadas, que mexem um bocadinho mais comigo. Lá em casa chamam-me ‘lontrinha’ e gozam comigo [risos], mas eu rio-me. A vida às vezes é tão complicada que não precisa de mais dramas. De resto, cuido-me, tenho atenção à alimentação que faço e, apesar dos desejos, não abuso nem faço disparates.
– E tem sido especial partilhar esta gravidez com a Letícia?
– Sim, tem sido muito bom. Não sei como é ter dois filhos, e acho que nos primeiros tempos vai haver um choque, porque a Letícia vai deixar de ser o centro das atenções, mas vejo-a como uma mana muito presente, sempre pronta a ajudar.
– Assusta-a o facto de ter que dividir a atenção que hoje é só dela?
– Quero que seja uma coisa saudável e não quero que ela sinta que perdeu o seu espaço e a minha atenção. Nos primeiros tempos é natural que esteja mais focada no bebé, mas vou ter de fazer um esforço redobrado para que ela me sinta tão presente como antes. Mas já durante a gravidez houve uma mudança para ela, porque houve uma altura em que não podia andar com ela ao colo nem fazer certas brincadeiras e ela percebeu tudo. Era ela que me dizia que eu não podia fazer esforços. Portanto, acho que vai correr bem.
– Estão preparados para se transformarem numa família de quatro?
– Acho que só quando ele nascer é que vamos saber gerir tudo. Como mãe, estou preparada, mas a nível profissional não tanto. Neste momento estamos com uma comédia no Cinema São Jorge, As Vedetas, e agora tenho que me organizar para me conseguir focar totalmente no que me falta para o bebé.
– Ainda não escolheram o nome...
– Não, está complicado. A Letícia tem sugestões e o Paulo tem um nome, mas nenhum me agrada. Só espero não ir para a maternidade sem nome!
– O Paulo queria muito um rapaz e a vontade dele cumpriu-se. Como é que foi saber que ia mesmo ter um menino?
– Desde o primeiro momento que fiquei muito feliz por saber que ia ser mãe de novo, independentemente do sexo, mas confesso que quando soube que era um menino fiquei um bocadinho apreensiva... Por causa do Paulinho. Nós temos o Paulinho, e um filho faz sempre lembrar outro... O facto de ser um rapaz faz-me, inevitavelmente, lembrar de tudo. Mexe muito comigo. Há aqui muita coisa que fica para o resto da vida: tudo o que vivemos em conjunto, como família, e tudo o que vivemos na perda, em família também. Claro que o Paulinho é o Paulinho, tem o seu lugar sempre, para toda a vida. A Letícia sabe que tem um irmão que está no céu.
– Esta perda condiciona-vos inevitavelmente enquanto pais?
– Sim, para o resto da vida. Não faço disso um bicho de sete cabeças, tento ser descontraída, mas tu mudas, é impossível não mudares! Hoje sou uma pessoa diferente, e o Paulo, como é óbvio, é uma pessoa muito diferente... Depois da perda de um filho todos ficam diferentes. E há comportamentos em nós que são fruto dessa perda. Não colocamos a Letícia numa redoma, tentamos encontrar um equilíbrio, mas há coisas que não fazemos porque há medos que ficam para sempre.
– Há relações que não sobrevivem a um golpe tão duro como este, mas a Carla e o Paulo conseguiram, em conjunto, aprender a viver com esta dor...
– Há coisas que acho que vou falar pela primeira vez hoje... Não era romântica, mas com o Paulo descobri o meu lado romântico. E o amor, quando é verdadeiro, vence tudo. Isto é a mais pura das verdades. Houve perío­dos muito, muito duros. Durante um ano, não deixei o Paulo sozinho um instante, com medo que ele cometesse algum disparate. Eu sabia o que ele estava a sofrer. Abdiquei de muita coisa, questionei-me se continuaríamos juntos, porque era tudo muito duro, tudo muda. Não fui eu que perdi um filho, mas na prática sempre senti o Paulinho como nosso. E nunca desisti! A nossa vida não tem sido fácil, mesmo. Esta é uma dor para a vida, que se carrega diariamente, mas não me arrependo de nada do que fiz. Hoje continuamos juntos, temos a nossa família, e é muito bom continuar ao lado do Paulo. Mas nunca se recupera totalmente de um golpe destes, é uma ferida que está lá sempre. Aquilo que fazemos é mesmo aprender a viver com ela.
– Decidiram olhar para além da dor, de mãos dadas?
– Nunca foi hipótese fazer as coisas de forma diferente. Claro que há alturas complicadas... A minha vida nunca foi fácil, a nenhum nível. E isto foi um rombo gigantesco com o qual não contava. Até conhecer o Paulo e o Paulinho eu não sabia o que era ter uma família. Foram eles que me ensinaram muita coisa. Mudei com eles. E ainda hoje tenho os ensinamentos do Paulinho presentes na mãe que sou para a minha filha. E considero-me boa mãe, sou muito presente e a minha filha é muito feliz. A Letícia é mesmo uma criança cheia de vida e de alegria. Sinto-me com o dever cumprido nesse aspeto e espero que assim continue.

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