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Mariama Barbosa: “Não quero ter uma vida oca, por isso é que sou frontal”

Nasceu na Guiné e veio para Lisboa aos cinco anos, a idade que tem agora o filho, José Maria. As visitas ao país onde nasceu não são regulares mas a relações-públicas confessa que é lá que sente que estão as suas raízes.

Sofia Lourenço
9 de abril de 2016, 18:00

É a nova cara da SIC CARAS, com o programa Tesouras e Tesouros, mas Mariama Bar­bosa não é nenhuma novata no mundo da moda. Aos 41 anos, a relações-públicas da Showpress e da ModaLisboa é a autora do blogue Mariama com K e da página de Facebook A Barraca da Mariama com K. Nasceu na Guiné Bissau, veio para Lisboa com cinco anos e foi em Lisboa que traçou o seu percurso profissional. Irreverente, frontal e de sorriso fácil, falou descontraidamente com a CARAS mesmo no centro da capital.
– O programa Tesouras e Tesouros é uma estreia. Como está a correr?
Mariama – Lindamente. Es­tou a gostar muito. É um desafio, nunca fiz televisão e nem sei porque é que se lembraram de mim, mas está a ser muito bom.
– Talvez porque seja uma pessoa que está dentro do meio, à vontade para falar do assunto?
– Falo do que eu acho que sei, porque nós, na moda, estamos sempre a aprender. A moda é uma constante mutação, mas o mau gosto salta logo à vista, não consigo evitar [risos].
– É um programa divertido, mas um bocadinho corrosivo. Qual tem sido o feedback?
– É um programa que fala do styling, da escolha da roupa e não da personalidade, e acho que Portugal ainda não está habituado a isso. Temos de saber distinguir as duas coisas. Por eu não gostar de um look, não quer dizer que não goste da pessoa. Isso até acontece em minha casa! Amo a minha mãe e sou capaz de lhe dizer que não está bem com uma certa roupa. O intuito do programa não é falar sobre mais nada a não ser o vi­sual, e se assim não fosse, eu nunca aceitaria este projeto. Aliás, eu sou relações-públicas, não faria sentido ter esta profissão e ofender as pessoas no programa.
– E no dia-a-dia, também é uma pessoa frontal?
– Muito, muito. Com tudo, até comigo. Umas vezes perco por isso, porque tenho de ter algum filtro, mas também ganho, porque não me sinto bem se sentir que fingi para ‘aquela’ pessoa.
– Nasceu na Guiné. Como é que construiu o seu percurso em Lisboa?
– Com muito trabalho. O Dino Alves descobriu-me, como eu costumo dizer. Comecei como assistente dele, mais tarde o Dino apresentou-me o Luís Pereira, comecei a trabalhar com ele e foi uma bola de neve, mas já fiz de tudo. Já fui rececionista num cabeleireiro, já trabalhei no [bar/discoteca] Lux e nos Três Pastorinhos, no Bairro Alto.
– Foi um percurso duro?
– Acho que foi acontecendo, porque nunca criei expectativa. Gosto de moda desde muito pequena, mas nunca tive a expectativa de ser apresentadora de televisão ou relações-públicas da ModaLisboa. Acho que o truque é ser humilde e nunca nos colocarmos numa posição de superioridade em relação aos outros, independentemente do lugar onde chegámos. Esse é o truque para sermos bem re­cebidos em todo o lado. Nunca se sabe o dia de amanhã, a vida dá muitas voltas e eu não quero ter uma vida oca, por isso é que sou frontal.
– Tenta ser verdadeira consigo?
– Tento. Não sou perfeita. Às vezes também finjo, quando o meu filho [José Maria, de cinco anos] me pergunta se eu estou cansada e eu respondo que não e vamos brincar.
– Há aquela ideia de que o mundo da moda não é fácil e é até demasiado competitivo...
– Ainda não senti nada disso. Até agora, fui sempre muito bem recebida. E se há situações mais complicadas, também não ligo.
– Criou muitos amigos neste meio, muitos deles bastante conhecidos...
– Tenho bons amigos e às vezes também os critico!
– E é fácil não se deslumbrar neste meio?
– Nos primeiros minutos é normal, mas depois é hora de calçar os ténis e ir buscar o meu filho à escola, fazer o jantar, limpar a casa e ‘voltar’ a ser uma pessoa normal.
– O José Maria também a ajuda a manter os pés assentes na terra?
– Completamente. Os filhos puxam-nos para a realidade. Somos o exemplo e não queremos que eles nos vejam como pessoas fúteis, queremos ser pessoas coerentes.
– Vive com o pai do seu filho?
– Não, mas temos uma relação muito boa. É um pai ótimo, presente, é como se fosse o meu namorado [risos]. Ajuda-me imenso, é um grande amigo, tenho muita sorte.
– E há alguma perspetiva de um dia se casar e ter mais filhos?
– Já pensei mais em casar-me, agora só quero viver bem, estou feliz e tranquila.
– Gostava de um dia voltar à Guiné?
– Vou lá algumas vezes, não regularmente, e um dia gostava de regressar... Mas não agora. Acho que ainda não há estabilidade lá. Tenho um filho pequeno e só quero voltar quando me sentir segura, mas tenho muitas sauda­des. Tenho saudades do calor, de falar alto [risos], de comer mangas a torto e a direito, de correr naquela praia onde corri desde menina, tenho saudades do meu pai. Tenho saudades do barulho, do cheiro e das pessoas.

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