Nas Bancas

Dina Ornelas Cruz e Mário Cruz: “Numa relação não há espaço para o egoísmo”

O jardim de casa de Dina e de Mário enche-se de vida com os seus cães. Por isso, e porque fazem parte da família, Bucha e Scar também entraram na foto.

Vanessa Bento
24 de julho de 2016, 18:00

Quando a equipa da CARAS chegou a casa de Dina Ornelas Cruz e Mário Cruz foi recebida de porta aberta e dois sorrisos rasgados. A simplicidade e a simpatia deste casal saltaram logo à vista e foram uma constante em toda a produção. Casados há 30 anos, o comandante da TAP e a responsável pela marca Chocolates da Vida partilharam connosco o segredo da sua relação e as expectativas que têm em relação ao futuro, sobretudo no que diz respeito ao projeto pelo qual lutam em conjunto. Determinada a adoçar a vida dos portugueses, Dina Ornelas Cruz criou chocolates saudáveis que considera a sua missão.
– Sendo o Mário do Porto e a Dina dos Açores, gostava de perceber como é que os vossos caminhos se cruzaram.
Dina – Conhecemo-nos nos Açores, na Ilha Terceira, porque o Mário era piloto da Força Aérea e foi lá colocado. Tínhamos amigos em comum e para mim foi amor à primeira vista. Tinha 22 anos, já estamos casados há 30, já lá vai muito tempo...
– E qual é o segredo para um casamento duradouro?
– Respeitamo-nos muito e temos uma grande admiração um pelo outro, o que acho que é muito importante. E temos um tipo de feitio que se encaixa bem. Num casamento, é preciso não nos acomodarmos e sermos felizes. Ter sempre uma atitude alegre e positiva.
Mário – A vida a dois implica cedências. Quando se quer mesmo, tem que ser um trabalho de equipa.
– Não podemos dar o outro como garantido.
Dina – É isso mesmo. Hoje em dia parece-me que as pessoas são mais egoístas e numa relação não existe espaço para o egoísmo. Eu tenho que me adaptar ao Mário e ele a mim. Mas também acho que tivemos muita sorte em encontrar-nos.
Mário – Mas a sorte dá trabalho.
– Um trabalho que tem sido muito agradável, no vosso caso...
Dina – Sem dúvida. Tem sido muito fácil, embora não tenhamos filhos... Mas também não são os filhos que salvam um casamento. Acho que ajudam, porque enchem uma casa, mas acho que tem sido muito bom. Conseguimos encontrar a nossa felicidade, nunca caímos na rotina e estamos sempre em sintonia, temos os mesmos objetivos.
– Hoje sente-se em paz com o facto de não ter sido mãe?
– Sinto. Nunca me preocupei muito, quando soube que não podia ter filhos não pensei muito nisso. Tinha 27 anos e pensei que ia aproveitar a vida. Podia ter adotado, mas não pensámos nisso. Se calhar agora posso sentir-me mais sozinha, porque perdi a minha mãe e o meu pai, as minhas sobrinhas já se casaram, já têm a sua vida, mas quando nos juntamos é maravilhoso, como sempre.
– O facto de não conseguirem ter filhos podia ter-vos afastado, mas a verdade é que isso não aconteceu e existe uma grande cumplicidade entre vocês. Apoiam-se mutuamente, em qualquer circunstância?
– Completamente. O Mário é o meu grande apoio.
Mário – Se voltasse atrás, na nossa história, não mudava nada. Foi um encontro muito bom, aquele que nos uniu. E depois temos uma coisa muito boa: todos os projetos em que já nos envolvemos tornaram-se familiares, porque somos os dois a fazê-los. Os Chocolates da Vida começaram com a Dina, mas depois vou-me envolvendo e agora já estou a desidratar banana [risos]. Por norma, os casais não passam a maior parte do seu tempo útil juntos. Nós é ao contrário. A maior parte do nosso tempo é passado ao lado um do outro, fazemos as mesmas coisas, envolvemo-nos juntos nas tarefas e nos projetos. E é assim que nos faz sentido. A mim faz-me confusão ir jantar com amigos e a Dina ficar em casa, ou ir de férias sem ela. Nós somos o apêndice um do outro. E somos muito felizes assim.
– E qual é o seu objetivo com esta marca de chocolates, Dina? Pretende adoçar a vida dos portugueses?
Dina – Já estou a começar a adoçar, sim. As pessoas já me vão conhecendo, estamos a tentar alargar os pontos de venda e gostava de exportar para a comunidade portuguesa nos Estados Unidos.
– Portugal não é o limite para este seu negócio, então?
– Não. Com as caixas gourmet, Portugal era o limite, mas com os nossos novos sacos herméticos, parece-me que os chocolates vão voar mais. Todos os dias aprendemos coisas novas e isso só nos enriquece e enriquece o nosso projeto.
– É criativa e destemida e não tem medo de ir à luta. Sente que foi esta combinação de fatores que a levou a criar esta marca?
– Foi, com esta idade tinha mais era que estar sossegada [risos]. Mas estamos sempre a tempo de fazer qualquer coisa. Se temos um projeto ou um sonho, por que não lutar por ele?! Nem que seja com 80 anos.
Mário – Não há limites de idade para os sonhos. E nesta idade, olhamos para os projetos com maior maturidade, logo, com mais objetividade. Não perdemos tempo com o acessório.
– A Dina é uma inspiração para si, Mário?
– Ela é um pequeno vulcão, porque está sempre a criar. Quando a conheci, ela tinha uns sapatos pintados por ela, um de cada cor. Era ela que os criava, que os tornava únicos e diferentes. E é a vontade que ela tem de criar que a torna destemida.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras