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Dolores Aveiro recebe a CARAS na sua casa da Madeira

A mãe de Cristiano Ronaldo mostrou o seu lado mais privado e, numa conversa intimista, falou da importância que têm na sua vida os papéis de mãe e de avó.

Marta Mesquita
26 de junho de 2016, 14:00

Dolores Aveiro, de 61 anos, tornou-se conhecida por ser a mãe de Cristiano Ronaldo, considerado por muitos o melhor jogador de futebol do mundo. Contudo, a sua personalidade forte, bem como a sua história de vida, também lhe têm trazido reconhecimento em nome próprio. Querendo mostrar mais da mulher que é, esta mãe de quatro filhos e avó de seis netos aceitou ser a embaixadora da Banana da Madeira, aventurando-se, assim, no mundo da publicidade, área que gostaria de explorar mais.
Tendo como mote esta campanha publicitária, D. Dolores abriu as portas da sua casa da Madeira e partilhou em exclusivo com a CARAS o seu lado mais privado, tão marcado pelo seu amor incondicional à família.
– As filmagens desta campanha permitiram-lhe desfrutar de uns dias na Madeira. É sempre bom voltar a casa?
Dolores Aveiro
– Sim, esta será sempre a minha terra. É aqui que estão as minhas raízes. Não vivo aqui, porque estou em Madrid a cuidar do meu neto Cristiano [que completa seis anos em junho], filho do Ronaldo, mas sempre que posso venho cá. Este será sempre o meu canto e espero morrer aqui. Na Madeira, sinto-me em casa. E gosto muito de viver rodeada de mar.
– Tem sido fácil gerir a sua vida com cons­tantes viagens entre Madrid e a Madeira?
– Com amor tudo se faz. Quando temos amor à vida e aos nossos, conseguimos fazer tudo. É o amor que me motiva. Claro que tenho muitas saudades da Madeira... Tenho muitas recordações daqui e não há nada como o nosso canto. Quando o meu filho me diz que quer ir de férias para os Estados Unidos, fico a pensar que preferia vir para a Madeira. E digo isto de coração! Mas claro que acabo sempre por ir com ele.
– Esse gesto mostra a sua total dedicação à família...
– Sim, esse sempre foi o meu lema. Vivo desta maneira e dou tanta importância aos meus porque perdi a minha mãe muito cedo. O que posso dar aos meus filhos é o meu amor, e é isso que farei até morrer. O que quero transmitir-lhes é a importância de se fazer o bem.
– A perda da sua mãe, quando tinha cinco anos, levou-a para um orfanato. Depois, criou os seus filhos com muitas dificuldades. Sente que essas experiências foram importantes para ser a mulher que é hoje?
– Sim. Fazem parte de mim. Custa-me recordar tudo aquilo que passei... Mas foram coisas que realmente vivi. O que fiz foi dar a volta, sem cruzar os braços. Depois de ser mãe, lutei e sobrevivi. Sempre tentei fazer o melhor para os meus filhos. Eles e os meus netos são as pessoas que mais adoro. Com os netos, os sentimentos até são a dobrar.
– Ser mãe e ser avó são experiências muito diferentes?
– São coisas diferentes, sim. Tive pouco tempo para os meus filhos, porque tinha de trabalhar para sustentá-los. Agora, que tenho mais idade, tenho mais tempo e dou mais carinho aos meus netos. Com os meus netos tenho um comportamento diferente.
– Está a educar o seu neto Cristiano. Sente que também é um bocadinho mãe dele? Ou, pelo contrário, é apenas a sua avó?
– Sinto as duas coisas, mas sou a avó dele. Ele é tudo na minha vida!
– O que é que sentiu quando o Ronaldo lhe pediu para lhe criar o filho? Hesitou em aceitar?
– Logo que o Ronaldo me disse: “Mãe, vou ser pai e quero que trate do meu filho e lhe dê a educação que me deu”, senti uma grande alegria. Quando o meu neto veio para os meus braços, senti uma emoção muito forte. Para mim, esta criança é um filho, apenas não o pari. E enquanto tiver forças, vou criá-lo.
– Mas quando é preciso tomar uma decisão em relação ao seu neto, é o Ronaldo quem decide ou é a avó?
– Se estiver com o Ronaldo e o Cristiano fizer algo errado, chamo a atenção ao menino e o Ronaldo não me diz nada, porque sabe que estou a fazer o correto. Se o meu neto me disser algo errado, o Ronaldo corrigi-o e diz: “Não digas isso à avó.” Mas ele é uma criança exemplar, muito meiga, amorosa. Ele é tudo!
– O Ronaldo já assumiu que quer ter mais filhos. Gostava de os criar, como está a fazer com o Cristiano? Ou gostava que fosse um bocadinho diferente?
– Se o Ronaldo for novamente pai e se me pedir, farei o mesmo que estou a fazer pelo meu neto Cristiano.
– Mas gostava que fosse assim?
– Gostava que o Ronaldo tivesse mais filhos, porque tem uma vida boa. Se isso acontecer, eles vão ter a mãe que tomará conta deles. Mas se for preciso eu estar ao lado, estarei.
– São uma família muito unida. Os seus filhos continuam a pedir a sua opinião ou é a senhora que tem esta necessidade de estar sempre presente nas suas vidas?
– Os meus filhos continuam a procurar-me muito e pedem-me opiniões. E continuo a chamar-lhes a atenção quando acho que te­nho de o fazer. E eles dão-me essa liberdade.
– Com tanta dedicação aos outros, consegue ter tempo para si?
– Quero ter sempre mais tempo para a família do que para mim. Tendo tempo para a família, tenho tempo para mim. O que eu preciso é de estar com a minha família.
– Está a aventurar-se na área da publicidade. Sente que ainda tem muito de si para mostrar?
– Nunca pensei passar por isto, mas ao ver o meu filho a fazer tanta publicidade, fiquei com vontade. Quando falei com ele sobre isto, ele disse-me: “Ó mãe, acha que tem necessidade de fazer isso?” E eu respondi-lhe que achava engraçado fazer publicidade, porque no futuro iria ser falada. E é uma recordação que fica para a vida.
– Mas gostava de ser conhecida como a D. Dolores e não apenas como a mãe do Cristiano Ronaldo?
– Sim, gostava. Claro que se não fosse a mãe do Ronaldo nunca iria fazer publicidade, e é essa a verdade, mas estou satisfeita com o percurso que estou a fazer.
– Gosta de ser conhecida?
– Sinto-me muito respeitada por todos. Quando vou ao estádio já há pessoas a gri­tarem o meu nome e agora com a minha conta de Instagram ainda há mais pessoas que me conhecem. Tenho muitos fãs e sinto orgulho por ser acarinhada por tantas pessoas. Leio coisas boas e más sobre mim, é normal. Gosto deste lado mediático, mas continuo a ter uma vida normal.
– O dinheiro e a fama não a mudaram?
– Não, nada! Sou a mesma mulher. Ainda há umas semanas estive no Gerês e fui à matança de um porco, por exemplo. Continuo a cozinhar... Não mudei nada. O dinheiro não me subiu à cabeça.
– Nos últimos anos também tem demons­trado uma maior preocupação com a sua imagem: perdeu peso, arrisca mais nos seus visuais e anda maquilhada. O que a levou a tratar mais de si?
– Tenho 61 anos e gosto de estar bem. Tenho uma bicicleta, ando a pé e tenho cuidado com a alimentação. Assusta-me muito pensar que um dia não vou cá estar para os meus filhos. Custa-me ver a idade a chegar e saber que vou partir. Não gosto de pensar que vou deixar as pessoas que mais amo. Tenho fé, sou muito crente, mas fico sempre com medo de não os ver no outro mundo. Com o avançar dos anos, penso mais na morte.
– Ainda tem muitos sonhos por realizar?
– Já realizei os meus sonhos e tudo o que vier será bem aceite. Não sou muito ambiciosa. Tenho o que nunca tive na vida, mas continuo a ser a mesma Dolores de há 30 anos.

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