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Maria João Lopo de Carvalho: “Descobri em Camões um homem que adorava mulheres”

Escrever o livro ‘Até Que o Amor me Mate – As Mulheres de Camões’ proporcionou a Maria João uma das mais intensas experiências da sua vida.

CARAS
26 de junho de 2016, 12:00

Na adolescência, Maria João Lopo de Carvalho não se deixou conquistar por Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Agora, escolheu o poeta como tema do seu mais recente romance histórico, Até Que o Amor me Mate – As Mulheres de Camões, que a CARAS, a Visão e o Expresso lançam em pré-publicação. “Acho que no 9.º ano nem eu nem 90 por cento dos adolescentes acha piada a Os Lusíadas, porque não temos maturidade para perceber toda a dimensão da obra, e aquela história de nos obrigarem a dividir as orações ainda complica mais. Anos mais tarde, e como fiz o curso de Letras, tive de voltar à obra e só aí comecei a perceber a verdadeira dimensão e a genialidade que está por detrás de todo aquele poema épico. Quando enveredei pelo romance histórico, e depois de escrever A Padeira de Aljubarrota, achei que era chegada a altura de me atirar a Camões e tentei encontrar o Luís Vaz por dentro do Camões. Tentei descobrir o homem para além da obra e descobri um homem que adorava mulheres. Coloquei sete mulheres: Dona Violante [de Andrade], Catarina de Ataíde, Francisca [de Aragão], Dinamene, Bárbara, a mãe de Camões [Ana de Sá de Macedo] e uma personagem fictícia, a Inês de Sousa, a contarem a sua vida. Cada uma delas fala de pedacinhos da vida dele até termos o fresco da vida do poeta”, explicou a escritora.
Depois de dois anos de intensa pesquisa e numa altura em que terminava o seu casamento com José Maria Casal Ribeiro, Maria João decidiu que era chegado o tempo de percorrer os mesmos caminhos que Camões, o que a levou a uma viagem de dois meses por 16 cidades e 12 países, usando quatro barcos e mais de 30 aviões: “Tudo aconteceu na altura em que me separei e achei que deveria investir as minhas poupanças numa viagem a que chamei “Viagem dos Sentidos”. Precisava de sentir, pisar, cheirar, ver e provar todos os sítios onde o poeta esteve, para estar o mais próxima possível dele. E aí embarquei e fiz das fraquezas forças... Não é fácil para uma pessoa de 53 anos, sozinha e sem ninguém para partilhar uma refeição, sem ninguém conhecido a não ser as pessoas com quem me ia cruzando... Mas claro que valeu imenso a pena, pois acho que quando o leitor começar a ler percebe que estive naqueles locais... Quando chegamos ao Cabo da Ponte e cruzamos o Cabo da Boa Esperança de barco, olhamos para a rocha e vemos mesmo o rosto humano esculpido na rocha. Ele não inventou o Adamastor. A portugalidade que existe em todos os portos é fenomenal.”
Enquanto folheava as páginas do seu livro, a autora ia confessando a influência que recebeu do poeta: “Camões enriqueceu a minha vida de uma maneira que mais nenhum homem enriqueceu... Só não tivemos o contacto físico. Acho até que ele me protegeu. O facto de nunca ter adoecido, de nunca ter perdido um avião e de estar dois meses em locais pelos quais poucos estrangeiros passaram... Tudo me correu bem e isso é muito estranho. Tenho fé e sei que alguém me protegeu. A verdade é que fiquei com um conhecimento muito mais profundo da obra e esta levou-me a locais que jamais imaginei, como Ormuz, Mascate, Mombasa, as Ilhas Molucas, onde não ia um turista há dez anos. Foi uma experiência inesquecível e que guardarei para sempre.”

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