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Rui Bragança, um estreante olímpico: “Sou o melhor atleta que posso ser”

Bi-campeão da Europa e 3.º melhor do mundo -58kg em ‘taekwondo’, aos 24 anos diz que ir ao Rio já é uma vitória.

CARAS
15 de agosto de 2016, 16:00

Natural de Guimarães, é em Braga que Rui Bragança treina todos os dias para cumprir o sonho de ser o melhor atleta de taekwondo do mundo. Após 11 anos de dedicação, estreia-se nos Jogos Olímpicos a 17 de agosto. Parte bem classificado – é o terceiro no ranking mundial na categoria -58kg e bicampeão europeu –, mas tem os pés bem assentes no chão. São precisos 24 minutos, seis de cada vez, para chegar ao ouro. Mas estar nos jogos já é uma vitória para o atleta de 24 anos. Ciente de que chegou aqui única e exclusivamente pelo seu esforço, apoio incondicional da família, do treinador, Hugo Serrão, e do seu colega de modalidade Nuno Costa, com quem treina dia­riamente, Rui Bragança lamenta a falta de apoios ao desporto, frisando todos os sacrifícios que todos tiveram de fazer para chegar aos jogos.
Aconteça o que acontecer, o atleta tem um plano B para a vida, e dos bons. Finalista do curso de Medicina da Universidade do Minho, ainda está é indeciso na especialidade: anestesia ou ortopedia. Mas antes, sempre primeiro, o taekwondo. Só depois a medicina. A CARAS conversou com o Rui entre treinos, no Bom Jesus de Braga, e ficou a conhecer as expectativas que leva na mala para o Rio.
– Como tem sido a preparação para as Olimpíadas? Sente muita pressão?
Rui Bragança – A pressão existe sempre, portanto o desafio é transformá-la em motivação. Está tudo a correr muito bem, temos feito um excelente trabalho. Sei que vou competir com os 16 melhores atletas do mundo, não posso fantasiar muito... O meu pensamento está no primeiro combate, são seis minutos decisivos, que podem mudar a minha vida. Ao todo são quatro combates, num total de 24 minutos. É para isto que trabalho há 11 anos!
– Pela segunda vez na história temos um atleta de taekwondo a representar Portugal. É uma grande responsabilidade?
– Isto é o que mais gosto de fazer, não vou aos Jogos Olímpicos fazer um favor a ninguém. Estou lá por mim, quero ganhar por mim, pelo trabalho que tenho vindo a fazer.
– Está a terminar o curso de Medicina. Como consegue gerir o tempo entre treinos e estudo?
– É fácil: não tenho escolha. O taekwondo está em primeiro lugar. Treino cinco horas por dia, seis dias por semana, e o tempo que sobra é para estudar. Arran­jo ainda forma de estar com a minha namorada, os amigos e a família. Felizmente, são todos super compreensivos e apoiam-me desde o início.
– E como vê o seu futuro? A certa altura terá de escolher…
– O Rio tem uma cortina e eu não espreito para o outro lado. Para já, o meu foco são os jogos, depois logo se vê. Só vou exercer medicina quando terminar o meu percurso no taekwondo. Sou o melhor atleta que posso ser, mas neste momento não sou o melhor médico que posso ser. É uma profissão com muita responsabilidade, em que tenho de estar a cem por cento, portanto, a medicina vai ter de esperar.
– O taekwondo aparece na sua vida aos 13 anos, por insistência dos seus pais. Eles vão consigo para o Rio?
– Vão os meus pais, a minha irmã, a minha namorada e um grupo de amigos. É a primeira vez que os tenho a todos, juntos, numa competição. Vai ser espetacular! Mas mais importante foi o percurso até chegar aqui. Eles estão comigo sempre, princi­palmente nos momentos menos bons. O meu pai faz mais questão de me ir buscar ao aeroporto se eu perder do que se eu ganhar.
– Qual o papel dos seus pais em todo o seu percurso?
– Durante nove anos, foram os meus pais que sustentaram as despesas com a prática deste desporto. Fizeram muitos sacrifícios, ninguém imagina. Foi sempre tudo da nossa responsabilidade. Infelizmente, as modalidades não têm o mesmo tratamento em Portugal, e nós competimos com atletas que têm todas as condições e apoios nos seus países. Não estamos no mesmo patamar à partida, mas não desistimos, somos é obrigados a crescer mais depressa. Por isso digo que vou aos Jogos Olímpicos por mim, pelos meus pais e pelos meus colegas de equipa. O taekwondo é um desporto individual, mas o treino não é, somos uma equipa. O Nuno Costa e o Hugo Serrão estão comigo desde o início, é com eles que treino todos os dias.

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