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Mike Sergeant

William Carvalho: “Não me deslumbro, porque sei as dificuldades que passei”

O jogador tem nos pais o seu grande exemplo de vida. Foram eles que sempre o apoiaram no sonho de fazer uma carreira no futebol.

CARAS
27 de agosto de 2016, 16:00

William Carvalho, de 24 anos, integrou o leque de 23 jogadores da Seleção Nacional que devolveram a esperança a Portugal ao ganharem o Europeu. Ainda assim, a simplicidade e a humildade man­têm-se intactas e definem a pessoa que é, dentro e fora dos relvados.
– No seu Instagram publicou a frase: “Ninguém vai poder atrasar quem nasceu para vencer.” Como tem sido o seu caminho rumo à vitória?
William Carvalho – Tem corrido bem... Quando era mais pequeno, tinha muitos sonhos, e um já consegui alcançar. Daí essa frase.
– Mas tem sido um de muita luta…
– Obviamente que tive altos e baixos, as coisas nem sempre correram como queria, mas sempre acreditei no meu potencial, sempre acreditei que poderia chegar a este nível.
– A sua família tem sido um pilar importante dessa luta?
– Sim! Os meus pais sempre me apoiaram, mas sempre foram rígidos comigo. Mesmo tendo o sonho de ser jogador de futebol, tive que estudar, que lutar... E isso foi muito importante para o meu crescimento.
– Eles são a sua força?
– Claro que sim, são as pessoas que mais amo neste mundo e são um exemplo de vida. Tudo o que tenho é por causa deles, por causa do trabalho e da exigência deles. E tudo o que tenho hoje é para eles. Por isso, esta vitória também é deles.
– Foram as primeiras pessoas com quem falou depois do jogo?
– Foram. A seguir ao apito final, falei logo com eles e com as minhas irmãs.
– E o que é que lhe disseram?
– Que estavam muito orgulhosos e felizes. Houve algumas lágrimas…
– Foi, de facto, uma noite muito emo­cionante…
– Foi uma noite inesquecível! Ser campeão europeu, jogar com os melhores jogadores do mundo... São coisas que não se conseguem explicar, só vivendo.
– O que é que aquele jogo representou para si?
– Foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Foi a prova de que toda a minha luta valeu a pena.
– Sempre acreditaram na vitória?
– Desde o primeiro dia! Sabíamos que não iria ser fácil, mas sempre acreditámos no nosso valor. Sabíamos que se treinássemos como o mister pretendia, se fizéssemos tudo como ele queria, mais tarde ou mais cedo as coisas iam dar certo. Não começámos da melhor maneira, com três empates, mas acreditámos sempre que era possível. E foi!
– O que é que sentiu quando chegaram a Portugal e foram recebidos daquela maneira?
– Quando o jogo acabou, tivemos a perceção de que tínhamos feito algo histórico, mas quando chegámos a Portugal é que tivemos a noção exata do nosso feito! A forma como os portugueses nos acolheram, a forma como as ruas estavam cheias... Só aí percebemos, realmente, a grandeza do que fizemos.
– O que é mudou desde então na sua vida?
–Na minha vida pessoal não mudou gran­de coisa, mas ter no meu currículo um título histórico para Portugal é fantástico. Mas não sou mais do que ninguém por causa disso.
– Não se deslumbra facilmente?
– Não. Mantenho os pés bem assentes na terra, porque sei as dificuldades que passei para chegar até aqui. É isso que me dá força e que me dá vontade de nunca desistir. Se me acomodasse às coisas boas que me têm acontecido, talvez perdesse a humildade e começasse a deslumbrar-me. Mas não. Por exemplo, o nosso capitão [Cristiano Ronaldo] é o melhor de todos os tempos, mas quer sempre mais. Se ele, que é o melhor, age assim, eu, que estou a crescer, não me posso acomodar com as coisas mínimas que vou conseguindo.
– Abdicou de muita coisa para chegar aqui?
– Comecei a acreditar mais no meu sonho quando fui para o Sporting, com 13 anos. E, com essa idade, todos os meus amigos saíam da escola e iam passear. Eu não. Eu saía da escola e ia treinar. E isso é complicado. Mas sempre o fiz pelo que queria e isso valeu tudo.
– Ainda assim, conseguiu ter uma adolescência minimamente normal?
– Às vezes. Sinto que cresci muito por causa disso. Comecei desde cedo a lidar com pessoas mais velhas, pessoas que também abdicaram de muito por causa dos seus sonhos.
– É grato à vida por tudo aquilo que já conquistou?
– Sou um homem de fé e sou grato a Deus por tudo aquilo que já alcancei.
– Foi, também, por fé que deixou crescer o bigode…
– Fiz esta promessa antes do Europeu e vou cumpri-la. Sei que, possivelmente, sem bigode ficava mais bonito [risos]. É verdade que a opinião feminina não é muito a favor…
– Tem namorada?
– Não. Sei que mais tarde ou mais cedo vou encontrar a pessoa certa para mim, mas por enquanto estou bem como estou.

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