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Ricardo Quaresma: “Sou um pai muito brincalhão, a Dafne é mais dura”

Depois da conquista do Euro 2016, o internacional português rumou até ao Algarve, ao lado da mulher e dos filhos, para umas merecidas férias antes de partir para a Turquia, para a pré-época no Besiktas.

André Barata
4 de setembro de 2016, 10:00

Passado um mês desde que a seleção nacional conquistou o Euro 2016, mas Ricardo Quaresma confessa que ainda não caiu na realidade e nestas férias, passadas no Algarve, ao lado da companheira, Dafne, e dos filhos, Ariana, de seis anos, fruto de uma relação anterior, Ricardo, de três anos, e Kauana, de oito meses, ambos deste casamento, tem sido praticamente impossível passar despercebido, sem que lhe seja requisitado um autógrafo ou uma fotografia. A poucos dias de partir para Istambul, para integrar a pré-época no Besiktas, marcámos encontro com um avançado que nos falou sobre a família, o pai e também sobre o futuro.
– Porque escolheram o Algarve para as vossas férias de verão?
Ricardo Quaresma – É um sítio que adoro, mas também escolhi pelos meus filhos, que ainda são muito pequenos. Fazer viagens longas com eles é sempre complicado. Não queria estar a prejudicá-los em nada e viemos para um sítio maravilhoso! O nosso país tem sítios espetaculares e fui muito bem recebido aqui.
– Com três crianças, deu para namorar?
– É uma guerra! [Risos.] Durante o dia estamos sempre todos juntos. À noite, saio só com a minha mulher e aí já conseguimos aproveitar este tempo de férias que já está a terminar.
– Que tipo de pai é o Ricardo?
– Os meus filhos estão mal habituados por minha culpa. [Risos.] A mãe é mais dura que eu! Eu sou o brincalhão, que deixa andar e os deixa fazer tudo, mas quando a mãe ameaça fazer queixa ao pai eles ficam em sentido.
– Agora de partida para Istambul, a família vai acompanhá-lo?
– Sempre.
– Com a tentativa de golpe de Estado e tudo o que se tem passado na Turquia, não teme pela segurança deles?
– Quando tens filhos e a tua mulher contigo, ficas sempre de pé atrás. Isso assusta-me muito, claro, mas, se Deus quiser, tudo há de correr bem.
– Isto fá-lo pensar no seu futuro no país enquanto jogador?
– Penso sempre se valerá a pena correr o risco de lá jogar, sabendo que posso estar a deixar os meus em perigo, embora sejamos todos muito felizes na Turquia.
– Já admitiu que, por ser cigano, sentiu na pele o preconceito... Hoje ainda o sente?
– Não, porque, infelizmente, quando és conhecido as pessoas já olham para ti de maneira diferente. Faças o que fizeres, és o Quaresma, já não és o cigano. Quando não tens nada e és cigano, a história é diferente. Em pequeno, não era que me dissessem alguma coisa ou me faltassem ao respeito, mas observavam-me e eu sentia isso. Algo que se passasse à minha volta, olhavam logo para mim. Não me afetava, mas não cai bem num miúdo de dez ou 11 anos.
– Aos 32 anos já pensa no que será a sua vida depois do futebol?
– Começo a ter ideias, mas ainda não tenho nada decidido, porque cada vez me sinto melhor! Já tenho 32 anos, mas em termos físicos não o noto, não me considero um velho, como muitos dizem, no mundo do futebol. Sinceramente, ainda me sinto muito bem e pronto para lutar com os mais jovens! Não hei de acabar a minha carreira sem ir a um Mundial e espero poder lá estar e fazer um [campeonato] tão bom como fiz este europeu.
– Gostava de voltar a jogar em Portugal, pela sua família?
– Isso não me pesa. O mais importante é sentir que eles estão felizes. Eles adoram Istambul, é uma cidade fantástica. Mas, claro, há o senão de todos os problemas que estão a passar-se lá agora... Vivemos muito bem e não vejo o porquê de ter de voltar a jogar cá.

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