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Letícia Spiller confessa: “Os 40 estão a ser muito bons para mim”

A atriz esteve 12 dias em Portugal e espera poder voltar em breve com diferentes projetos profissionais.

Vanessa Bento
24 de julho de 2016, 12:00

A paz e a serenidade que Le­tícia Spiller transmite pessoalmente contrastam com a personalidade da vilã que interpreta em I Love Paraisópolis, exibida na SIC. Adepta de um estilo de vida saudável, onde o desporto, o ioga e a alimentação cuidada fazem parte da rotina diária, a atriz mantém a beleza de sempre e assume lidar bem com a idade e com os sinais do tempo.
Numa passagem de 12 dias por Portugal, Letícia esteve à conversa com a CARAS e partilhou o sonho de se estrear em teatro no nosso país, com a peça que está atualmente a fazer no Brasil – Dorotéia – um dos maiores desafios da sua carreira.
– Há vários anos que a vemos na televisão, mas continua igual. O tempo não passa por si?
Letícia Spiller – [Sorri] Não sinto o mesmo. Mas acho que os 40 estão a ser muito bons para mim, estou a gostar muito. Estou mais ativa do que nunca, faço mais coisas, trabalho mais, está a ser uma idade abençoada, graças a Deus.
– Lida bem com a passagem do tempo?
– Eu acho que é a vida, não é?! A vida passa, o tempo passa, não podemos querer ser jovens para sempre, a não ser interior­mente. Se chegar à velhice com saúde, para mim está ótimo.
– Diz que os 40 estão a ser bons para si. Sente que isso tam­bém se deve à maturidade e à leveza que se ganha com a idade?
– Acho que sim, toda a bagagem adquirida na expe­riência e nas buscas... Apesar de já ter adquirido muita experiência continuo à procura de novas, quero sempre aprender mais. Nos últimos cinco anos produzi uma curta e uma longa metragens, tenho o projeto de um show de música com uma amiga que estou a tentar trazer para Lisboa, um projeto de teatro que estou a realizar no Brasil e que quero trazer para cá, porque acho que tem tudo a ver com Portugal. Nunca me apresentei em teatro cá e é um sonho que gostaria muito de realizar.
– Para si é importante procurar o que lhe faz sentido além das novelas?
– Sim, porque acho que decidi ser atriz por causa do teatro. A minha vocação veio por aí, depois vieram as outras coisas. E tenho essa necessidade porque é onde me renovo, é onde aprendo, onde me reciclo e me aprofundo.
– Foi essa vontade de fazer teatro cá que a trouxe a Lisboa?
– Sim. No Brasil estou a fazer uma peça que faz parte do círculo mítico das peças de Nelson Rodrigues. São seis mulheres que contam a história de uma prostituta que procura redenção depois da morte do filho. Ela sente-se culpada e vai buscar redenção a casa das primas feias que odeiam sexo e têm aversão a homens. É uma peça cheia de símbolos.
– Sendo mãe [de dois filhos, Pedro, de 18 anos, filho do ator Marcello Novaes, e Stella, de cinco, da união com o fotógrafo Lucas Loureiro], acredito que seja particularmente difícil in­terpretar a perda de um filho.
– Sim, muito. A minha mãe perdeu duas filhas e ponho-me sempre no lugar dela. Esse momento na peça é bem doloroso.
– Mexe com medos reais, que todas as mães têm.
– Sim! E não é só isso, é também o sentimento de culpa, a culpa católica... E tem uma cena de nudez, em que ela é despida pelas primas. É num contexto muito triste, mas é muito simbólico, porque ela despe as roupas antigas para entrar nas novas.
– Aceitar fazer essa cena de nudez, aos 42 anos, é sinónimo de que se sente bem na sua pele?
– É verdade, mas vamos ver como vou ficar depois de Portu­gal, com tanta comida boa [risos]. Mas importar-me com a questão do corpo parece-me pequeno no contexto desta peça.
– Há pouco falava da necessidade que tem de procurar desafios novos. O que tem descoberto sobre si nessas buscas? Como é a sua alma?
– Acho que a minha alma é sensível, alegre, busco sempre a alegria, a alegria sem motivo, o que é difícil. É uma sabedoria que os índios da Amazónia e os monges tibetanos têm muito.
– As crianças costumam ter essa pureza, essa alegria. Enquanto mãe consegue alcançar isso com os seus filhos?
– Consigo. Adoro estar com os meus filhos. A minha filha ainda é criança e tenho que aproveitar muito. Eu aproveitei muito o Pedro e agora estou a aproveitá-la também.
– É engraçado ser mãe em duas fases diferentes da vida?
– É, mas sou muito ‘mãezona’, não é assim tão diferente. A maior diferença é mesmo a persona­lidade de cada um. Sempre ouvi dizer que mulher é complicada, mas não sabia disso na prática. [risos] E é isso que estou a aprender. Real­mente a mulher é muito mais complexa do que o homem. Até em termos de hormonas, quando estava gerando a minha filha, senti-me mais viva. E hoje em dia vejo que ela tem muito mais argumento para as más criações, é mais exigente. Mas um filho é um presente, é uma delícia, é um amor incondicional.
– Sente que tem conseguido equilibrar bem a maternidade e a profissão?
– Acho que sim. Estou sempre presente, pronta para educar, apesar de ser difícil. É difícil dizer não, ver um filho chorar, mas é necessário, caso contrário criamos tiranos. É preciso limites com ternura. É melhor dar um castigo e fazer a criança pensar do que dar uma palmada.
– E tem aprendido muito com os seus filhos?
– Muito. Tenho aprendido esse amor, a viver o presente, a respeitar as diferenças... Vejo-me neles o tempo todo, o que às vezes é doloroso. Vemos os nossos defeitos, dá um pouco de desespero, mas também é bom para os ajudarmos a superar.

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