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Cuca Roseta: “Sou introspetiva, a família é o meu porto seguro”

A fadista e o marido, João Lapa, desfrutaram de uns dias em família, na Comporta.

Marta Mesquita
27 de agosto de 2016, 12:00

Os mais de 30 graus que o termómetro assinalava não demoveram Cuca Roseta, de 34 anos, e o marido, João Lapa, de 32, de se aventurarem num passeio a cavalo pelo ex­tenso areal da Comporta. A fadista e o preparador físico desfrutaram deste momento a dois, mais valorizado quando a dinâmica do dia-a-dia já é partilhada a quatro.
Depois deste passeio matinal, Lopo, de oito anos, filho de Cuca, e Benedita, de quatro meses, que já nasceu desta relação, juntaram-se ao casal, aproveitando ao máximo a tarde em família, com muito sol e mergulhos à mistura.
No meio destes dias dedicados aos que mais gosta, a fadista conversou com a CARAS e revelou as emoções que leva para todos os palcos da sua vida.

– Com uma agenda profissional tão preenchida, é fácil terem estes momentos a dois e em família?

Cuca Roseta – Sim, até porque faço por isso. Sou muito caseira e adoro estar em família. Sou introspetiva e a família é o meu porto seguro. Estar com os que amo é o que mais me realiza na vida. Por isso, tentamos ao máximo ter estes momentos.
– E como é esta nova dinâmi­ca a quatro?
– É muito boa. O João e eu damo-nos muito bem, temos feitios muito fáceis, por isso, tudo se encaixou de uma forma muito serena. Queríamos muito viver os quatro e desfrutar desta tranquilidade. O facto de termos estado fisicamente separados [o preparador físico esteve a trabalhar na Arábia Saudita até ao nascimento da filha] causou-nos muita ansiedade e angústia. Conseguimos superar a distância e fomos recompensados por isso. Termos vivido a nossa relação à distância trouxe-nos maturidade. Passámos a ter uma união muito mais sólida. O nosso relacionamento nunca foi uma ilusão, foi sempre algo muito concreto.
– E um bebé ainda torna tudo mais concreto…
– Sim, um bebé muda tudo. Passámos a viver para a Benedi­ta, tudo gira à volta dela. A nossa vida é programada tendo em conta as suas necessidades.
– A experiência, uma vez que já não é mãe de primeira viagem, leva-a a viver a materni­dade de outra maneira?
– Sim, completamente. Sou uma mãe muito diferente para a Benedita daquela que fui para o Lopo. Eles também são diferentes. O Lopo é um miúdo mais introspetivo, como eu, e ela é mais assertiva e decidida. Eu também estou mais confiante, tenho outra segurança. Quando somos mães pela primeira vez, temos muito medo de falhar. Pelo menos eu tinha. E agora já faço as coisas com outra atitude, o que me traz mais tranquilidade. Os medos nunca desaparecem, mas são vividos com outra confiança.
– Para si não foi uma estreia na paternidade, mas para o João foi. Que pai tem a Benedita?
– O João é um pai espetacular, tal como eu já esperava. Ele sempre teve muito jeito para crianças. É um pai muito dado e prático, sem grandes medos. Não é nada inseguro, mesmo sendo pai pela primeira vez.
– E como é que o Lopo reagiu à chegada da irmã?
– O Lopo é uma criança muito inteligente e percebeu que tinha de partilhar o espaço dele e o meu amor com outra pessoa. Ele era o bebé da família e passou a ser o mano mais velho, aquele que ensina e que toma conta. Penso que ele gosta desse papel, tem tudo a ver com ele.
– Como mãe, o que é que lhes tenta transmitir e ensinar?
– O mais importante de tudo é dar-lhes todo o nosso afeto e atenção. Hoje em dia, os pais acabam por se distrair um bocadinho com o trabalho e com as tecnologias... Devemos tentar ter momentos só com eles, que são essenciais para trabalhar a confiança. Os nossos filhos têm de sentir que nós, os pais, somos o seu porto seguro. É importante eles saberem que podem ir, mas que nós estamos sempre ali para partilhar alegrias e tristezas. Temos de conversar com eles e conhecê-los realmente.
– E consegue ter permanentemente essa atitude vigilante e atenta?
– Sim, até porque é mais fácil do que parece. O que interessa é passarmos tempo de qualidade com os nossos filhos. Há mães que estão sempre com os filhos, mas que estão ocupadas com outras coisas. Mais vale estar com eles menos horas, mas, nesse tempo, estarmos inteiras, sem distrações.
– Apesar de já ter experiência na maternidade, estreou-se agora no papel de mãe de uma menina. Está a gostar?
– Estou encantada por ter uma menina. É voltar a brincar às bonecas com 34 anos. Fico horas a escolher a gola que a Benedita vai usar! [risos] É o chapéu, o laço, as rendinhas... Isto para mim é uma perdição. E a Benedita é uma bebé muito fácil, é fantástica. É muito decidida, quando quer uma coisa percebemos logo o que é. Tem uma personalidade forte, mas é um doce. Não chora, está sempre bem disposta e é sociável. É uma bebé simpática e dorme maravilhosamente bem à noite.
– A par da fase feliz que vive no campo pessoal, também atravessa um momento muito bom na sua carreira: vai estrear-se nos coliseus…
– Tenho noção de que já subi alguns degraus na minha carreira, mas continuo a achar que ainda tenho uma escada enorme à minha frente. Por mais sucessos que possa vir a ter, terei sempre muito para aprender. Vou finalmente atuar nos Coliseus de Lisboa e do Porto, a 5 e 12 de novembro, respetivamente. Quis ter experiência para pisar estes palcos míticos. São salas que me dizem muito e não quis gastar esse cartucho logo no início. Também estou a preparar o quarto disco, que vai sair ainda este ano, e estou dedicada ao meu blogue, Love Cuca.
– Numa perspetiva mais intimista, acha que ainda tem muito para aprender? Conhece bem a mulher que é hoje?
– Conheço-me bem e aprendi a gostar de mim como sou. Ao longo do meu percurso foi difícil entender a minha extrema sensibilidade, a minha nostalgia e o meu lado sonhador que me leva a ter sempre os pés fora do chão. Só quando aprendemos a gostar de nós é que nos conseguimos entregar aos outros. Um artista está sempre exposto às críticas, andamos num barco sujeito às tempestades, o que nos obriga a ter o leme sempre bem seguro. E temos de saber quem somos para não nos desviarmos do nosso caminho.
– E por falar em caminho, o João já sabe como vai ser o seu futuro profissional? Vão conseguir ficar todos juntos em Portugal?
– O João está a analisar algumas propostas, mas ainda não está nada decidido. Temos de ver em família o que é melhor para todos. Mesmo que o João vá trabalhar para fora, será sempre para um país mais próximo.
– Ter mais filhos está nos vossos planos?
– Sempre disse que gostava de ter cinco filhos, mas com a vida que tenho, não vai ser possível. Gostava de ter mais um, mas não para já. Agora precisamos de estabilizar como família.

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