Nas Bancas

Nelson Évora: “Depois dos jogos já me poderei dedicar à vida amorosa”

Aos 32 anos, o atleta de triplo salto admite que a exigência da alta competição o tem impedido de investir na vida pessoal.

Cláudia Alegria
15 de agosto de 2016, 23:54

Partiu para o Rio de Janeiro confiante e com a sensação de dever cumprido. Depois de ter sofrido algumas lesões graves que o levaram a ponderar desistir da alta competição, Nelson Évora regressou com vontade acrescida de fazer honrar o nome de Portugal, com ou sem medalhas.
– Devido a uma lesão, em 2012, teve de desistir dos Jogos Olímpicos de Londres. Tornou-se mais cauteloso à medida que se aproximava a prova desta edição? Ou na competição ao mais alto nível não é possível fazê-lo?
Nelson Évora –
A realidade é que, logo após a minha lesão, tornei-me mais cauteloso, naturalmente. Mais tarde, à medida que ia ganhando ritmo competitivo, e sabendo que só arriscando é que teria resultados, tive de pôr de parte essa cautela. A alta competição não é compatível com aqueles que se tornam cautelosos, porque não nos faz chegar ao nosso limite. E a alta competição é isso mesmo, levar-nos ao limite.
– Tem sofrido graves lesões nos últimos anos. Chegou a pôr em causa a continuidade da sua carreira enquanto desportista?
Sem dúvida que nos momentos mais críticos foi algo que ponderei. Estaria a mentir se dissesse o contrário. A realidade é que as lesões custam muito. Mas, graças a Deus, consegui dar a volta, pois tive pessoas espetaculares ao meu lado que não me deixaram baixar os braços.
– Estes são os seus terceiros Jogos Olímpicos. O que levou na bagagem?
Muita esperança, sentido do dever cumprido em termos de preparação e, acima de tudo, paixão pelo que faço.
– Tem algum ritual que goste de cumprir antes de entrar na pista?
Não. Faço o meu aquecimento normal e ouço um pouco de música.
– É supersticioso?
Não sou nada supersticioso.
– Em que é que pensa nos segundos que antecedem o salto?
Não há muito em que pensar. Temos apenas de ter atenção a dois ou três aspetos. Por exemplo, se o vento está favorável. E sentir dentro de mim a energia que me vai fazer saltar. Por fim, aquele desejo enorme de, a partir do momento em que salto, não querer mais voltar a tocar no chão...
– Quem é que gostaria de ter ao seu lado para comemorar um bom salto ou para desabafar se a prova correr menos bem?
As pessoas que me acompanham no dia a dia: a minha irmã, o meu melhor amigo e o meu treinador. É importante ter estas pessoas ao meu lado, porque foi com elas que construí tudo.
– Já tem planos para quando parar de competir?
Tenho inúmeros. E os mais imediatos passam por completar os meus estudos.
– Tem 32 anos. Com os treinos intensivos e provas que exigem muitas ausências, consegue gerir a sua vida amorosa? Tem alguém a seu lado neste momento?
O mundo da competição é, de facto, muito exigente, e neste momento não existe vida amorosa. São muitas competições, muitas provas, muitas ausências… Estou completamente focado no trabalho e não consegui deixar de me concentrar nisso e no meu grande objetivo: os Jogos Olímpicos. Depois disso, terei todo o tempo do mundo para me dedicar à vida amorosa.
– A vitória mais saborosa é aquela que...
... merecemos ganhar. É aquela por que lutámos para ganhar, aquela em que sentimos que tudo se conjugou para que corresse da melhor forma.
– Qual o passo mais importante que deu na vida?
Ter vindo viver para Portugal, sem dúvida. Se isso não tivesse acontecido, não teria construído tudo o que construí até hoje.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras