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Iva Domingues: “Sou uma mulher bem resolvida e vivo exatamente como quero”

A apresentadora da TVI e companheira do ator Ângelo Rodrigues explicou à CARAS como lida com sucessos, fracassos e fragilidades.

Marta Mesquita
30 de abril de 2016, 12:00

Iva Domingues diz o que pensa e vive como o coração lhe manda. Fiel a si própria e aos seus valores, aprendeu a desvalorizar críticas vazias, asseguran­do-se de que a confiança em si mesma é a sua bússola. Continua a ter muitos sonhos, mas não deixa que estes lhe roubem a tranquilidade que os 39 anos lhe trouxeram. Apesar de ser muito independente e de ter cara de ‘durona’, é nos afetos que a apresentadora encontra o seu porto de abrigo, nomeadamente no companheiro, o ator Ângelo Rodrigues, de 28 anos, e na filha, Carolina, de 13. Iva é tudo isto e mais ainda, e é pelas suas próprias palavras que se pode conhecer melhor esta mulher que aprendeu a ser feliz em todas as oportunidades que a vida lhe dá.
– São 16 anos de apresentação. Ainda há muita coisa por fazer?
Iva Domingues – Ainda me falta fazer tudo! Contudo, faço um balanço positivo da minha carreira, porque continuo cá depois de 16 anos. Mas o ser humano é um eterno insatisfeito e eu sou ainda mais [risos]!
– É a sua maior crítica?
– Sim. O facto de ser uma eterna insatisfeita provoca-me alguma frustração, mas é também o que me leva a arriscar e a tentar fazer melhor.
– E consegue libertar-se facilmente das coisas que não lhe correm tão bem?
– Já consigo, isso é algo que vem com a idade, que nos traz serenidade e discernimento. Basicamente, aceito as coisas como elas são e tiro muito partido do que me acontece de bom. Sou a soma dos meus sucessos e dos meus fracassos e, na verdade, aprende-se muito mais com os fracassos.
– Parece ter uma noção muito clara da mulher que é...
– Sim. Sou muito expansiva, mas quando recolhida, ou seja, quando estou em casa, rodeada dos meus. Aí sou muito divertida, brinco bastante. Sou companheira dos meus colegas de trabalho e hoje já sou mais descentrada. No início da minha carreira, estava muito centrada em mim e no meu trabalho, até porque era mais insegura. Agora, dou-me muito com as equipas e tento estar atenta às pessoas. E isto aprende-se com a vida.
– Mesmo tendo esse distanciamento, não deve ser fácil ver a sua conduta profissional e até pessoal ser criticada, como já aconteceu...
– Hoje, lido lindamente com essas críticas. Ninguém o faz cara a cara, é sobretudo através das redes sociais... As pessoas acham que podem ter opinião sobre tudo. E podem! Mas quando não se conhece a realidade sobre a qual se está a opinar, sai asneira. Cada um pode dizer as baboseiras que quiser, não me afeta nada. Sou uma mulher bem resolvida e vivo exatamente como quero.
– Mesmo sendo bem resolvida, há alguma coisa que mudaria em si?
– Sim... Às vezes não sou muito tolerante nem paciente com a ignorância. Não tenho paciência para quem não pensa, para preguiçosos... A minha filha é muito mais nova e é bem mais paciente do que eu. Há coisas que a idade não muda... A preguiça mental é algo que me tira do sério. Em contrapartida, gosto do meu lado tenaz. Sou uma resistente. Tenho um espírito combativo que me leva a trilhar o meu caminho com paciência.
– Por falar da Carolina. Está a ser uma boa experiência ser mãe de uma adolescente?
– Tenho muita sorte, porque a Caro­lina é uma menina muito especial: é doce, inteligente, sensível, focada e muito companheira. Tem um mundo próprio muito rico. Ela é um ser humano muito interessante. Não poderia querer mais de uma filha. Para mim, ela é um ser iluminado.
– Vai fazer 40 anos. A idade é, de alguma maneira, um peso?
– Sim, a idade também pesa... O corpo já não reage como eu gostaria... Agora, em tudo o resto, a idade não me pesa nada, porque me tem trazido coisas boas: serenidade, distanciamento para anali­sar melhor o que me acontece... Todas as idades têm coisas boas e menos boas. E eu quero envelhecer bem.
– E para isso tem cuidado com a ali­mentação e pratica muito desporto...
– Sim, não consigo viver sem desporto. Se não praticar exercício, começo a ficar rabugenta e insuportável. E, claro, nós somos o que comemos. Tenho uma alimentação muito regrada: não faço asneiras durante a semana, não como hidratos de carbono à noite, bebo quase sempre água, não fumo, não como fritos, não gosto de bolos... E comer assim não é um esforço para mim.
– O desporto é uma das paixões que partilha com o Ângelo. Os gostos em comum são um dos segredos do vosso namoro, que já dura há mais de cinco anos?
– Acho que o nosso segredo é mesmo o amor que sentimos um pelo outro. E o amor não se explica. Depois, o facto de nos respeitarmos como indivíduos e de nos aceitarmos tal como somos, sem querermos moldar o outro, também é muito raro. Mas é assim que funcionamos. É muito bom quando podemos ser nós próprios numa relação, sem termos de fazer demasiadas concessões. Claro que há sempre pequenas cedências... Mas entre nós há confiança e uma genuína aceitação do outro tal como ele é. Além disso, somos muito amigos.
– Pensa em voltar a ser mãe? A idade exerce alguma pressão nesse sentido?
– Não sinto pressão. Voltar a ser mãe é algo que não ponho de lado, mas não penso nisso. As coisas acontecem na altura certa.
– O que a levou a dar a cara pela asso­ciação Capazes?
– Sou feminista desde que me conheço. Ainda nem sabia usar a palavra e já o era. Depois, com o meu crescimento enquanto mulher, mãe e profissional, fui-me apercebendo da clara desigualdade que ainda há nas oportunidades e nos direitos entre homens e mulheres. E a Rita [Ferro Rodrigues] e eu achámos que tínhamos de dar o nosso contributo para sensibilizar a sociedade civil para a questão da igualdade de género.

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