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Andréa Schaefer: “O Tomás e a Pilar ajudaram-me a ser uma pessoa melhor”

A autora do ‘blog’ Mini-Mi abre as portas de sua casa e posa com os dois filhos, Tomás, de seis anos, e Pilar, de três.

CARAS
1 de maio de 2016, 10:00

Entrar em casa de Andréa Schaefer dá a sensação de entrar num espaço de sonho. Ocupando três andares, sobressaem as obras de arte, bem como a vista sobre o rio Tejo, que assoma ao fundo de cada janela. Mas desengane-se quem acha que esta é uma casa-museu, pois está vibrante de vida e alegria, muito por culpa de Tomás, de seis anos, e de Pilar, de três, que ali vivem com a mãe e o pai, empresário. Cúmplices, não negam um abraço ou um carinho um ao outro, mas, como todos os irmãos, também não fazem cerimónia na hora de lutar pela atenção alheia. Foram eles, obvia­mente, as estrelas desta sessão fotográfica, e entre uma corrida e uma história, fizeram as da equipa da CARAS. Na mãe têm uma cúmplice de brincadeiras e mimos.
Formada em Publicidade e Relações-Públicas, Andréa nunca chegou a exercer trabalho nessa área concreta e dedicou a sua carreira à Consultoria de Imagem e Personal Branding. Há cerca de um ano criou o blog Mini-Mi como plataforma de apoio ao seu projeto atual: a Mini-Mi Fashion Week, que acontece já a 8, 9 e 10 de abril.
– Como é que surgiu a vontade de criar o blog?
Andréa Schaefer – Estamos a trabalhar na Mini-Mi Fashion Week há cerca de um ano e achámos que fazia sentido criar um site estático para o projeto, foi assim que surgiu o blog. Como tenho crianças pequenas, elas aparecem de vez em quando, mas o objetivo é que seja uma plataforma de lançamento de marcas e coleções para crianças até aos 16 anos. E, daqui a uns anos, quando os meus filhos já forem mais velhos, o blog vai continuar a lançar essas tendências como se fosse um magazine online para todas as mães. Não quero que seja só direcionado para as mães mais clássicas ou para as mães mais alternativas. Quero ser abrangente e mostrar que se pode ir mais além e apostar em coisas que não são tão evidentes. Adoro fazer o blog e espero que seja um espaço para todas as mães, que oferece alternativas de moda, design e lifestyle.
– Uma das vantagens deste projeto é permitir-lhe ter mais tempo para os seus filhos?
– Quando a Pilar nasceu, senti necessidade de ficar em casa com ela até aos nove meses. E o que é bom para mim, neste projeto, é poder trabalhar com os meus filhos. Aqui podemos ver a coisa de duas formas: há quem possa pensar que estou a usar os meus filhos para promover as coisas, mas, para mim, o bom é ter mais tempo com eles, porque estou a fazer um trabalho em que os posso envolver. E isso dá-me um gozo enorme, porque sei que há determinados pontos que escrevo no blog que vou poder recordar quando já não me lembrar tão bem de certas coisas. E acaba por ser uma ferramenta que os meus filhos vão poder usar. Mas respeito sempre muito os dois. Se eles não querem tirar fotografias, eu não exijo, gosto de tirar fotos naturais, tem que ser uma coisa que seja divertida para eles.
– Ser mãe deu-lhe essa perspetiva das coisas?
– Essencialmente, ser mãe fez de mim uma pessoa melhor. Quer o Tomás quer a Pilar me ajudaram a ser uma pessoa melhor. Sempre gostei muito de crianças e desde os 18 anos que quero ser mãe. Por mim, teria tido logo um filho aos 18 anos. Sempre pensei que, ou era aos 18, ou era aos 40, tipo a Madonna.
– De facto, no seu blog diz que foi uma “mãe já madura”...
– Sim, porque fui mãe pela primeira vez aos 38 anos. Há outra maturidade, já vivemos uma série de experiências que não temos necessidade de voltar a viver. E foi essa maturidade que me permitiu dedicar-me aos meus filhos – não estou a dizer que com outras mães seja igual, esta é a minha experiência. Prefiro ficar em casa com os meus filhos do que ir jantar fora, porque já fiz tantas coisas, já vivi tanto, já via­jei tanto, que agora apetece-me é estar com eles e aproveitar ao máximo esta idade. Daqui a uns anos eles vão criar asas e voar, por isso tenho que aproveitar o mais que conseguir.
– E essas decisões são tomadas com absoluta tranqui­lidade, calculo...
– Sim, totalmente. Não me causam angústia nenhuma. Pelo contrário, sinto angústia quando começo a ter pouco tempo para estar com eles.
– Tem aprendido muito com os seus filhos?
– Tenho. Muito mesmo. Prin­cipalmente porque somos um exemplo para eles e temos que ter atenção a tudo o que fazemos e dizemos, porque eles absorvem tudo o que veem. Claro que isto não é tudo cor-de-rosa, mas tenho aprendido muito, tem sido uma aprendizagem mútua. Temos imenso a aprender com as crianças.
– É curioso que diga que não é tudo cor-de-rosa, porque hoje em dia há uma vaga de blogs relacionados com a maternidade que passam uma imagem imaculada sobre estes assuntos.
– É verdade, parece que está sempre tudo muito certinho. Mas vou dizer-lhe, nunca é assim! Por mais que uma criança seja uma santinha... Ser mãe é um ato tão bonito, mas que exige tanto de nós, que, por mais cor-de-rosa ou quieta que a criança seja, só o facto de termos de acordar de três em três horas durante três meses, mudar fraldas e não fazer sonos contínuos é profundamente desgastante. Aquela ideia que as pessoas têm, e que eu também tinha, que ter filhos é aquela coisa romântica de estar no sofá, a amamentar, não existe. Mas tudo vale a pena. O balanço é sempre positivo. Por isso é que voltamos a repetir, porque acreditamos que é tudo uma maravilha e adoramos aquele cheirinho a bebé, os sons que fazem... Há coisas maravilhosas que são impagáveis. Ser mãe, ter um filho, é uma dádiva.
– A sua experiência da maternidade foi muito diferente entre um filho e outro?
– Foi, porque parece-me que há uma maior insegurança no primeiro filho e há uma tendência para o protegermos um bocadinho mais. No segundo, estamos mais sossegadas, há uma descontração maior, porque temos mais expe­riência. Foi essa a grande diferença que senti entre um e outro.
– Nesse sentido, desfrutou mais do nascimento da Pilar?
– Vou ser franca: acho que desfrutei dos dois. Talvez tenha vivido a Pilar com mais calma. Com o Tomás estava sempre preocupada, se estava a respirar, se estava tudo bem, e com ela não. E depois é aquela coisa do apego: sentimos pela primeira vez um ser que é nosso e nunca passámos por algo semelhante. Se ele chorar demasiado, vem logo a dúvida se estamos a fazer alguma coisa errada.
– Mas não deixa de ser uma mãe descontraída...
– Sim, sou uma mãe descontraída. Acho que se as crianças em África deixam cair uma coisa para o chão e depois põem na boca, porque é que os nossos não o podem fazer?! Não sou nada de esterilizar as coisas. Sou flexível. Se não dá para comer na mesa hoje, comemos aqui no sofá... Acho que é a minha parte brasileira, mais leve. Sou muito descontraída.
– A Andréa viveu no Brasil durante dez anos...
– Sim, dos cinco aos 15 anos. Sou portuguesa, mas o meu pai é brasileiro, do sul do Brasil. Veio para cá estudar e apaixonou-se pela minha mãe. O objetivo era tirar o curso de Medicina e voltar para o Brasil, e foi isso que aconteceu. E o facto de ter ido viver para o Brasil foi ótimo, porque foi o meu primeiro contacto com outro mundo para além da Europa. Mas quando voltámos foi duro, foi complicado. Voltámos para um Portugal cinzento e o Brasil é cheio de cor, é um país onde a vida é mais leve.
– E é nessa vida mais leve que quer que os seus filhos cresçam?
– Sim. Não os protejo dema­siado, mas o meu olho está sempre lá. Deixo-os explorar para ver se começam a ter asas, porque o maior resultado que eu posso ter enquanto mãe é ver os meus filhos voarem. No dia em que os vir voar, vou ter a certeza de que fiz um bom trabalho.
– E gostava de ter mais filhos?
– Gostava, mas acho que já não tenho muita idade para isso. Estou com 43 anos... Tenho uma grande vontade e vou dizer-lhe qual é: gostava de ter um terceiro filho adotado. Adorava, mas isto tem que ser um projeto a dois. E, na verdade, é uma vontade minha, portanto, não sei... Pode ser que um dia ainda a venha a concretizar, nem que seja sob a forma de família de acolhimento. É uma ideia que me passa bastante pela cabeça.

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