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Ana Moura: "Tenho as emoções à flor da pele"

Aos 36 anos, é um dos talentos nacionais com maior projeção além-fronteiras. ‘Moura’, é já disco de platina.

Sandra Cáceres Monteiro
30 de abril de 2016, 16:00

Numa conversa franca, de alma aberta, descobrimos que por detrás do mito Ana Moura se esconde uma mulher simples, de uma timidez desconcertante, provavelmente das poucas portuguesas que têm no seu leque de amizades estrelas internacionais como Prince (esta entrevista foi feita cerca de três semanas antes da morte do músico norte-americano, no dia 21 de abril, aos 57 anos) ou Mick Jagger. Mas apesar da dimensão da sua carreira, Ana Moura está longe de ter tiques de vedeta. O que a fadista mais gosta é do sossego do jardim de sua casa e de observar os seus gatos a brincar horas a fio. E, como grande parte do comum dos mortais, constituir família é o seu grande sonho.
– Acaba de lançar um álbum que já é disco de platina e arrasta multidões por esse mundo fora. Alguma vez pensou que esta poderia vir a ser a sua vida?
Ana Moura – Sempre senti que, de alguma forma, o meu futuro seria a cantar. Mas isto da maneira mais ingénua possível... Na minha cabeça, cada pessoa nascia com um dom e este, simplesmente, era o meu! Mas nunca consegui fazer quaisquer projeções. Achava, sim, que poderia viver desta forma, a fazer o que mais gosto.
– Como é que uma pessoa que se diz tímida lida com uma exposição pública desta dimensão?
– Ao longo da minha carreira tenho-me cruzado com pessoas que são planetariamente conhecidas e que são extremamente tímidas. Fui aprendendo a lidar com esta minha característica de forma pacífica... Obviamente que no início foi mais complicado! Era muito miúda quando comecei a cantar em casas de fado e não conseguia olhar diretamente para as pessoas. Com o passar dos anos fui ganhando segurança... Mas a timidez está também muito presente na minha personalidade musical. Isso transparece na forma como estou em palco. Sempre adorei cantoras que eram menos performers e muito mais interiores e profundas, como a Nina Simone, por exemplo. Um artista tem de cantar com a alma e não existem duas almas iguais.
– O Prince e o Mick Jagger continuam a fazer parte do seu leque de amizades?
– Sim, continuamos amigos. Ainda há duas semanas estive no estúdio do Prince, que é também a casa dele. Da última vez que o Mick Jagger veio cá também estivemos juntos. Levei-o a passear ao Guincho, a conhecer a Quinta da Regaleira e jantámos num restaurante bem típico em Lisboa.
Dia de folga foi o primeiro single deste álbum. O que é que costuma fazer nos seus dias de folga?
– Os meus dias de folga são muito raros! Tento descansar, gosto de fazer caminhadas pela natureza. Adoro animais e sou capaz de ficar horas a fio a observar os meus dois gatos a brincar.
Disse numa entrevista recente à plataforma Capazes que “nunca estou nas fotografias dos momentos mais importantes da família”. Este é o reverso da medalha de uma vida itinerante?
– São escolhas que fiz! Claro que sinto pena de não estar presente em alguns momentos familiares importantes, mas estou noutros! Ando sempre a saltitar de um lado para o outro, há três anos e meio que não tenho férias!
– Com tanta entrega à Ana fadista, o que é que sobra da Ana mulher?
– Houve uma altura em que andava sempre nessa procura, mas cheguei à conclusão de que era impossível fazer essa distinção. Tenho dedicado a minha vida à música e essa sou eu. É a minha essência. A música é fundamental para mim, funciona como terapia.
– Deve ser também complicado manter uma relação amorosa...
– Sim, é complicado, mas lá se vai fazendo por isso [risos].
– O que é que um homem precisa de ter para a conquistar?
– Já tive relacionamentos com pessoas tão diferentes que não há um padrão, um homem-tipo. A vida está em constante mudança e estamos sempre a aprender coisas novas, a mudar opiniões que pensávamos ter para sempre... Não consigo dizer que um homem para mim tem de ter esta ou aquela característica, é todo um conjunto, depende das circunstâncias...
– Neste momento está solteira ou comprometida?
– Ai, ai... Como é que eu vou responder a isto?! Posso dizer que estou bem, numa fase de descoberta [risos].
– Admitiu, na mesma entrevista, “quero muito ser mãe, mas acho sempre que ainda não é a altura
certa”. Continua a não ser a altura certa?
– Continuo a não me sentir preparada. Mas se calhar nunca vou estar, não é? Já percebi que não pode ser uma coisa programada, não vou pensar muito nisso nem fazer planos.
– E não tem receio de que o tempo vá passando e que o momento nunca chegue?
– Penso, claro, sobretudo à medida que a idade vai avançando. Mas tenho sorte, porque tenho uma mãe incrível e tenho a certeza de que ela me vai dar bastante apoio. Não posso sujeitar um bebé pequeno a viagens constantes, mas um dia, quando for mãe, gostava de levar o meu filho comigo para a estrada, pelo menos até entrar na escola primária. Acho muito importante essa interação com outras culturas desde pequenino.
– É de gargalhada fácil?
– Sou, gosto imenso de me rir. Por outro lado, também sou de lágrima fácil. Sou muito emotiva!
– Qual é a sua maior fragilidade?
– Precisamente essa emotividade excessiva. Tenho os sentimentos à flor da pele e quando me acontece alguma coisa menos boa, vou-me muito abaixo! Mas com o passar do tempo tenho aprendido a lidar com isso.
– Como imagina a sua vida daqui a dez anos?
– Gostava de continuar a cantar, a fazer as minhas viagens, mas já com a minha família, os meus filhos [risos].

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