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João Moleira: “Tornei-me uma pessoa muito independente”

Com horários pouco comuns, o jornalista, de 38 anos, habituou-se a deitar-se muito cedo e a não depender da companhia de amigos para ir ao cinema ou para fazer viagens ao estrangeiro.

Cláudia Alegria
9 de abril de 2016, 12:00

Acorda todos os dias às três da manhã de modo a estar preparado para apresentar o primeiro bloco informativo da SIC Notícias, a Edição da Manhã. Há mais de dez anos que João Moleira se habituou a ter horários desfasados da família e dos amigos mas, por isso mesmo, acabou por ser tornar uma pessoa muito independente que não deixa de fazer nada por falta de companhia. Organizado e metódico, o jornalista, de 38 anos, dispensa agendas e, quando se deita, religiosamente às oito da noite, fá-lo sempre com consciência do dever cumprido.
– Ser jornalista foi uma decisão tomada muito precocemente?
João Moleira –
Acho que nunca me imaginei a fazer outra coisa. As minhas brincadeiras de criança já passavam por fazer revistas, jornais, programas de rádio. Mais tarde ou mais cedo isso iria refletir-se no que viria a fazer.
Na sua vida pessoal é igualmente comunicativo?
– Sou uma pessoa reservada por natureza, mas não deixo de ser extrovertido.
– Tem tempo para dedicar à sua vida pessoal?
– Tenho pouco, mas o pouco que tenho faço muito para estar com a minha família e com o meu grupo de amigos. Desde que co­mecei a coordenar e apresentar o Primeiro Jornal ao fim de semana, passei a fazer a edição da manhã só de quarta a sexta, e folgo às segundas e terças.
– Ou seja, se antes ainda tinha os fins de semana livres, deixou de os ter?
– É verdade, mas para apresentar o Primeiro Jornal basta-me acordar às sete da manhã, depois tenho a tarde e a noite livres para jantar e estar com alguns amigos. Não posso fazer noitadas mas antes também não as fazia porque o meu relógio biológico não deixava. Apesar de ter pouco tempo, não há um dia em que não esteja com a minha mãe, com a minha irmã e com os meus sobrinhos.
– Tem de ser uma pessoa muito organizada para conseguir equilibrar a vida pessoal com a profissional...
– Sou muito organizado, há quem ache que sou até demais, mas só assim é que consigo gerir tudo. Tenho uma organização mental boa, sei o que tenho de fazer todos os dias e só consigo dormir e descansar bem quando consigo fazer tudo o que queria.
– Também se habitou a fazer programas sozinho, como ir ao cinema e viajar?
– Sim, não deixo de fazer coisas só porque os outros não as podem fazer comigo porque, caso con­trário não fazia nada! Habituei-me a fazer as minhas rotinas sozinho e não me custa, acho até que aprendi muito, nomeadamente nas viagens. Vivi experiências que não teria vivido se as tivesse feito acompanhado.
– Vai todos os dias ao ginásio?
– Sim, faz parte da minha organização.
– É uma forma de ‘desligar’?
– Completamente. Quando não é no ginásio é na rua, a correr. Por vários motivos: não só porque faz bem, mas também porque como tudo o que me aparece à frente, e a forma que tenho de compensar é queimar algumas calorias a treinar.
– Não só come, como cozinha muito bem...
– Os meus amigos dizem que sim, eu acho que sou desenrasca­do. Longe de mim equiparar-me a pessoas que conheço que cozi­nham, de facto, muito bem.
– É um tio dedicado e um padrinho muito presente na vida dos seus nove afilhados. E filhos?
– Já pensei nisso. Há dez anos, quando eles eram todos crianças, queria muito ser pai, mas a minha vida agitada não permitiu que isso acontecesse. Acho que é muito bom já me sentir preenchido com o que essas crianças que tenho à volta me dão. Queria passar por essa vivência mas, sou sincero, pensava muito mais nisso no passado do que penso agora.
– Perdeu o seu pai recentemente...
– Sim, há um mês e pouco. Foi algo para que nos andámos a preparar durante muito tempo, porque ele estava doente, já tinha uma saúde muito debilitada, mas quando acontece não estamos preparados.
Ficou um vazio?
– Ficou um vazio muito grande mas, ao mesmo tempo, tenho noção de que foi melhor assim porque, por mais que nos custe, já não era o meu pai que estava ali. Agora estamos a reaprender a organizarmo-nos sem aquela pessoa fisicamente junto de nós. Tem sido muito difícil, principalmente para a minha mãe. Poucos dias antes de o meu pai morrer, uma amiga disse-me que havia uma coisa para a qual eu nunca iria estar preparado, é que nunca mais iria chamar pai a ninguém. E eu só me apercebi realmente disso quando ele morreu. É um vazio que nunca mais será preenchido.

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