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Raquel Strada: “Está na altura de fazer tudo aquilo que me apetece”

Realizada tanto pessoal como profissionalmente, a apresentadora e ‘blogger’ fala do que mudou em si com o casamento.

Marta Mesquita
14 de maio de 2016, 12:00

No chariot onde estão expostos vestidos, jumpsuits e aces­sórios de griffe, os padrões e as cores arrojadas saltam à vista. Entre o ‘veste e despe’ inerente a uma produção fotográfica, Raquel Strada seleciona o que quer usar, revelando nas escolhas um sentido estético apurado e uma vontade de ousar sem comprometer a elegância. Por momentos, a apresentadora deixa de lado o seu ar de menina doce e romântica e encara a objetiva, evidenciando a segurança que os seus 33 anos e um amor feliz lhe trouxeram. Foi, precisamente, essa confiança em si própria e nos seus sonhos, que a levou a arriscar e a criar o Blue Ginger, um blogue onde vai explorar a sua paixão pela moda e pelo lifestyle. E é mesmo por aí que a nossa conversa começa.
– Este blogue é um sonho realizado?
Raquel Strada Sim. Há um ano que estava a pensar nele. Queria ter um espaço que me permitisse comunicar de outra maneira. Com o blogue, vou reunir numa só plataforma o que de melhor se faz em Portugal, e não só, na área da moda. Vou fazer entrevistas a fotógrafos, a stylists e a outras pessoas deste universo. Claro que vou dar o meu cunho pessoal, mas vou mostrar muito o trabalho das outras pessoas. E também vou falar de viagens e de outros interesses que tenho.
– A moda é uma das suas grandes paixões?
– É. Lembro-me de ver a Sofia Carvalho a apresentar a ModaLisboa e de pensar: “Adorava fazer isto.” E algum tempo depois ela convidou-me para ser a repórter da ModaLisboa, o que fiz durante seis anos. Essa experiência deixou-me fascinada pelos bastidores, porque me mostrou que a moda é muito mais do que aquilo que aparenta ser. O processo criativo dos designers, a forma como as maquilhadoras e os cabeleireiros interpretam os desejos dos criadores... são coisas que me fascinam. E está presente em tantas coisas da nossa vida... É algo que influencia muito o nosso dia-a-dia e que reflete o nosso estilo de vida. A moda não é, de todo, uma coisa fútil.
– Escolheu um nome invulgar para um blogue de moda...
– Escolhi azul, porque é uma cor que associam muito a mim. E o gengibre é um dos meus condimentos preferidos, co­mo-o às colheres! Depois, o gengibre azul existe enquanto flor, mas é das poucas cores que o não pode ter no ramo da botânica. E como quero que o blogue seja um bocadinho diferente de todos os que já existem, acho que este nome se encaixa na perfeição.
– É um projeto que lhe vai ocupar muito tempo? Quer apostar no blogue e deixar a televisão para segundo plano?
– Já pensei um bocadinho nessa gestão... Comecei a perceber que ter um blogue dá muito trabalho. Agora quero concentrar-me no blogue, mas vou tentar conciliar com a televisão. Neste momento, estou no Não Faz Sentido [programa exibido na SIC Mulher] e tenho feito ações pontuais com a SIC, o que me deixa feliz, porque sinto que o canal continua a apostar em mim. Mas tenho muita vontade de fazer coisas fora da televisão. Nós não somos uma coisa só. Estou a tentar perceber para onde a vida me leva. Neste momento, o meu foco é o blogue, porque me permite fazer coisas muito diferentes e mostrar outros interesses.
– Ao ficar mais parada em televisão, não se arrisca a ficar na ‘prateleira’?
– Não sinto que esteja a arriscar nesse sentido... Respeito imenso o trabalho das minhas colegas, mas quero fazer o meu próprio caminho. Não penso muito se estou a dar um passo à frente ou atrás na minha carreira. Só estou a seguir as oportunidades que a vida me vai dando. Queria muito escrever. Antes, era uma pessoa muito mais insegura e com medo de arriscar. Agora, se calhar por estar casada e por ter uma pessoa que me ama independentemente daquilo que eu faça, sinto mais vontade de arriscar. Perdi o medo. Se correr mal, correu, se correr bem, melhor ainda! Não quero dizer que não tentei porque tive medo. E dantes eu era muito assim. Acredito que o facto de ser polivalente só me acrescenta valor. Por isso, não encaro esta dedicação ao blogue como uma pausa na minha carreira na televisão. É mais um passo que dou e que mostra a minha versatilidade.
– Então não será um cliché assumir que o casamento a mudou, além de ter, obviamente, alterado a sua vida...
– Sim, o casamento mudou-me. Nem sequer foi o casamento, foi o meu marido [o empresário Joa­quim Fernandes]. Mudei na altura em que percebi que gostava do meu marido como gosto. O amor muda as pessoas. Ter amor e saú­de são as coisas mais importantes da vida. A partir daí, tudo se faz. E está na altura de fazer tudo aquilo que me apetece. Tenho de aproveitar enquanto tenho força e energia para isso.
– O segredo da vossa felicidade reside mais nas cumplicidades ou nas diferenças?
– Gostamos de fazer as mesmas coisas, o que é importante. Gostamos de ter tempo para ler, para termos o nosso espaço... Mas depois temos gostos muito diferentes, como por exemplo no que diz respeito a cinema. E eu não gosto de cozinhar e ele cozinha. Ele não gosta de arrumar, eu gosto. Ele é muito organizado com as contas, é um ótimo gestor, e eu sou uma despistada! Acima de tudo, temos o coração no mesmo sítio, e isso é o mais importante.
– A Raquel divide-se entre Lisboa, onde trabalha, e o Porto, onde o seu marido está. Tem sido fácil andar sempre cá e lá?
– Às vezes preciso de parar, mas sinto-me bem. Acho que tenho uma vida ótima, estou bem e feliz. Ando para cima e para baixo, mas sempre andei a correr e não sei viver de outra maneira. Neste momento, está fora de questão ficarmos numa só cidade. Mas agora, com o blogue, até posso passar muito mais tempo no Porto.
– Está, portanto, numa boa fase da sua vida...
– Sim, estou numa ótima fase. Sou uma mulher realizada, feliz e contente com aquilo que tem. Sou uma pessoa muito mais tranquila, é muito mais difícil chatear-me com alguma coisa. E sei exatamente aquilo que quero. Em televisão, gostava de fazer um programa em primetime, mas nem sequer fico preocupada com isso. Se acontecer, acontece...
– E sente que já chegou a hora de ser mãe?
– Ainda não, de todo. Ainda não estou preparada para ser mãe. Não me sinto preparada para cuidar de alguém para além de mim, do meu marido e da minha família. E um bebé depende totalmente da mãe. O meu marido e eu estamos muito em sintonia nesse ponto. Mas se engravidasse, não seria um problema.
Agradecemos a colaboração de Carolina Herrera, H&M, Hotel Convento do Salvador, Nude Fashion Store e Loja das Meias.

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