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Pais pela segunda vez, Elsa Correia e Tiago Nunes apresentam o filho, Miguel

Amantes da natureza, os manequins e os filhos, Alice, de cinco anos, e Miguel, de dez meses, desfrutaram de um dia no campo na Herdade do Moinho Novo, no Montijo.

Marta Mesquita
14 de maio de 2016, 10:00

Diz-se que com o nascimento do segundo filho os pais se tornam mais pragmáticos e aprendem a descomplicar. Contudo, nem sempre é assim, como Elsa Correia, de 39 anos, e Tiago Nunes, de 42, comprovam. Pais de Alice, de cinco anos, e de Miguel, de dez meses, os manequins [Tiago é também empresário] asseguram que a rotina e a ansiedade – mas também a alegria e o entusiasmo – são exatamente os mesmos, seja o primeiro ou o segundo filho. Assumidamente ‘mãe-galinha’, Elsa cumpre à risca as regras: não atrasa as horas das refeições nem ultrapassa um milímetro na dose de leite recomendada. Mas é sem complexos que o assume, conseguindo até rir-se deste seu lado um pouco obsessivo. Mais descontraído, Tiago complementa e equilibra a manequim, revelando-se um companheiro à altura desta aventura que agora se vive a quatro.
– A vida volta a mudar com o nascimento do segundo filho?
Elsa Correia – Sim, mudou um bocadinho [risos]! A logística de ter dois filhos é completamente diferente. Tudo fica mais complicado.
Tiago Nunes – Com um bebé temos obrigatoriamente outras rotinas. Estamos mais limitados... Jantar fora, ir ao cinema ou passar um fim de semana fora é muito mais complicado.
– Mas há aquela ideia de que num segundo filho a questão da logística e da própria adaptação dos pais é muito mais fácil...
Elsa – Para mim não foi mais fácil! Voltei a sentir as mesmas inseguranças. Claro que já sei ao que vou e as noites mal dormidas, por exemplo, já não me assustam nem são uma novidade. Estamos mais preparados, mas não deixa de ser duro. Sou uma mãe muito preocupada e não vivo esta experiência da maternidade de ânimo leve.
Tiago – As rotinas que um bebé exige são sempre as mesmas, mas confesso que já me tinha esquecido quão duro é ter um bebé [risos]! Também somos mais velhos, o que não facilita.
Elsa – O facto de ser um menino torna as coisas diferentes. Há uma ligação nova e isso também muda muita coisa.
– A experiência não vos trouxe mais segurança?
Tiago – Se calhar há pais que são mais seguros na forma como lidam com um filho... Mas no nosso caso nem é uma questão de nos sentirmos mais ou menos seguros. O que é mesmo mais complicado é lidarmos com as rotinas que um bebé impõe.
Elsa – Traz mais segurança, mas o meu sentimento é exatamente o mesmo. Estou sempre preocupada com ele. Sou uma ‘mãe-galinha’.
– E no meio dessa rotina há espaço para os vossos outros papéis? Ou, neste momento, não há tempo para mais nada?
Tiago – Há sempre tempo e espaço para outras atividades. As coisas têm de ser feitas e mesmo que não saibamos onde vamos buscar energias, a verdade é que conseguimos fazer tudo o resto.
Elsa – E temos muito apoio. Tanto a minha mãe como a mãe do Tiago nos ajudam. E naqueles momentos em que precisamos de respirar, podemos contar com elas. De vez em quando conseguimos ter os nossos momentos a dois. Claro que nunca vou relaxada, mas sei que é importante desfrutarmos dessas pausas.
– Nos primeiros anos da Alice, a Elsa dedicou-se quase em exclusivo à maternidade. Quer repetir a experiência?
– Sim, quero. Desde que a Alice nasceu deixei praticamente de trabalhar lá fora. E agora, com dois, ainda fica mais difícil. Não quer dizer que não me ausente por um ou dois dias, mas não mais do que isso. Trabalho cá, mas nem sequer é todos os dias. Portanto, dá perfeitamente para ser mãe a tempo inteiro. É bom ter esta possibilidade, porque assim posso desfrutar muito mais da maternidade. Não consigo estar muito tempo sem eles. Antes, passava dois ou três meses lá fora, mas não lamento nada esta mudança. Estive 15 anos a viajar e vivi tudo na altura certa. Quando optei por ser mãe já sabia o que iria implicar.
Tiago – Eu estava a aventurar-me em novos projetos profissio­nais e acabei por adiar esse passo para também dar prioridade à família. Estava a apostar na área do mergulho e teria de trabalhar aos fins de semana, o que, neste momento, não é compatível com as nossas obrigações familiares. Mas tenho conseguido organizar-me.
– A Alice foi filha única durante quatro anos. Foi fácil adaptar-se à chegada do irmão?
Elsa – Sim, muito fácil. A Alice é que pedia um irmão. Ela ficou muito feliz. Foi um bebé muito desejado pelos três. Ela adora o mano e só lhe quer dar beijos e abraçá-lo.
– A Elsa disse que o facto de agora ter um menino torna a experiência diferente. Em que é que nota essas diferenças?
– Estou a amar ser mãe de um rapaz. Há uma ligação muito especial que não se consegue explicar. Claro que o amor é exatamente o mesmo, mas é uma experiência diferente. O Miguel é um bebé feliz. Está sempre a rir, ao contrário da Alice. Ela chorava muito. Foi muito mais complicado. Ele raramente chora, só quando tem fome! É ótimo termos as duas experiências. Queria muito ser mãe de uma menina e de um menino.
Tiago – Nisso também noto diferenças. Não é mais nem menos do que a irmã, mas o mimo e o afeto são transmitidos de uma maneira diferente. Não sei explicar muito bem, mas é aquilo que sinto. A Alice é muito mais independente, o Miguel é mais mimado. O que tentamos fazer é perceber como eles são e, de alguma maneira, ir ao encontro disso. Respeitamos as suas próprias características. Tem sido uma experiência engraçada.
– E ainda há vontade de ter um terceiro filho?
– Vontade até pode haver, não há é coragem [risos]!
Elsa – Se tivesse sido mãe mais nova, talvez arriscasse. Mas agora penso que não. Ficamos por aqui. Também já começamos a querer que eles cresçam para conseguirmos ter mais algum tempo para nós. E mais um filho implicaria voltar às mesmas rotinas.

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