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Regina Duarte: “É difícil impor limites a uma profissão tão apaixonante”

Seis meses depois da sua última visita a Portugal, a atriz, de 69 anos, está de regresso com a peça “Bem-Vindo, Estranho”, que esgotou salas de teatro no Brasil durante mais de um ano e meio.

CARAS
16 de abril de 2016, 16:00

Por cá, estamos habituados à sua presença no pequeno ecrã desde, por exemplo, a telenovela Roque Santeiro, onde interpretou a viúva Porcina, e embora já tenham passado mais de 50 anos desde que deu os primeiros passos na representação, garante que continua a mesma pessoa que era, com medos e inseguranças. Seis meses depois da última visita ao nosso país, Regina Duarte, de 69 anos, vem a Portugal apresentar o seu mais recente trabalho, Bem-Vindo, Estranho, uma peça que estreia dia 31 de março no Teatro Tivoli e ficará em cena até 17 de abril, na qual a atriz contracena com Mariana Loureiro e Kiko Bertholini.
– Qual é a primeira coisa que gosta de fazer quando chega a Portugal?
Regina Duarte –
Gosto de visitar as livrarias. Sou uma apaixonada por livros, sessões de livros para crianças, sessões de poesia e literatura.
– Não se perde com a gas­tronomia portuguesa?
Claro! [risos] Gosto muito. Quero encontrar um restaurante para comer um bom bacalhau à Brás. Desta vez vou ter mais cuidado, as últimas vezes que cá estive ganhei peso [risos].
E do Brasil fizeram-lhe alguma encomenda?
Fazem sempre [risos]. Pe­dem-me que leve um bom vinho, bacalhau e pastéis de Belém.
– Estas visitas são sempre em trabalho ou também vem em férias?
Quando planeio uma viagem pela Europa, é indispensável parar aqui. É a minha língua, a minha gente! Sinto-me em casa. Aqui todos me recebem de braços abertos e isso faz-me bem. É como se estivesse em família.
Consegue passar despercebida?
Se eu não sorrir e não falar, ninguém me reconhece [risos]. Às vezes fico impressionada. As pessoas passam de carro em alta velocidade e conseguem perceber que sou eu! É muito bom.
– Os fãs portugueses são di­ferentes dos brasileiros?
Mais efusivos e calorosos! Acho que talvez porque a oportunidade de me ver é mais rara. São todos carinhosos. As senhoras abraçam-me com força, com abraços verdadeiros.
– Vai cá estar dois meses. Tem planos para os tempos livres?
Quero ver outros espetáculos, perceber o que se está a fazer aqui no teatro. Gosto muito do teatro português, admiro esta cria­tividade. Vou aproveitar para ler, porque aqui vou ter mais tempo.
– Estando desde o início da carreira dedicada a múltiplos projetos, sempre conseguiu conciliar a vida profissional com a pessoal?
A minha profissão é tão apaixonante que tenho dificuldade em impor limites [risos]. Mas estou a aprender a fazê-lo.
E tem tempo para os seus seis netos? Que tipo de avó é?
Sou uma avó que tem menos disponibilidade em termos de tempo, mas mais intensidade na relação.
Como é que lida com o afastamento da sua família?
Tem de haver um planeamento. São momentos difíceis, mas todos nós sabemos que se está a construir algo melhor. As relações fortalecem-se com estas ausências.
Quando aceita um projeto, pondera a decisão tendo em conta o tempo familiar que pode roubar-lhe?
Vou tentando desdobrar-me para fazer tudo! A paixão pelo que faço domina-me.
Em 50 anos de carreira, o encanto pela representação nunca esmoreceu?
Tive momentos de frustração, de não conseguir fazer as coisas como queria, de não fazer as personagens que queria, de não ter aproveitado melhor algumas oportunidades. É comum, mas fui aprendendo a lidar com isso e a passar por cima. Eu tenho dez projetos que gostaria de ver realizados e tenho oferecido aos produtores e diretores e nenhum tem sido aceite.
Quer então apostar noutra área da representação?
– Estou a trabalhar nisso, para fazer uma proposta irrecusável para os produtores e quero ocupar-me muito mais com a direção de atores, de televisão, cinema e teatro.
Vai apostar nos seus projetos em Portugal?
Gostaria de propor uma oficina de atores se algum produtor estivesse interessado! Durante uma semana, em Lisboa, por exemplo. Adoraria fazer um trabalho desses.
Com tanta experiência, ainda há inseguranças?
Sempre! [risos] Cada tra­balho é uma página em branco. As experiências anteriores servem em momentos cruciais mas se não queremos ser repe­titivos, temos de recomeçar do zero.
Quando trabalha com jovens atores, tenta esconder essas inseguranças?
Depressa percebem que, como eles, tenho as minhas inseguranças, as minhas dificuldades e que juntos vamos descobrir os caminhos.

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