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Catarina Furtado garante: “Não estou vacinada contra a dor”

A apresentadora conversou com a CARAS sobre a missão da sua vida: tornar o mundo um lugar melhor.

Marta Mesquita
16 de abril de 2016, 14:00

O dia começa cedo para Catarina Furtado. Elegan­temente vestida com um modelo preto e branco que evidencia a sua excelente forma física, e com o seu sorriso generoso, a apresentadora não desilude quem a aguarda na conferência de apresentação do programa de sustentabilidade da Nespresso, The Positive Cup. Disponível e simpática, Catarina não nega uma fotografia ou dois dedos de conversa a quem a aborda, provando que os seus mais de 25 anos de carreira não lhe trouxeram tiques de vedetismo nem tão-pouco entorpeceram esta sua qualidade de se fazer próxima.
Numa manhã em que se ficou a conhecer os meandros da origem do café e as ações sustentáveis – ambientais e sociais – que a marca implanta no terreno, a apresentadora e atriz foi levada a revisitar algumas das suas memórias, sobretudo as que tem construído como Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA). E é mesmo por aí, pelo seu empenho em tornar o mundo um lugar melhor, que a nossa conversa começa.
– Hoje, a Catarina ‘voltou’, por momentos, a alguns dos locais que já visitou. Estar no terreno faz mesmo toda a diferença, não faz?
Catarina Furtado
– Sim, faz toda a diferença. Este convite para moderar a conferência deixou-me muito honrada, porque ficámos a conhecer um programa de sustentabilidade que pretende deixar a sua marca positiva no mundo, quer a nível social, quer ambiental, e isto tem tudo que ver com o meu trabalho. Não há aqui um lado de caridade. Há, sim, uma grande vontade de dar dignidade aos trabalhadores e a todo o processo que envolve a produção de café. É também uma maneira muito concreta de reduzir a pobreza nestes países. Há uma preocupação da Nespresso em fazer o que está certo, não pensando apenas na produtividade.
– Mas, em muitos casos, fazer o bem e aquilo que está certo é muito mais difícil, sendo necessário ir contra a corrente...
– Para mim, fazer o bem é sentir que estou a contribuir para ficarmos mais ligados uns aos outros. O mundo está cada vez mais umbiguista, as pessoas têm medo de perder os seus empregos e as suas condições de vida... Mas dá muito menos trabalho fazer aquilo que está correto. O que dá trabalho é afastar as pessoas que não têm essa disponibilidade para fazer o bem e para trabalhar em conjunto. Não sou um exemplo, só faço a minha parte. Numa das últimas crónicas que escrevi para a Visão partilhei uma pequena história que faz todo o sentido. Há um grande incêndio na selva e um passarinho vai, com o seu bico, buscar água ao rio para pôr em cima do fogo. Entretanto, chega o elefante, que apesar de ter uma grande tromba, não está a fazer nada, e pergunta ao passa­rinho: “O que estás fazer?” E ele responde: “Só estou a fazer a minha parte.” É uma metáfora, mas é assim que vejo as coisas.
– Recentemente, disse-nos: “Não aguentava ter uma carreira como a que tenho centrada apenas em mim.” Os seus papéis de embaixadora da UNFPA e o de presidente da Corações com Coroa são um bom antídoto para não deixar o ego se insuflar?
– É capaz de ser, mas não é consciente. O meio em que me movo, sobretudo o televisivo, é muito construído com base na personalidade da pessoa. Gosto muito do que faço, trabalho afincadamente para ter o que tenho e sinto-me uma privilegiada, mas, acima de tudo, sou uma cidadã preocupada em defender os meus direitos e os daqueles que não têm voz. Sou mulher, mãe e uma defensora acérrima da igualdade de género. Com a vida fantástica que tenho não me posso calar. Tenho de me pôr ao serviço dos outros.
– Falando da sua carreira na apresentação, sente que ainda lhe falta fazer alguma coisa? Há sonhos por realizar?
– Não tenho jeito para fazer planos, nem sequer tenho uma estratégia profissional. O meu pressuposto é fazer formatos com os quais me identifico, porque assim tenho a certeza de que vai correr bem. Detesto errar e desiludir quem acredita em mim. É um terror que tenho sempre latente. Gostava de continuar a fazer documentários para o resto da vida, mas sei que isso nem sempre será possível. Confesso que tenho algumas saudades de fazer programas com crianças e quero muito voltar a fazer teatro. Tenho muitas saudades.
– Esse sentimento de corresponder às expectativas ainda é mais forte quando se trata daqueles que mais ama, como o seu marido, João Reis, e os seus filhos, Maria Beatriz e João Maria?
– Sim, tal como é importante não desiludir os meus amigos e aqueles que me acompanham há tantos anos e que nem sequer me conhecem pessoalmente.
– Depois de tantas experiên­cias pessoais, profissionais e humanitárias, que mulher é?
– Sou uma mulher mais preparada para a vida, mas não estou vacinada contra a dor, sobretudo a dos outros. Não me é natural aceitar a dor. Ainda me indigno muito com isso. Sei muito mais sobre o mundo que nos rodeia e acredito, mesmo, que não temos fronteiras. A única coisa que vale realmente a pena é sermos honestos connosco e com os outros, sem usarmos máscaras. E sou uma mulher muito feliz, porque tenho uns tesouros maravilhosos lá em casa.
– Está prestes a ser tia [esta entrevista foi feita dias antes de a sobrinha da apresentadora nascer]. Como está a encarar este novo papel na sua vida?
– Está quase! Alguém me disse que vou ser uma espécie de avó, porque a minha primeira filha foi a minha irmã. Sempre fui uma irmã muito protetora e penso que vou continuar a sê-lo como tia.

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