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Emanuel Silva: “Agora é tempo de dar o que tirei à minha família e amigos”

O canoísta não trouxe medalhas do Rio, mas vai treinar com “a mesma garra” para ir a Tóquio em 2020.

Joana Brandão
9 de setembro de 2016, 15:00

“Agora é tempo de dar o que tirei à minha família e amigos durante este ciclo olímpico. Obrigado pelo vosso apoio, importantíssimo no meu desempenho, juntos fomos e seremos sempre mais fortes”, escreveu o canoísta Emanuel Silva, de 30 anos, na sua página oficial do Facebook no passado sábado, dia 20, depois de se ter classificado em sexto lugar na final de K4 (em equipa com João Ribeiro, Fernando Pimenta e David Fernandes) no Rio de Janeiro. Dias antes, Emanuel tinha disputado com João Ribeiro a prova de K2 1000 metros, classificando-se em 4.º lugar, depois de ter ficado em primeiro na semifinal e de ter estado em primeiro durante uma boa parte da final.
O canoísta português com mais presenças em Jogos Olím­picos – Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012), onde conseguiu a medalha de prata – escreveu ainda: “Termino a minha quarta olimpíada com o mesmo sentimento das anteriores, dei tudo o que tinha.”
De regresso a Braga, onde nasceu e vive, Emanuel gozará uns dias de descanso e depois começará a preparar-se “com a mesma garra” para ir a Tóquio em 2020. E, para isso, contará, como sempre, com o apoio da mulher, Anna Koza, e da filha, Lara, de dez anos. Um apoio imprescindível, como disse à CARAS dias antes de partir para o Rio, numa conversa que decorreu entre a sua casa, em Braga, e as margens do rio Cávado, onde treina durante todo o ano, faça chuva ou faça sol.
– A família está sempre ao seu lado. É importante essa estabilidade emocional?
Emanuel Silva – Muito importante. Se eu souber que elas estão bem não tenho de me preo­cupar e posso concentrar-me na competição. Tal como aconteceu há quatro anos, em Londres, pedi-lhes para não irem ao Rio de Janeiro. Tenho de estar focado e com elas lá ia preocupar-me...
– A sua mulher é polaca. Como é que se conheceram?
– Foi na festa do apuramento para os Jogos de 2004, que disputei em Pozman, na Polónia. Como mandava a ocasião, fomos festejar. Conheci a Anna numa discoteca e mantivemos o contacto. Um ano depois, ela mudou-se para Portugal e a Lara nasceu em 2006.
– Tem o rosto da sua filha tatuado no antebraço, pelo que só pode ser um pai muito babado...
– Sou, adoro a minha filha. E é a grande medalha da minha vida! Ainda bem que a canoagem me levou à Polónia para conhecer a minha mulher e ter esta filha! A Lara nasceu prematura, com apenas 500 gramas, e isso fez-me crescer. Tinha 21 anos e, de repente, vi a minha mulher e a minha filha no hospital em risco de vida. Felizmente, correu tudo bem, mas serviu-me de lição. Desde então, o desporto ganhou ainda mais dimensão na minha vida, é algo que gosto realmente de fazer e que me realiza. A minha família entende o meu sonho e apoia-me em tudo.
– E percebe-se que a Lara tem muito orgulho em si...
– Sim, e eu quero que a minha filha tenha sempre orgulho no pai que tem, que fique feliz por ver o pai fazer parte da história do desporto nacional.

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