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Isabel Meirelles e Luís Vasconcelos Salgado: Uma equipa cúmplice, dentro e fora de casa

Casados em segundas núpcias, os advogados abriram as portas da sua casa e posaram para a CARAS. Além de serem um casal, Isabel e Luís são também parceiros profissionais.

Marta Mesquita
3 de abril de 2016, 12:00

Um tribunal, dois advogados. Apesar de serem adversários, a elegância dela não lhe passa despercebida a ele, tal como a educação e o cavalheirismo do seu opositor captam a atenção dela. O julgamento termina, ele ganha coragem e convida-a para almoçar. O que poderia ser a sinopse de um livro ou de uma comédia romântica é, na verdade, o início do romance de Isabel Meirelles e Luís Vasconcelos Salgado. Casados há oito anos, os advogados já partilharam ‘muitos almoços’ desde o seu encontro feliz na barra do tribunal. Apesar das personalidades distintas, Isabel e Luís têm construído uma relação baseada em ‘afinidades’ pessoais e profissionais, tendo fundado a sociedade Vasconcelos Salgado, Isabel Meirelles & Associados.
Durante uma tarde passada em sua casa, em Lisboa, os advogados conversaram com a CARAS e revelaram as leis que regem a sua vida a dois.
– Como é que o Direito entrou nas vossas vidas?
Isabel Meirelles – Via muitas injustiças na minha família e, aos 13 anos, decidi que queria endireitar o mundo, o que significava ir para Direito. Descobri que gostava do Direito Internacional, por isso, em vez de ir endireitar o país fui mesmo tentar endireitar o mundo [risos].
Luís V. Salgado – Já sou a terceira geração de advogados na minha família, seguir esta área foi uma escolha natural para mim. Cresci numa família na qual sem­pre se discutiram ideias.
– Hoje, com vários anos de profissão, ainda conservam alguma dessa ingenuidade na maneira como olham o mundo e o Direito, em particular?
Isabel – Acho que sim, o que significa que não envelheci e que continuo jovem, pelo menos no âmbito das ideias. Sinto uma grande felicidade quando consigo resolver um caso.
Luís – Quando alguém chega ao nosso escritório com a vida completamente embrulhada e conseguimos reconstruir essa vida e livrar a pessoa dos seus problemas é o que mais me motiva. Não há nada que pague isso.
Isabel – Somos uma espécie de médicos da lei.
– Ao criarem a vossa sociedade passaram a partilhar também o dia-a-dia profissional. Deixam o trabalho no escritório ou vem convosco para casa?
Luís – Deixo sempre o trabalho no escritório. Gosto muito de separar as águas, até pela minha própria sanidade mental! No nosso caso, o AVC é uma doença profissional...
Isabel – Eu trago trabalho para casa. Acho que o Luís é o melhor advogado que conheço. Por isso, quando tenho casos difíceis, procuro discutir a minha estratégia com ele, o que implica, muitas vezes, que falemos desses casos em casa.
– Nunca recearam que o facto de trabalharem juntos preju­dicasse a relação pessoal?
Luís – Não. É também para preservar a nossa relação que não gosto de falar de trabalho em casa.

Isabel – Nunca considerei o facto de trabalharmos juntos como sendo algo prejudicial, até porque nas minhas decisões sempre foi claro que a minha prioridade é a família.
– E a vossa cumplicidade é feita de afinidades ou de diferenças?
– De afinidades, sem dúvida. As nossas maiores diferenças notam-se nas personalidades. Eu sou direta e impulsiva, o Luís é mais palaciano, mais simpático... O que é ótimo, porque nos completamos. À parte isso, temos muitos interesses em comum. O Luís tem-me apoiado sempre, sobretudo nas decisões mais difíceis, como a de concorrer à Câmara Municipal de Oeiras [nas autárqui­cas de 2009, que perdeu para Isaltino Morais]. Já passámos por momentos complicados, o que nos juntou ainda mais. O que temos entre nós é algo formidável que não queremos perder por nada. Temos um oásis de felicidade, bem-estar e descanso. Cada um tem o seu mundo e o seu espaço. Depois, temos um grande mundo em comum.
– Gostava de voltar à política ativa?
– Não tenho vontade de voltar à política ativa. Para voltar, teria de compactuar com muita coisa que os meus princípios éticos e morais não me deixam. Quando concorri a Oeiras fui enganada pelos meus e é por isso que não quero regressar à política. As pessoas que deveriam apoiar-me estavam ao lado do Isaltino Mo­rais. Senti-me profundamente enganada. Ainda sou militante do PSD e não se livram de mim tão depressa. Serei sempre uma voz ativa a apontar aquilo que está errado. Mas hoje em dia desconfio de toda a gente. Essa experiência não me tornou uma pessoa melhor.

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