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Marcela e Francesca de Mello Breyner, irmãs inseparáveis até no trabalho

O mais importante para estas irmãs é que os filhos cresçam com uma noção de família, tal como elas, que têm mais três irmãos, cresceram.

CARAS
23 de julho de 2016, 14:00

Mulheres empreendedoras e mães de família, Marcela e Francesca de Mello Breyner, de 31 e 30 anos, são as responsáveis, respetivamente, pela área financeira e pelo marketing
do Zmar Eco Experience, na Zam­bujeira do Mar. Numa sessão fotográfica naquele resort da costa alentejana, em que posaram com os filhos, as duas irmãs falaram-nos da importância que dão à família e da responsabilidade que sentem pelo apelido que perpetuam.
– O Zmar abriu em 2009, com uma elevada preocupação ambiental e ecológica. Como nasceu este projeto?
Francesca de Mello Breyner – Foi um projeto do nosso pai, Francisco de Mello Breyner, que toda a vida trabalhou em imobiliário e queria deixar ao país um projeto completamente inovador, sustentável.
– Sempre tiveram as questões ambientais presentes?
Marcela Mello Breyner –
Desde pequeninas que separamos o lixo. Lembro-me de que íamos para a Comporta limpar as praias. Isso esteve sempre muito presente na nossa vida.
– Trabalharam no Zmar desde o início?
Marcela – Eu estive envolvida no projeto desde sempre, mas com o nascimento da minha segunda filha, Isabella, tive de ficar mais tempo em Lisboa.
Francesca – Atualmente os nossos escritórios de marketing, vendas e administração são em Lisboa, mas sempre que é preciso, vimos cá.
– Imagino que seja um ótimo refúgio para fugir do stresse...
Marcela – Completamente!
– Não contente com a atividade de financeira que exerce no resort, a Marcela lançou agora uma marca de roupa de criança...
– Sim, a Bloom’In. Nós somos apaixonadas por moda, eu sou uma pirosa, as minhas filhas também... adoramos roupa, vestidos... A marca surgiu da ideia de fazer roupa infantil com bordados, modernizar este conceito, tendo sempre um vibe hippie chic. Ainda é um negócio pequeno, que nasceu pelo amor às minhas filhas. Elas adoram e são as modelos da marca.
– É fácil conseguirem ser profissionais bem sucedidas e mães de família?
Francesca – Confesso que quando tive o Miguel fiquei com um novo respeito por todas as mães, porque dá muito trabalho... Mas acho importante conjugar o lado profissional com a maternidade, porque preciso de me sentir estimulada.
Marcela – Eu deixei de trabalhar durante um ano e ‘morri’! O que é que é a vida sem uma pessoa fazer o que gosta? Para mim, sair do Zmar, na altura, foi sair da minha zona de conforto. Sabia que tinha as capacidades, mas precisava de ter a expe­riência de ser mãe. Cabe-nos a nós aprender com as situações. Agora, consegui arranjar um negócio que junta a paixão pelas minhas filhas com a paixão pela moda e pela gestão.
Francesca – Eu diria que para a Marcela é especialmente difícil conjugar as duas coisas, porque as filhas são umas terroristas [risos]!
– Já percebi que a Isabella é mais princesa, e a Maude mais...
Marcela – Rufia!
– Reveem-se nos vossos filhos?
Francesca –
O Miguel é muito calmo, eu não sou assim tanto. Mas comparado com as primas, é um bebé muito tranquilo.
Marcela – É engraçado, porque fisicamente a Maude é o pai e a Isabella sou eu, mas de feitio, a Maude sai a mim e a Isabella ao pai.
– Lembram-se da vossa infância quando as veem juntas?
Francesca – Sim... A Mar­cela quis ter as filhas com pouco tempo de diferença porque nós somos assim e temos uma relação muito especial. Temos os mesmos grupos de amigos, frequentamos os mesmo sítios, gostamos das mesmas coisas. Quando nasceu a Maude, a Marcela quis logo que ela tivesse uma irmã para crescerem como nós crescemos. E eu também tenho essa vontade com o meu filho.
Marcela – Somos cinco irmãos, quatro raparigas e um rapaz, mas nós as duas somos as mais chegadas. E as minhas filhas são assim. Ainda por cima, uma é loira e a outra, morena, como nós!
Francesca – Sendo que eu era a mais calma e a Marcela, a mais rufia.
– Conseguiram manter a vossa relação assim próxima ao longo da vida?
– Sim, apesar de muitas turras.
– E de muitas separações. Ambas estudaram fora do país...
Marcela – Aos 14 anos, fui para um colégio interno na Suíça. E foi nessa altura que ficámos mais próximas!
Francesca – E eu fui para No­va Iorque. Enquanto vivíamos as duas cá, dávamo-nos bem, mas andávamos sempre às turras. Quando nos afastámos, ficámos emocionalmente mais próximas.
– Também têm uma relação próxima com os outros irmãos?
Marcela – Sim, somos família.
– A família é o mais importante?
Completamente. Temos esse exemplo bem definido pela nossa mãe, Marcela de Mello Breyner, que é o pilar da família. É quem nos mantém sempre unidos.
Francesca – Ainda recentemente passei uma temporada em Amesterdão, com o meu filho e o meu marido, que esteve lá a trabalhar, e pensei que o meu lugar é cá. Nós vimos de uma família enorme...
– Apesar das vidas ocupadas, têm tempo para a família?
Francesca –
Passamos os fins de semana todos juntos, na quinta dos meus pais. Saímos de lá numa canseira, por causa das crianças, mas é ótimo.
Marcela – No Zmar, todos os irmãos deram o seu contributo. Nós não fazemos nada sozinhos.
– Hoje, que as pessoas são mais individualistas, sentem-se um exemplo de família perfeita?
Francesca –
Nunca tinha pensado nisso, mas sim. As nossas amigas estão sempre a dizer: “Lá vêm as irmãs!” As pessoas olham para nós como uma só.
– Isso não vos incomoda?
Marcela –
Eu fui para a Suíça para encontrar a minha identidade. Sou a mais nova das quatro e era difícil encontrar o meu caminho. E aprendi muita coisa.
– Como por exemplo?
– A respeitar o espaço dos outros, a partilhar. Os laços que tenho com as amigas que fiz lá, não tenho com mais ninguém. Ainda hoje nos encontramos regularmente em várias cidades da Europa.
Francesca – E foi por causa das muitas viagens que a Marcela faz que criámos o blogue Marchesca Sisters, que é a junção dos nossos nomes.
– Por falar em nomes, é difícil ou é um orgulho ser Mello Breyner?
Francesca –
Eu adoro escrever e toda a vida quis ser escritora, mas depois penso que sou da família da Sophia de Mello Breyner e isso é um peso, porque se eu for uma porcaria, não vou fazer jus ao nome. Mas o nome, neste caso, será sempre um orgulho. Quando me casei adotei o apelido do meu marido [Miguel Ximenez], mas disse-lhe que não ia perder a minha iden­tidade. Sinto que uma parte de mim morria se deixasse de ser Mello Breyner.
Marcela – Eu estou casada há mais tempo e também sentia isso, mas agora já vou assumindo o apelido do meu marido [João Lagos].

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