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Eder Lopes, o herói do momento: “Cresci com a cultura portuguesa e este é o meu país”

Aos 28 anos, diz que depois do futebol gostaria de trabalhar com crianças.

Sofia Nunes
14 de agosto de 2016, 10:00

É a figura do momento. Eder­zito Lopes de nome de batis­mo, mais conhecido por Eder – assim mesmo, sem acento –, foi o responsável pelo golo contra a seleção francesa que deu a Portugal o título de Campeão Europeu de 2016. Um marco histórico no futebol português que apesar de lhe tirar o sono, não tira os pés do chão ao jogador do Lille.
– Passou pouco tempo desde a conquista do Euro 2016. Como é que têm sido estes dias?
Eder – Têm sido uma loucura, ainda não caí em mim! As sensações são incríveis... Tenho dormido pouco, mas é bom!
– Incomoda-o tanta atenção?
– Não, é ótimo. Eu já sabia que poderia acontecer caso fizesse um golo importante e tem sido muito especial.
– E não é difícil evitar o deslumbramento?
– Não, não penso nisso, até porque estou prestes a regressar ao trabalho, estou focado.
– Mas o futebol é um meio propício a isso…
– Sim, é. Com toda esta expo­sição, é normal acontecer a algumas pessoas, mas eu tenho alguns exemplos e estou preparado para que isso não aconteça.
– O que é que o ajuda a manter os pés assentes na terra?
– Acabo por ser eu mesmo, por saber que há uns tempos não era assim. Foco-me no facto de querer continuar a fazer mais e melhor.
– Nasceu na Guiné-Bissau mas veio para Portugal muito cedo. Visita o seu país regularmente?
– Não, infelizmente nunca mais lá fui... Vim para cá com três anos, cresci com a cultura portuguesa e este é o meu país. E é um país incrível, a que só damos valor quando estamos fora.
– Do que é que sente mais saudades quando está fora?
– Da comida [risos], dos amigos, da família e do clima.
– Ser futebolista implica sacrifícios a nível de relações pessoais. Como é que gere isso?
– Para mim é complicado, porque estou fora sozinho e tenho de falar com as pessoas por telefone, e mesmo assim é difícil, mas acho que eles percebem. O futebol é a minha profissão e ocupa-me muito tempo, mas é a minha prioridade agora.
– Neste meio é fácil filtrar os amigos das pessoas que têm outros interesses?
– É inevitável existirem os dois lados, mas não sinto que haja qualquer tipo de interesse por parte do meu lote de amigos. Tento estar ao lado das melhores pessoas e acho que estou rodeado pelas pessoas certas.
– Investir numa relação amorosa também não é fácil…
– Namorei algum tempo, mas nesta fase em que estou solteiro sinto-me realizado, porque estou focado no trabalho e isso torna tudo mais fácil, mas claro, é sempre bom ter namorada. É natural que um dia queira ter a minha família. Neste momento estou bem sozinho, amanhã não sei.
– O que é que procura na pessoa para estar ao seu lado?
– Alguém inteligente, com­preensivo e que seja independente. Que tenha tempo para estar comigo e que tenha algo que a realize.
– A infância instável que teve fez com que aumentasse o desejo de ter a sua própria família?
– Sim, tem tudo a ver com a minha história de vida, o meu percurso. Sou muito ligado a crianças, quero ter uma família enorme, gostava de ter quatro filhos, sei que vou ser um bom pai e quero que os meus filhos tenham uma educação especial.
– E é um projeto a curto ou longo prazo?
– Tudo depende de encontrar a pessoa certa e do que eu sinta no momento.

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