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Cláudio Ramos: “Aprendi a dizer não. Sou seguramente mais feliz!”

Encontrámos o comentador da SIC CARAS na Ilha do Sal, em Cabo Verde. Uma conversa sem aviso prévio com alguém que não vira a cara às adversidades.

Pedro Amante
31 de julho de 2016, 10:00

Cláudio Ramos sempre teve o sonho de trabalhar em televisão. Sabia que o caminho não seria fácil, mas também nunca foi homem de virar a cara às dificuldades. Deixou o Alentejo, traçou as suas próprias metas e lançou-se de corpo e alma à conquista daquele que sempre foi o seu grande objetivo. Aos 42 anos, admite que faz o que gosta, que se descobriu enquanto pessoa, mas vai logo avisando que ainda pretende alcançar muito mais. Sim, é ambicioso e não o esconde.
Aproveitando uma pausa do Passadeira Vermelha, programa da SIC CARAS onde é comentador, Cláudio rumou até à Ilha do Sal, em Cabo Verde, para descansar e tentar desligar-se do mundo.
– Esta viagem a Cabo Verde correspondeu às suas expectativas?
Cláudio Ramos – Superou! Quero voltar e fazer coisas que não fiz. Não se pode sair de Cabo Verde sem um certo espírito de missão, quero voltar e ajudar.
– O que de melhor leva desta viagem?
As pessoas. O acolhimento foi impressio­nante. As pessoas são de uma generosidade incrível. Fiquei rendido! Depois, o mar e o clima. Descobrir a ilha fora das zonas turísticas foi uma belíssima opção. Só levo coisas boas.
– E o que menos lhe agradou?
Não gostei de perceber que é um povo carente de muitas coisas que nós damos como básicas e adquiridas.
– As pessoas reconheceram-no na rua? Foi abordado?
Muito! Por isso a opção de alugar um carro e sair da zona turística foi a melhor. Não fazia ideia de que a SIC era tão vista em Cabo Verde. Não houve uma pessoa que não viesse falar comigo. Tenho dezenas de fotografias no meu telefone para enviar a pessoas que queriam fotos comigo, mas não tinham como tirar.
– Tem batalhado muito para chegar até aqui. Está onde sempre desejou?
Estou num bom momento profissional. Tenho a noção de que, por muito sólido que o caminho seja, amanhã pode mudar. O meu segredo é trabalhar muito, entregar-me ao que faço para não dececionar diretores nem espectadores. São eles que nos mantêm no lugar. Quero mais, claro que sim! E vou ter, mas neste momento, com os projetos que tenho, é complicado.
– Faz aquilo de que realmente gosta?
Só faço aquilo de que gosto. Aprendi a escolher, a dizer não e assim sou seguramente mais feliz. Aprendi a perder de um lado e a ganhar do outro.
– Costuma reservar parte das férias para estar com a sua filha. Não pensou trazê-la?
Para Cabo Verde, não. Ela terá dois períodos de férias comigo. Depois de Cabo Verde vou com ela para o sul de Espanha.
– Tenta que ela conheça outras realidades?
Sempre! Ela não precisa vir a Cabo Verde para perceber que existem realidades muito diferentes da dela e que é uma privilegiada. Mas quero trazê-la, porque me pediu. A Leonor tem o sonho de fazer voluntariado internacional. Pode ser um começo.
– Muita gente continua a falar da entrevista ao Alta Definição [em que assumiu a sua homossexualidade]. Foi um momento de viragem na sua vida?
Absolutamente. Estarei sempre grato por aquele momento. Apareceu na altura certa e apresentou-se ao mundo um Cláudio que sempre existiu, mas que ainda não tinha sido revelado. A Júlia Pinheiro e o Manuel Luís Goucha dizem sempre que não se pode nem se consegue mentir em televisão. A honesti­dade vence sempre. Foi o que aconteceu.
– Passou a ser encarado de outra forma?
Não tenho dúvidas disso. A abordagem das pessoas, dos meus pares e do ‘meio’ mudou muito. Para melhor.
Passadeira Vermelha, Queridas Manhãs, uma crónica numa revista semanal, o blog Eu, Cláudio!, que alimenta diariamente... Como tem tempo para tanta coisa?
– E ainda o Contra Capa e o Canal Q todas as semanas. Sou muito disciplinado. Foi um ano de trabalho intenso, mas só funciona com muita organização.
– O blog já faz dez anos...
– Sim e vai exigir mais de mim. Estou muito orgulhoso, por ter sido pioneiro e não uma moda. É dos poucos que realmente funciona como a autêntica filosofia do que é um blog. Não existe para alimentar egos.
– Tem muito cuidado com a imagem?
Tenho muito cuidado, mas não tanto quanto as pessoas pensam. Sei que tenho uma imagem pública, trabalho com ela, e tenho o dever de estar bem. Pelo menos tento. Depois, estou a caminho dos 43 anos e a idade deixa marcas... Se as conseguir atenuar, vou fazê-lo. Uma boa alimentação, vida regrada e exercício.
– Quando se olha ao espelho, gosta do que vê?
Gosto mais de mim agora do que gostava. Mas gosto, sobretudo, de me ir descobrindo por dentro. O importante é o equilíbrio.
– É um homem realizado ou um eterno descontente?
Realizo-me em coisas que faço, tenho uma vida confortável, uma família unida e feliz, uma filha maravilhosa, amigos... Seria injusto dizer que estou descontente, mas também não posso mentir e dizer que estou realizado. Vou-me realizando!

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