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Daniela Mercury: “A Malu trouxe muita alegria a esta casa”

Ao lado da mulher, a jornalista Malu, a cantora, de 50 anos, abre as portas de sua casa, ‘dominada’ por cinco mulheres.

CARAS
30 de julho de 2016, 10:00

Há exatamente quatro anos, Daniela Mercury foi notícia ao assumir o seu rela­cionamento com a jornalista Malu Verçosa. “A Malu passa a ser a minha mulher, a minha família e a minha inspiração para cantar”, escreveu a cantora na ocasião, nas redes sociais. Desde então, as duas têm dado a cara pela luta a favor da igualdade, oficializaram a relação, adota­ram os respetivos apelidos, remodelaram a casa e formaram uma nova família. Hoje, Malu partilha com Daniela a responsabilidade de educar as filhas, Márcia, de 18 anos, Analice, de 14, e Ana Isabel Verçosa de Sá Mercury, de seis. “A Malu trouxe muita alegria a esta casa”, assegura Daniela, que é ainda mãe da bailarina Giovana Póvoas, de 29 anos, e do músico Gabriel Póvoas, de 30, que nasceram da sua união com o engenheiro Zalther Póvoas.
A antiga moradia de Daniela Mercury em Salvador, onde receberam a CARAS, ganhou entretanto a personalidade das duas. “Mudámos quadros e móveis de lugar e juntas comprámos cada detalhe da decoração. Plantámos um baobá [espécie de árvore simbólica de África] na entrada, que vai nos proteger. O espaço renovou-se de energia e amor”, conta a ex-mentora do The Voice Kids e atual jurada do programa de talentos brasileiro SuperStar.
– Com tantos compromissos profissionais, participam na rotina da casa e das crianças?
Daniela Mercury – Sim. Va­mos às escolas, fazemos as re­feições juntas, ajudamo-las na hora de deitar e mantemo-nos atentas aos assuntos de cada uma das meninas. A Malu ajuda-as nos trabalhos de casa e encarrega-se de fazer a nossa lista de compras de supermercado.
– No que diz respeito à educação das meninas, quem é a disciplinadora?
A Malu tem objetividade, impõe horários, conversa mais e tem uma amizade com elas que eu não consigo ter. Eu converso com elas, claro, mas nem sempre nos entendemos. E quando me zango, é a sério e o castigo é duro, como deixarem de sair ou ficarem sem ver televisão. Para a Bela, a mais pequena, o castigo são alguns minutos sentada a pensar naquilo que fez. Depois, tem que pedir desculpa. Mas a verdade é que acabamos sempre por conversar mais do que castigar.
– Que valores gostariam de lhes passar?
De ética e honestidade. A importância de respeitar os outros, o valor da escola e da aquisição de conhecimentos. Queremos que sejam altivas, independentes, mulheres que tenham noção do seu poder. Que cultivem o amor próprio e o respeito por si mesmas, que sejam autónomas e fortes, capazes de tomar decisões.
– Como é que elas reagiram quando souberam que iriam ter duas mães? Como é que lidam com isso?
Não lhes dissemos “agora vocês têm duas mães”. Houve o amor entre mim e a Malu e a natural convivência com elas, com um carinho enorme e uma atitude de educação, liderança e autoridade. Elas sentem que nós somos mães, mas não o racionalizam. É o amor que faz a magia acontecer. Elas também nos adotaram e escolheram para as amar. Então, o vínculo está feito, a família está formada. Até hoje, nunca tivemos nenhum problema com isso. Pelo contrário, falam com orgulho de “poderem” ter duas mães.
Malu – Elas vivem normalmente dentro de um ambiente de amor. Não faz diferença se são duas mulheres ou dois homens. São felizes e sentem-se amadas. São educadas para tra­tar os outros de forma igual, in­dependentemente da condição social, raça ou opção sexual. É uma geração muito diferente. Na escola há muitos colegas bissexuais e as formações familiares são diversas. Com o namorado da Márcia, por exemplo, brinco muitas vezes e digo-lhe que não tem uma, mas sim duas sogras!
– Esta é uma casa só de mulheres. Há desvantagens?
Nós somos fortes. Car­regamos os nossos pesos e mudamos sozinhas os móveis de lugar. Uma casa mais feminina é mais bem cuidada e organizada. Só vejo vantagens. Nós entendemo-nos. Mas as mulheres também são mais ciumentas. Lutamos mais pela atenção umas das outras.
– Tornaram-se um símbolo da luta pela igualdade de direitos. Tinham noção da dimensão desse ato?
Daniela – Sabia que, sendo uma artista popular, o impacto e a curiosidade seriam enormes. Mas foi muito transformador. A partir da minha posição, tão clara, livre e corajosa perante o público, o tema passou a ser discutido dentro de casa. Fomos agentes de mudança e afirmá­mo-nos como mulheres fortes e que têm noção do seu poder. Foi um ato feminista, de orgulho gay, de direitos humanos e político. Inspirámos não só a luta pela igualdade de direitos, mas também pelo direito de sermos diferentes. Encorajámos pessoas a lutar pelos seus sonhos.
– Que balanço faz dos seus 50 anos?
A minha energia física e criativa estão a mil. Tenho planos até para as próximas encarnações. A idade traz-nos mais sabedoria e inteligência e menos angústias. Estou a fazer dois espetáculos, o Baile da Rainha Má e o Voz e Violão. Sou inquieta e adoro a vida cheia e intensa. Estou cada dia mais apaixonada e mobilizada pela minha relação com a Malu e encantada com a vida em família. Trabalho desde os 16 anos e só agora estou a conseguir usufruir com mais qualidade do convívio com os filhos e com a minha neta, Clarice, de sete anos. Chegar a esta altura da vida com tanta vontade de fazer tudo e com tanto sucesso é um luxo, uma delícia.

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