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Carmo Dalla Vecchia admite: “O budismo é a grande aprendizagem da minha vida”

O ator brasileiro, que integrou o elenco da novela ‘A Regra do Jogo’, exibida na SIC, esteve em Portugal.

CARAS
3 de julho de 2016, 12:00

As personagens densas e complexas que Carmo Dalla Vecchia tem representado nas novelas brasileiras não poderiam ser mais distintas do homem de todos os dias. Praticante de budismo, amante da natureza e apaixonado pela representação, o ator brasileiro procura ter uma vida simples, na qual o media­tismo, a fama e até o dinheiro têm papéis muito secundários.
Aproveitando a sua curta estada em Portugal para participar na XXI Gala dos Globos de Ouro, a CARAS conversou com o ator sobre a sua forma de estar no trabalho e na vida.
– Não é a primeira vez que está em Portugal.
Carmo Dalla Vecchia
– Já tinha vindo há cinco anos e é sempre uma alegria estar aqui. É muito bom ser recebido desta maneira tão calorosa. É gratificante saber que assistem às nossas novelas e que gostam do nosso trabalho. Ficamos sempre surpreendidos quando cá estamos e percebemos, de forma triste, como o Brasil é violento. Aqui sentimo-nos mais seguros nas ruas.
– Tem mais de 20 anos de carreira e já alcançou o reconhecimento do público e dos seus pares. Tem sido fácil conciliar uma carreia de sucesso e com várias solicitações com a sua forma de estar, muita discreta e longe dos holofotes?
– Quando alguém decide ser ator é porque gosta do ofício de atuar e não porque se sente fascinado pelo mundo das celebridades. O que acontece é que há muitos profissionais que precisam dessa esfera para ganharem dinheiro. E não estou a fazer nenhuma crítica, são escolhas. Agora, acho que tem de haver uma certa coerência. Quando você vende a sua vida privada, obviamente abre-se uma porta. Tenho tido a sorte de o meu trabalho falar por mim, por isso, tem sido fácil viver desta maneira. Um ator é aquele que gosta de interpretar e temos de ter muito cuidado para que tudo o que gira à nossa volta, como as capas de revistas, o dinheiro que
se ganha a fazer publicidade e o glamour que envolve a profissão não fiquem mais importantes do que o próprio ofício. Caso contrário, vamos ficar contaminados pelo olhar do outro.
– E consegue deixar o ego fora dessa equação?
– Os desejos mundanos fazem parte da nossa existência porque somos feitos de matéria e não podemos fugir disso. Quando queremos algo, podemos atingi-lo de forma positiva. Agora, o ego pelo ego só traz dor.
– Esta forma de encarar a vida prende-se muito com a sua prática do budismo...
– Sim, o budismo é a grande aprendizagem da minha vida. Temos de ter sucesso é com as nossas relações e com as pessoas que nos rodeiam. O que interessa ter muito sucesso no trabalho se depois as pessoas que nos são próximas não gostam de nós? Temos de saber o lugar de cada coisa e o que é realmente importante.
– E o que gosta de fazer nos seus tempos livres?
– Sou responsável por uma organização budista e é aí que passo grande parte do meu tempo livre. Tenho uma casa de campo e adoro cuidar das minhas plantas, ver o seu desenvolvimento consoante as estações do ano. Sou uma pessoa muito ligada à natureza. Também tenho uma grande paixão pela fotografia, à qual gostava de dedicar mais tempo.

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