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Ana Sofia Martins: “Não sou uma pessoa convencional”

Com uma popularidade crescente, a atriz revela à CARAS o que a fama e o sucesso trouxeram à sua vida.

Marta Mesquita
10 de abril de 2016, 14:00

Assume-se como uma mulher “durona”, mas tem sempre um sorriso para oferecer a quem a aborda. Diz ainda que pensa “fora da caixa” e que não é “consensual”, mas isso não a impede de ser uma profissional que segue todas as regras, cumpridora das suas obrigações. Preza a sua independência, mas adora estar apaixonada e tenta aproveitar todos os momentos que tem para namorar. E é no meio destes paradoxos que Ana Sofia Martins, de 29 anos, se vai tornando a mulher que decidiu ser.
Sabendo que já é uma referência para muitas mulheres e meninas, que veem nela um exemplo de alguém que conquistou o seu lugar independentemente do seu tom de pele ou do seu cabelo, a atriz aceitou mais um desafio: ser a embaixadora da linha Elvive Caracóis Nutridos, da L’Oréal Paris, uma oportunidade para terminar com a “ditadura dos cabelos lisos”, incentivando cada uma a explorar a sua beleza natural.
Tendo como mote este seu novo papel, a protagonista da novela A Única Mulher conversou com a CARAS sobre o que a faz feliz: o seu trabalho, as suas conquistas, o amor que vive com Tomás Barroso e os sonhos por cumprir.
– Ana, com este novo desafio até os seus caracóis já são um exemplo para outras mulheres...
Ana Sofia – Sim! Estou feliz por poder desafiar as portuguesas a assumirem os seus caracóis, como eu sempre fiz, aliás. Sinto que a ditadura dos cabelos lisos está finalmente a chegar ao fim e agora já vemos caracóis em todo o lado, seja na rua, nas passerelles ou na televisão. Quem não tem caracóis não sabe os desafios que temos de enfrentar! [Risos] Antes, ia a um supermercado e não encontrava os produtos adequados ao meu cabelo. E agora já encontro. Também é bom, de vez em quando, sentirmo-nos parte das massas. E no que diz respeito ao ser um exemplo, a verdade é que desde que comecei a fazer a Mara [na novela A Única Mulher], vejo muitas mais mulheres a exibirem os seus caracóis. E fico super orgulhosa por as meninas olharem para mim e quererem ser elas próprias. Eu não sou o meu cabelo, mas ele faz parte de mim, o que me ajuda a definir a pessoa que sou.
– E que mulher é?
– Sou a mulher que decidi ser: forte, trabalhadora e ambiciosa. Também sou muito sensível, embora às vezes não o demonstre. Gostava de ser mais tolerante comigo e com os outros. Não dou muita margem para o erro. Como exijo e dou muito, se as pessoas não estão à altura salta-me a tampa. Sei que às vezes posso magoar quem está mais perto de mim por causa disso... É um trabalho em construção. Há sempre algum defeito para melhorar.
– Disse que de vez em quando é bom sentir-se “parte das massas”. Na maior parte das vezes sente que vai contra a corrente?
– Sim e é difícil irmos contra a corrente, porque nos sentimos um bocadinho desamparadas. Não sou uma pessoa convencional nem consensual: nem todos gostam do que digo ou faço. Mostro sempre quem sou: uma pessoa divertida, trapalhona e que por vezes diz aquilo que não deve. Acima de tudo, sou humana e acho que as pessoas se identificam com isso. E se calhar não me veem tanto como sendo contra­corrente, mas mais como alguém que pensa fora da caixa, não só em relação à imagem como na forma como está na vida.
– Contudo, independentemente dessa personalidade pouco convencional, a Ana também é certinha e cumpridora...
– Sim, sobretudo no campo profissional. Chego sempre a horas e sei os meus textos... Não falho e é essa a minha maneira de estar na vida. Estou sempre a pensar em estratégias profissionais e preocupo-me em manter o que conquistei e em alcançar mais. Estou mais ambiciosa e isso não tem de ter uma conotação negativa. Não entro em competição com ninguém, algo que considero uma perda de tempo. Sinto que há espaço para mim, o que há uns anos não sentia. Ao criar este espaço, estou também a gerar oportunidades para as gerações futuras e isso tem muito valor para mim. Agora, quero focar-me na representação, até porque é a única maneira de sentir que estou a fazer bem as coisas.
– A representação trouxe-lhe um novo olhar sobre si própria?
– Sim... Apesar de pensar que sou uma mulher durona, descobri que há em mim um lado doce. Ainda conservo em mim alguma ingenuidade, tenho muito de menina. Confio muito nas pessoas e não me arrependo disso.
– Tem tido muitas desilusões, sobretudo desde que se tornou mais mediática?
– Tenho tido algumas... Por exemplo, algumas pessoas não conseguem perceber a minha falta de tempo. Por mais que lhes explique que é temporário, porque daqui a uns meses a novela acaba, dizem-me que não estou a ser uma boa amiga. Acima de tudo, sinto que a minha maior desilusão reside no facto de esperarem sempre muito de mim. Trabalho 12 horas por dia e não me queixo, porque foi isso que escolhi e não admito que me julguem. Gosto de trabalhar e de gozar os frutos do meu esforço.
– Consegue parar para desfrutar dessas suas conquistas?
– Consigo, sim. Ainda há pouco tempo fui de férias para o Dubai. Também não me custa ir a um restaurante bom e pagar um pouco mais. Se posso, por que não hei de ter este estilo de vida? Claro que continuo a ajudar as pessoas, como sempre fiz, mas agora permito-me outro tipo de vida, sem me preocupar muito. Quando recebo o meu salário sinto mesmo que o me­reço. Vivi muitos anos a achar que não merecia ou que os outros mereciam mais do que eu, e agora percebo que também mereço. Se me esforço, o resultado só pode ser bom. A minha vida mudou, mas eu continuo a ser a mesma.
– E o seu namorado lida bem com a sua falta de tempo?
– Sim. A minha falta de tempo não é um problema na nossa relação. Compensamos ao fim de semana ou de outras maneiras. Quando tenho um intervalo entre cenas falamos ao telefone... Gosto muito de ter o meu espaço e o Tomás gosta de ter o dele. Portanto, não somos daqueles namorados que estão sempre em cima um do outro. Encontrei uma pessoa que compreende as minhas ausências, tal como eu compreendo as dele. A nossa relação resulta desta forma.
– Portanto, o balanço destes quase dois anos de relação é muito positivo...
– Sim. Quando começámos a namorar não tinha grandes expectativas e a verdade é que ao fim de quase dois anos continuamos de pedra e cal e isso para mim é fantástico. Não temos tempo para nos chatearmos e aproveitamos os nossos momentos da melhor forma possível.

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