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Dani: “Sempre quis uma família, sempre soube que a minha vida seria assim”

Saïdia, no nordeste de Marrocos, acolheu Daniel e Patrícia Claro com as filhas, Maria, de cinco anos, e Benedita, de um, para uma semana de descontração e convívio familiar.

Ana Oliveira
11 de junho de 2016, 14:00

Entre Daniel Carvalho – ou Dani, como ficou conhecido desde os tempos de futebolista – e Patrícia Claro, ambos de 39 anos e casados há sete, a sintonia parece fluir com toda a naturalidade: se um dá atenção a Maria, de cinco anos, o outro instantaneamente se vira para Benedita, que acabara de completar um ano quando a família fez esta viagem a Marrocos na companhia da CARAS. Foi assim a semana toda: ora averiguavam se a comida era indicada para as crianças, ora observavam se estavam devidamente protegidas do sol, já que a estada no hotel Be Live Collection, em Saïdia, proporcionou dias de praia e piscina. Quem recorda a juventude atribulada de Dani, quando tanto era notícia pela sua excecional qualidade enquanto futebolista como pela indisciplina e pela quantidade de namoradas, pergunta-se se esta é a mesma pessoa. Mas aqui não há nenhum mistério: “A idade era outra, as circunstâncias também”, reconhece o próprio, agora comentador desportivo na TVI, garantindo que este pre­sente em nada surpreenderia o Dani do passado, que sempre se projetou como um pai de família e encontrou em Patrícia, que interrompeu a atividade como relações-públicas para se dedicar a tempo inteiro às filhas, uma companheira com quem partilha todos os ideais de vida.
– Como é que nasceu esta sintonia entre vocês? Foi espon­tânea ou ‘trabalhada’?
Dani –
As coisas entre nós foram evoluindo naturalmente e os sentimentos foram crescendo à medida que nos íamos conhecendo. Não foi propriamente um amor à primeira vista, se calhar nem um nem outro estávamos à espera que as coisas acontecessem assim, mas fomos acreditando cada vez mais em nós e tudo evoluiu para o que temos hoje.
– E arrumou facilmente a vida mais atribulada que teve na juventude?
– [Risos] Eu sempre quis ter o que tenho hoje, sempre quis uma família, sempre soube que isso iria acontecer na minha vida, mas também sabia que tinha de estar preparado para isso. Há quem dê esse passo muito cedo, umas vezes corre bem e outras corre mal. Eu sabia que iria correr mal se o fizesse demasiado cedo, sempre tive essa consciência. E tive a sorte de ter em casa uma educação com valores que me levaram a pensar desta maneira.
– Os seus pais sempre o acompanharam de perto, mesmo quando jogava fora...
– Sim, estiveram sempre muito presentes, mesmo estando cá e eu lá fora. Comecei a jogar aos oito anos, aos 15 era praticamente profissional de futebol e aos 17, 18 anos, fui para fora.
– É muito cedo para gerir tudo com a devida maturidade.
– Sim, sobretudo tendo em conta as cidades para onde fui, Londres, Amesterdão... Claro que em termos humanos foi uma experiência fantástica, assim como em termos profissionais. Vivi muita coisa, conheci muita gente, muitas culturas diferentes... Isso alarga definitivamente os nossos horizontes.
– Mas por outro lado sentiu que tinha perdido uma parte da juventude.
– Sim, claro. Foi um caminho natural, porque havia uma vocação, uma apetência especial para o futebol, mas claro que perdi tudo aquilo que é normal em miúdos de oito ou dez anos: chegar a casa da escola e ir jogar à bola para a rua, ou brincar à apanhada... Desde os oito anos, quando chegava essa hora, eu ia para os treinos. E isso ficou recalcado, sempre achei que tinha perdido qualquer coisa.
– Foi talvez por isso que a certa altura teve dificuldade em lidar com a disciplina rigorosa que o desporto de alta competição implica...
– Talvez, sim, sempre tive a sensação de que houve coisas que me faltou fazer. Sempre achei, por exemplo, que teria gostado de experimentar vida universitária e desfrutar dela.
– E não pensou fazê-lo mais tarde, tirar um curso?
– Já não faria sentido. Poderia ter feito um curso, mas já não seria a mesma coisa, não faria sentido. Tal como também não faz sentido hoje, olhando para trás, ver algumas das escolhas que fiz, algumas posições que tomei. Mas era outra idade, outras circunstâncias, e na altura fazia sentido assim.
– Mas não está propriamente arrependido do seu percurso.
– Não, de todo, porque vivi coisas muito boas e foi tudo uma experiência fantástica.
– E deu-lhe o desafogo financeiro que lhe permite ter hoje uma vida confortável em família.
– Exatamente. Fiz bons investimentos, as coisas correram bem, e hoje tenho a vida que quero ter. A minha prioridade agora é a minha mulher e as minhas filhas, estar o mais possível presente na vida familiar.
– Concorda com a teoria de que os filhos podem ser um tes­te à resistência do casal?
– No nosso caso preparámo-nos, sabíamos o que aí vinha e sabíamos perfeitamente que, se não estivéssemos preparados, se não tivéssemos apoio familiar e a possibilidade de ter alguém presente que ajuda no dia-a-dia, como temos, poderia tornar-se pesado, fatigante. Mas preparámo-nos, temos uma vida tranquila, temos tempo para os dois e para os quatro. A Maria já nos acompanha em quase tudo e a ajuda que temos em casa permite-nos tempo livre. Mas o nosso foco agora é mesmo o crescimento delas.
– A Maria reagiu bem ao nascimento da irmã?
– Muito bem. Tínhamos essa preocupação, é o tipo de conversa que tínhamos muitas vezes com casais amigos, mas a verdade é que foi extraordinária a forma como ela se adaptou. A primeira coisa que faz quando chega do colégio, por exemplo, é ir ver a irmã, dar-lhe um beijinho.
– A Maria é uma criança muito enérgica e comunicativa. Reveem-se nela?
– Revemo-nos constantemente nela, tem muito de mim e muito da Patrícia. Tem esta energia, está sempre muito animada, dá-se bem com toda a gente.
– Enquanto pais, têm papéis diferentes? Há um mais permissivo, por exemplo?
– Não propriamente. A Patrícia passa mais tempo com elas, claro, sobretudo à hora das refeições, porque muitas vezes coincidem com os jogos que tenho de ver, mas quando estamos os dois, partilhamos as tarefas com naturalidade.
– E está nos vossos planos terem mais filhos?
– Não sabemos. É um assunto em aberto. Para já, queremos dar atenção à Maria e à Benedita, depois, logo veremos.
– É para dar atenção à família que não acumula outra ativi­dade profissional com a de comentador desportivo?
– Exatamente, é uma escolha minha. Há mil e uma coisas que poderia fazer, tenho convites e projetos na gaveta, mas agora quero estar o máximo tempo possível com a minha família, e eu e a Patrícia estamos em sintonia nisso. Pode parecer falta de ambição, mas é simplesmente ser honesto comigo próprio e reconhecer as minhas prioridades.
– Gosta do trabalho como comentador?
– Sim, adoro a televisão, a comunicação é fantástica, e tento ser o mais objetivo possível neste trabalho. Procuro respeitar o que aprendi no futebol e dar a minha opinião verdadeira.
– Observei que esse é um traço de carácter seu, o de ser sincero e espontâneo. Não lhe traz dissabores?
– Traz, mas prefiro assim, prefiro lidar com as consequências da frontalidade do que com a falsidade. Quero que as minhas filhas olhem para mim e vejam um bom exemplo, e acho que ser honesto, comigo e com os outros, é um bom exemplo. A vida é muito curta, temos de dizer o que sentimos e fazer o que nos deixa bem connosco próprios.

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