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Pedro Seabra: “Se isto fosse fácil, estavam cá outros”

Aos 24 anos, o filho de Catarina Flores acaba de entrar no mundo empresarial ao abrir um restaurante na zona de São Bento, o Boca Café. Um desafio para o qual contou com o apoio incondicional da família.

Cláudia Alegria
12 de junho de 2016, 14:00

Entusiasmado desde muito novo pelo mundo da restauração e da hotelaria, Pedro Seabra não teve grandes dúvidas quando chegou a hora de fazer opções a nível académico. Depois de ter passado três anos em Madrid, onde concluiu a licenciatura em Gestão Hote­leira no Les Roches Instituto Internacional de Administração Hoteleira, e de ter estagiado em hotéis e restaurantes em Paris, Courchevel e Marrocos, Pedro regressou a Portugal cheio de projetos e sonhos por concretizar. Começou por ajudar a mãe, Catarina Flores, na gestão do espaço da família, o restaurante italiano La Trattoria, na Rua da Artilharia 1, e, já este ano, aceitou o desafio do seu amigo de infância João Veiga para abrir o Boca Café, restaurante na Rua de São Bento que abriu as portas há apenas um mês.
Neto do empresário João Flores, atual presidente da Câ­mara de Comércio Hispano-Por­tuguesa em Madrid, Pedro Sea­bra tem a noção de que qualquer negócio ligado à restauração é sempre um risco, mas energia e vontade de arregaçar as mangas não lhe faltam, pelo que foi com um enorme otimismo e orgulho que o jovem, de 24 anos, recebeu a CARAS no seu novo espaço.
– Tirar o curso de Gestão Hoteleira foi uma sugestão da sua família ou uma vontade própria?
Pedro Seabra – Foi uma opção minha. Sempre gostei de dar atenção a todos os detalhes nos hotéis, restaurantes e cozinhas, acompanhava sempre o fun­cionamento tanto da sala como da cozinha da Trattoria, e decidi que era esta a área que gostaria de explorar.
– Costuma cozinhar para si ou para a família?
– De vez em quando, sim.
– Surpreende pela positiva os seus convidados?
– Acho que sim, gosto imenso de cozinhar!
Há algum prato que lhe peçam para fazer com alguma regularidade?
– Não, não tenho nenhuma especialidade. Gosto de inventar.
– O João Veiga é não só seu sócio como amigo de infância.
– Sim, conhecemo-nos há uns 14 anos, mas ficámos muito amigos por causa do fado. Ele sempre tocou viola [é filho do guitarrista José Lúcio e acompanha à viola alguns fadistas, como a Katia Guerreiro]e eu cantava fado, por isso começámos a juntar-nos várias vezes nas noites de fado. Ele sempre foi muito empreendedor – já abriu duas guest houses em Lisboa e tem uma marca de óculos de sol – e estava sempre a dizer-me que eu tinha de voltar para Lisboa para desenvolvermos um negócio juntos. E acabou por me convencer.
– Contou logo com o apoio da família ou houve quem chamasse a atenção para os riscos que este negócio pode implicar?
– Há sempre riscos mas, se fosse fácil, estavam cá outros. A minha mãe disse-me logo para ir em frente. O meu pai [Pedro Seabra] não achou muita graça, achava que eu devia viajar mais e continuar a ganhar experiência em hotéis, e o meu avô também resistiu um bocado, mas depois acabaram por se deixar convencer.
– Com que argumentos?
– Expliquei-lhes que me se­duzia mais a ideia de ser empresário do que de seguir uma carreira numa multinacional de hotéis. Preferia ter o meu próprio negócio e poder geri-lo à minha imagem.
– Portanto, a Catarina não tentou demover o seu filho...
Catarina Flores –
Não. Acho ótimo eles voarem sozinhos e poderem aprender com os erros e os sucessos também. Gosto que ele seja trabalhador e que se esforce. É bom vê-los assim, empenhados e dedicados. Além disso, o projeto é giro, fazia sentido nesta zona da cidade, que está a ficar animada e cheia de turistas, portanto só podia dar-lhes o meu apoio.

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