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Bárbara Taborda: “Tenho menos a nível material, mas sou muito mais feliz”

Mãe solteira, a empresária de comunicação diz estar a viver ao lado dos filhos uma história de amor intensa.

Cristiana Rodrigues
12 de junho de 2016, 12:00

Meiga, sorridente e cheia de vida. É assim Constança, de nove anos, filha mais velha de Bárbara Taborda. Entre as duas há uma troca de olhares cúmplice, uma troca de afetos. A elas veio juntar-se Benjamim, que faz um ano no dia 10 de junho. Um bebé calmo, que se ri muito e que veio alterar as rotinas das duas. Sobretudo, trocou as voltas à vida da empresária de comunicação, de 40 anos. Constança e Benjamim são filhos de pais diferentes e Bárbara, uma mãe solteira assumida, que por algumas horas nos deixou entrar no seu mundo, onde o amor fala sempre mais alto.
– O Benja­mim está quase a fazer um ano. Como está a ser este ano?
Tem sido um ano muito diferente. Inicialmente, tinha pensado ficar em casa com o Benjamim até ele ter cinco ou seis meses, mas acabei por alterar os planos. Só agora estou a trabalhar a meio tempo e tem sido uma experiência fantástica. Tenho vivido coisas que acabei por não viver com a Constança. Na altura foi tudo a correr, parece que os momentos não foram tão desfrutados. Temos vidas tão aceleradas que acabamos por não perceber o que nos vai acontecendo. Desta vez, decidi fazer tudo com mais calma e tem sido um ano sem igual.
– Viver sozinha com os seus dois filhos não tem sido duro?
Eu não sei se é duro ou não, porque não conheço outra realidade. Ainda vivi com o Tiago, pai da Constança, até ela ter quase um ano e na altura custou-me imenso a separação, foi um choque e não estava preparada para aquilo. Tinha idealizado uma família e de repente aquela famí­lia tinha-se desconstruído. Mas habituei-me a viver sozinha com a minha filha e agora com o Benjamim também. Para mim, é normal ser mãe solteira.
– Lamenta não ter conseguido manter uma família?
Hoje não lamento! Sou feliz e acho que eles são super felizes. Desde que tenham um ambiente de estabilidade à volta, as crianças vão crescer equilibradas. Há casais que vivem juntos e isso não quer dizer que vivam felizes. O Benjamim é um bebé calmo, está sempre a rir-se. A Constança é super bem formada, equilibrada, boa aluna, meiga e feliz. E se assim é, é porque este modelo de educação também resulta.
– Emocionalmente, está nu­ma fase estável?
Sim. É engraçado, nunca fui tão feliz com tão pouco. Tenho muito menos a nível material do que já tive, tenho muito menos na conta bancária, faço menos viagens, mas este ano, para mim, foi um ano de estabilidade.
– Não tem vontade de se apaixonar?
Neste momento não tenho espaço emocional para ninguém. Estou completamente absorvida pelos meus filhos e depois tenho de trabalhar e quero estar com os meus amigos, dedicar-lhes tempo. Se acontecer, será espontâneo.
– Com o passar dos anos fi­camos mais exigentes também. O que é que um homem precisará de ter para a conquistar?
Bem, tenho uma questão que tem a ver com o meu passa­do e com as relações que tive que, apesar de terem terminado, foram boas, especialmente a última. Foi boa e é difícil encontrar outra pessoa assim, estruturada.
– Está a falar do Rui Mo­reira...
Não vou referir nomes. Mas no dia em que partir para uma relação, tem de ser melhor. Tem de ser alguém que saiba adap­tar-se aos meus filhos, ao meu estilo de vida e ao meu tempo. Acho que nesta fase não vai acontecer... Bem, o melhor é não dizer mais nada, porque há uns anos também dizia que não iria ser mãe novamente e a vida trocou-me as voltas... [risos]
– E ainda bem...
Sim, já nem me imagino sem ter o Benjamim na minha vida. Os meus filhos são a única coisa que na minha vida é válida. Os filhos são para sempre. Por eles vale a pena abdicar de tudo e dar tudo por eles. Já tive situações complicadas e nessas alturas era neles que eu pensava para ultrapassar esses momentos menos bons...
– Voltando atrás: quais são as maiores dificuldades de viver sozinha com os seus filhos?
O que me custa são as noites mal dormidas. Depois aguento tudo. É uma questão de organização e disciplina. Se é cansativo? É! É muito intenso, porque posso desfrutar dos meus filhos todos os dias, mas por vezes há picos de cansaço e nessa altura acho que não vou conseguir dar mais. Depois, quando olho para eles, fazem-me acreditar que tudo vale a pena.
– No que diz respeito a tomada de decisões, decide sozinha ou partilha as preocupações com os pais dos seus filhos?
As do dia-a-dia tomo sozinha, mas tudo o que se refere à escola, atividades, saídas, pergunto sempre, até porque gosto que eles se sintam incluídos. E a nível profissional, se eu tiver de me ausentar, pergunto tanto ao Tiago como ao Bruno [pai de Benjamim] se podem ficar com os filhos, não recorro logo aos avós.
– Mas sente-se mais res­ponsável?
Sim, até ao nível profissional. A responsabilidade de sustento é diferente do que quando a partilhas com alguém. Eu tenho um peso muito superior a duas pessoas que vivem juntas e isso é um bocadinho amargo. Esta opção de trabalhar a meio tempo tomei-a a medo.
– Eles passam os fins de se­mana com os respetivos pais em simultâneo?
Sim. E quando chega o fim de semana de estarem com o pai, desligo. Não fico em sofrimento, estou completamente descansada. Não ando a telefonar a toda a hora para saber se estão bem, sei que estão. Com a Constança só falo ao domingo, o tempo que ela está com o pai é para desfrutar dele. E se precisar de alguma coisa, telefona. Em relação ao Benjamim, quando o pai vai buscá-lo ele vai sempre feliz e isso deixa-me confortável. Se eu percebesse que ele não estava bem, ele não iria, e eu preciso de tempo para mim.
– O que aproveita para fazer?
Para estar com os meus amigos, passear, beber um copo de vinho, fazer coisas completamente banais. Às vezes atiro-me para o sofá e fico a fazer zapping para repor energia. Mas ao domingo já estou cheia de saudades deles.
– Como é que eles próprios lidam com a ausência um do outro? Talvez esta pergunta seja mais para a Constança...
A Constança precisa do tempo dela. O Benjamim veio ocupar um espaço que era só dela. Ela fazia o que lhe apetecia quando queria e neste momento não é assim. O bebé ocupa muito espaço. Ainda vivemos em função dele, é a prioridade, é inevitável, acaba por limitar os movimentos dela.
– Tenta fazer programas só com a Constança?
Sim, faço. Sempre que posso passamos o dia inteiro juntas, vamos ao cinema. E ela adora. Ela ama o irmão, mas às vezes precisa da mãe só para ela [risos]. Nessas ocasiões peço aos meus pais para ficarem com o Benjamim.
– Arrepende-se de alguma decisão que tenha tomado na sua vida?
Estou grata pela vida que tenho. Sinto-me leve e a vida está a ser boa para mim.

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