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Beatriz Jalón e Henrique Machado: “O Zé Maria é fruto de um grande amor”

Com o filho quase a fazer dois anos, os dois jornalistas dizem que querem aumentar a família em breve.

Vanessa Bento
21 de agosto de 2016, 12:00

Beatriz Jalón e Henrique Machado conheceram-se por acaso, através de amigos. Mas o acaso nada teve a ver com o amor que entretanto surgiu entre os dois jornalistas e que os uniu na vontade de partilhar a vida e os sonhos. Depois de dois anos de namoro, Beatriz e Henrique trocaram alianças na praia onde combinámos esta produção. Uma manhã cheia de sorrisos em que a CARAS foi testemunha da harmonia que existe entre os dois. Uma felicidade óbvia, que aumentou substancialmente com a chegada de Zé Maria, há quase dois anos. “Temos uma cumplicidade grande e funcionamos muito bem enquanto amigos. E não há nada como conciliar o amor com a amizade. Foi ótimo termo-nos apaixonado um pelo outro, mas isso só veio sedimentar uma cumplicidade que já existia”, garante Henrique.

– Falem-me um bocadinho de vocês. Foi o jornalismo que vos uniu?
Henrique – Não, o jornalismo foi uma coincidência. Co­nhecemo-nos através de amigos em comum.
– E quando é que percebe­ram que a vossa vida fazia mais sentido ao lado um do outro?
Beatriz – Por coincidência, a Leonor Poeiras, que é uma grande amiga minha, era vizinha do Henrique. E começámos a cruzar-nos no prédio, a falar mais, o Henrique ia começar a fazer a CMTV…
Henrique – A Beatriz foi a minha conselheira dos primeiros tempos de televisão. Faço jornais há muitos anos e comecei a fazer televisão há três, quando começou a CMTV. E a Beatriz faz televisão há 15 anos e, em termos de presença em estúdio acabou por ser uma grande conselheira.
Beatriz – E uma coisa levou à outra! O conteúdo das nossas conversas era muito profissional, mas rapidamente a parte profis­sional levou à parte pessoal.
– E como tem sido esta união?
– Nós já vivíamos juntos antes de nos casarmos, há quase um ano, mas tem sido uma expe­riência nova a nível de apren­di­zagem. Ser casada e sem filhos é diferente do que ser casada com filhos. Passámos a ser mais tolerantes, mais cúmplices e mais pacientes um com o outro. Hoje paramos para pensar antes de tomarmos alguma atitude menos boa, não há tanta impulsividade.
Henrique – Acho errado as pessoas dizerem que os filhos são um fator de união nos casais. Acho que é exatamente o contrário. Ou seja, os casamentos sobrevivem apesar dos filhos. Manter um casamento para além dos filhos é a prova da força desse casamento.
– Ainda assim, não acham que o Zé Maria engrandeceu ainda mais o vosso amor?
– Sem dúvida. Ele representa aquilo que acho e que espero que seja o melhor de nós os dois.
Beatriz – Ele é fruto de um grande amor!
– Apaixonaram-se ainda mais um pelo outro na partilha enquanto pai e mãe?
– O Henrique surpreendeu-me pela positiva. Eu já sabia que ele era bom pai [Henrique tem uma filha de cinco anos, Leonor], mas o facto de me ter ajudado na minha tarefa como mãe – descomplicou medos e incertezas que eu tinha – fez com que o admirasse ainda mais, como homem, como pai e como marido. Ele foi um bom desbloqueador e uma boa energia nos primeiros tempos com o Zé Maria.
– A maternidade trouxe-lhe novos medos?
– Sou descomplicada, não sou dramática, nem ‘mãe galinha’, nem obcecada. As inseguranças que tenho em relação ao Zé Ma­ria é se me acontece alguma coisa a mim ou ao Henrique.
Henrique – De facto, a Bia, durante a gravidez, tinha algumas inseguranças, porque era uma experiência totalmente nova. E aí eu pude acrescentar alguma mais-valia, pela experiência que já tinha como pai, para tentar descomplicar algumas coisas. Mas bastou o Zé Maria nascer para ela se tornar completamente autossuficiente enquanto mãe. É muito des­complicada, muito prática e muito segura dela própria. E transmite essa confiança ao Zé Maria.
– Ou seja, no dia em que nasceu o Zé Maria, também nasceu a mãe…
Beatriz – Sim, essa é uma boa frase. Não nasceu uma pessoa totalmente nova, mas acrescentou muita emoção à minha vida, muita alegria, muita felicidade. Hoje em dia penso porque é que não fui mãe mais cedo, mas a verdade é que não estava minimamente preparada, nem queria ser. Fui mãe na altura certa. Quando quis ser mãe, veio o Zé Maria.
Henrique – E também veio numa altura mais estável em termos profissionais. O jornalismo é uma profissão que exige muito e a Beatriz é uma repórter que quer estar sempre presente nos grandes momentos da atua­lidade política.
– Há pouco a Beatriz falava nos receios que surgiram com a maternidade. A que se devem?
Beatriz – Ao facto de a minha mãe ter morrido? Sim, tenho a certeza de que é por causa disso. É algo que está enraizado em mim, devido ao facto de a minha mãe ter morrido quando o meu irmão nasceu. E é automático pensar nesse cenário hipotético como fazendo parte da nossa vida. Obviamente que qualquer mãe tem esse medo, mas no meu caso está elevado ao extremo porque foi vivido.
– Isso aconteceu quando tinha dois anos. Como é que se cresce sem o colo da mãe?

– O meu pai foi pai e mãe. Portanto, sentir falta de mãe, na prática, nunca senti. Não sei o que é ter mãe, não me lembro sequer de ter mãe. Mas à medida que os anos vão passando e vamos tomando consciência da vida, percebemos que, de facto, faz falta uma mãe. Hoje em dia percebo que seria terrível para o Zé Maria perder-me. Coloco-me no papel ao contrário. Eu não senti isso porque, de facto, tive um grande apoio. Mas claro que isso deixa sempre marcas. Não posso ser hipócrita e dizer que é tudo igual. Não é! É uma ferida que apesar de estar sarada desde pequena deixou cicatriz, marcou a minha vida.
– Hoje é a mãe que é muito por causa dessa ferida?
– Nunca associei uma coisa à outra, mas se parar para pensar, sei que sim. O facto de não ter tido mãe faz-me querer ser a melhor mãe possível, tal como a minha mãe teria sido para mim. Baseado naquilo que o meu pai e as minhas tias falavam da minha mãe, tento incutir ao Zé Maria os princípios e os valores dela.
– Tal como a sua cultura espanhola.
Henrique – Ele já é espanhol. Tem dupla nacionalidade.
Beatriz – Ele costuma ouvir músicas infantis em espanhol para se habituar à língua. Para mim, é muito importante incutir-lhe este meu lado. Sobretudo porque se a minha mãe fosse viva falaria espanhol com ele. Não tendo essa raiz presente, faço questão de ser eu a passar-lha.
– Quem olha para si e a vê sempre sorridente e cheia de força nem imagina que já passou por momentos tão complicados. Como quando, aos 30 anos, descobriu que tinha dois aneurismas…
– A vida é só uma e temos um caminho para fazer. E ou se agarram as coisas ou as deixamos passar. Não temos uma segunda oportunidade. Tenho força, tenho pensamentos positivos, acho sempre que as coisas serão boas. Mesmo que tenha medo, agarro-me sempre a qualquer coisa, sei que Deus vai ajudar-me... Tenho sempre coisas onde vou buscar força. Portanto, nada pode falhar. Quando falha, tento aprender com isso. Tudo tem uma razão de ser e, se se pensar assim con­segue-se abraçar e aceitar o que acontece.
– Mas quando teve os aneurismas conseguiu ter esse discer­nimento?
– Não, não! Nos primeiros dois dias pensei em três coisas: sou tão nova e não tenho filhos; sou tão nova e não conheço tantos sítios no mundo; sou tão nova e não disse às pessoas todas o quanto gosto delas. Depois, pensei que não me ia acontecer nada de mal, porque o meu irmão não podia ficar sozinho e tinha o meu pai a zelar por mim. Sou muito católica, sou uma mulher de fé. E sempre acreditei que o meu pai não ia deixar que me acontecesse algo de mal. Agarrei-me a isto e, no mês e meio em que estive nos cuidados intensivos, tive a sensação de que não me ia acontecer nada. E quando agradeci aos médicos por me terem salvado a vida, eles disseram que 50 por cento tinha sido eu. É importante acreditarmos, termos um espírito positivo.
– Sente que mudou por causa disso?
– Sim! Hoje relativizo muito mais as pequenas coisas que antes me preocupavam. Quando passas por coisas de uma grande sensi­bilidade emocional, tudo o resto é supérfluo. Reorganizou-me as prioridades, fez-me abordar assuntos com mais distância e outros com mais profundidade.

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