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Patrícia Mamona: "Quero ser uma rapariga superfeminina e, ao mesmo tempo, forte e confiante"

A campeã nacional de triplo salto levou determinação e esperança para as Olimpíadas do Brasil.

Cláudia Alegria
18 de agosto de 2016, 10:59

Simpática, bonita e elegante, Patrícia Mamona é muitas vezes tratada por ‘princesa’ ou ‘Pocahontas’ das pistas de atletismo. E sim, desde criança que ouve piadas sobre o seu apelido, mas já não lhes liga. Determinação, garra e confiança também não lhe faltam, pelo que a expectativa em relação à sua participação nos Jogos Olímpicos Rio 2016 é muito elevada. Atual campeã nacional de triplo salto, a atleta, de 27 anos, dará esta semana os primeiros saltos para a areia da pista brasileira. Consigo carregará anos de treino, com todas as frustrações, dores e sofrimento vividos, mas também muita paixão e alegria por poder representar as cores nacionais, como confirmámos durante esta sessão fotográfica, realizada na véspera da sua partida para o Brasil.
– O seu apelido dá azo a muitos comentários, até já lhe sugeriram que mudasse...
Patrícia Mamona –
Desde pequena que isso acontece, mas é claro que não vou trocar! É o meu sobrenome, a minha família, e não vou renegar aquilo que sou. Cheguei a perguntar ao meu pai porque é que me chamava assim, pois gozavam comigo na escola. E quando era chamada numa consulta médica, as pessoas olhavam logo para mim, e sentia-me um bocado constrangida... Mas o meu pai, que vem de uma tribo da província angolana de Uíge, explicou-me que Mamona significa ‘visionário’ num dos dialetos de Uíge. A partir daí, deixou de me fazer confusão. Em Portugal é complicado, mas assim também fica mais facilmente na memória.
– O que leva consigo na bagagem para o Rio?
Inspiração para saltar muito, confiança, determinação, motivação e esperança.
– Delineou um objetivo em concreto?
Não, porque, sinceramente, acho que me vou surpreender. Quero sentir que fiz tudo o que estava ao meu alcance para dar o meu melhor. Sei que a classificação vai ser difícil, mas não é impossível. Vai ser um sonho, vou saltar mesmo de coração.
– Viveu durante cinco anos nos EUA, onde tirou um curso na área da medicina, mas resolveu regressar a Portugal. Não se arrepende da decisão?
Não, porque entretanto as marcas nos saltos começaram a aparecer, o que me deu a certeza de ter feito as escolhas certas. Hoje sei que estou no sítio certo para continuar a evoluir. Viver nos EUA foi uma boa experiên-
cia, mas depois de lá estar algum tempo cansei-me. Havia muita coisa de que não gostava, era tudo muito orientado para o dinheiro, eram muito superficiais...
– Neste momento está a cumprir um plano nutricional muito rígido, em que todos os gramas contam...
Sim, para conseguir o que supostamente será a melhor relação força/peso.
– É disciplinada também a esse nível?
Sim, bastante. Quando falho, tento compensar de outra forma. Quando estou perto das competições, fica tudo tão obsessivo que, se comer um pastel de nata, dá-me vontade de ir logo correr para queimar tudo!
– Então, tal como muitas mulheres, tem uma relação muito próxima com a balança?
É verdade! [Risos.] Quando estou de férias ou fora da época desportiva, o que é raro, não ligo nada ao peso, mas quando estou em competições, tudo o que me ajudar a saltar mais um centímetro conta! Preciso de sentir que estou leve para conseguir saltar bem. Tenho até pena da minha balança, no mesmo dia sou capaz de me pesar três vezes para perceber o que é que retenho mais e menos.
– Parece ser muito feminina...
Sim. Quero quebrar o estereótipo das raparigas que fazem desporto e que são tão musculadas que quase parecem homens. Acho que consigo ser uma rapariga superfeminina e, ao mesmo tempo, forte e confiante. Comecei a gostar de cuidar de mim, de arranjar o cabelo, ir à manicura... coisas que as raparigas normais fazem. Mesmo nos treinos, não faltam uns brincos ou um anel, um relógio ou um pouco de rímel.
– Quantas horas treina na fase que antecede as competições?
Chego a fazer 11 treinos por semana, de três a quatro horas cada, focados em velocidade, força, técnica e reforço. O salto triplo só surge quando começo a competir, porque, como é muito intenso e doloroso, o corpo tem de estar preparado para o conseguir fazer a altas velocidades.
– O que é que causa essa dor?
Muita coisa, sobretudo os impactos no chão antes do salto. Cair na areia é a parte mais fácil, é até um alívio, o que custa é conseguir saltar rápido, com impacto no corpo todo, sobretudo nas costas, joelhos e canelas.
– Com tantos treinos e competições, consegue ter tempo para namorar e sair com amigos?
Claro que sim. E porquê? Porque o meu namorado [Miguel Marques] também é atleta, o que torna tudo mais fácil. Como estamos no mesmo grupo de treino, temos os mesmos horários, e quando eu estou cansada, ele está cansado, quando eu estou livre, estamos os dois livres. Gostamos de ir ao cinema, de encontrar sítios giros para jantar e, às vezes, sair com amigos.

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