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Garrett McNamara em família: “Ver os outros felizes inspira-me”

Ao lado da mulher e do filho, o surfista americano revela os seus sonhos e motivações.

CARAS
26 de março de 2016, 10:00

Foi há dois anos que o surfista americano Garrett McNamara surfou uma on­da de 30 metros na Nazaré e quebrou recordes, ficando na história. Agora, pôs a prancha de lado e, a convite da Lion of Porches, aceitou ser modelo por um dia. Apesar de não se sentir como peixe na água, McNamara mostrou ser bastante versátil na sessão fotográfica que aconteceu na Praia do Infante, na Costa de Caparica. Sempre sob o olhar atento e o apoio incondicional da mulher, Nicole, e na companhia do filho, Garrett, de quase dois anos, a sua inspiração.
Este desafio surge numa altura em que o surfista americano passa por um período de afastamento do mar depois de, no início do ano, quando surfava uma onda na Califórnia, ter sofrido uma queda de cerca de dez metros que resultou numa clavícula partida.
– A sua família anda sempre consigo. Isso é fácil de concretizar?
Garrett McNamara – Vamos para todo o lado os três. Quando eles não podem ir, eu não aceito ir. A família vem sempre primeiro, sentimo-nos bem juntos.
– Estavam consigo quando sofreu o acidente em janeiro?
– Por acaso essa foi a primei­ra viagem que fiz sozinho, porque era apenas por um dia... Definitivamente, não deveria ter ido sem eles.
– Fraturou a clavícula. Como está a correr a recuperação?
– Está melhor, foi uma queda feia e as duas primeiras semanas não foram fáceis. Mas agora está a melhorar.
– Quando poderá voltar a surfar?
– Mais dois meses e acho que posso voltar. Até me tenho dado bem sem entrar na água, tenho imensa coisa para fazer, a minha mulher tem tomado conta de mim e eu tenho aproveitado para passar mais tempo com o meu bebé. Normalmente, mesmo estando eles comigo, estou sempre a pensar noutras coisas. Agora estou com eles e estou a relaxar, a aproveitar a família. Estou a aproveitar para pensar na vida e tomar decisões acertadas.
– E para experimentar novas atividades. Sente-se bem na pele de modelo por um dia?
– É engraçado, estou a divertir-me. Acho que depende da equipa com que se trabalha. Esta é muito boa. Eles contactaram-me há uns anos e começámos uma relação. Sempre foram muito simpáticos e amigáveis e as roupas têm um estilo com o qual me identifico.
– Como é que se descreve?
– Sou uma pessoa que gosta de partilhar, adoro aprender e adoro amar. Gosto de dar o máximo para as pessoas se senti­rem bem. Acredito que na vida todos queremos apenas atingir um patamar onde nos sintamos bem. Todos queremos amar e ser amados. E aqui em Portugal isso é natural. Eu sinto-me sempre bem. Gosto mesmo de tudo cá.
– A sua família também sente essa afinidade com Portugal?
– Sim, a minha mulher e o meu bebé adoram. Ele já fala mais português do que inglês, e percebe tudo de português.
– O Garrett é mais parecido consigo ou com a Nicole?
– É a cara da mãe, mas age exatamente como eu. Parece que está sempre numa missão, é muito sério. Mas adora estar na rua, ri-se muito, brinca. É muito filhinho da mamã. Quando acontece alguma coisa, vai chorar para o colo da mãe.
– E o Garrett tem ciúmes?
– Tenho sim, um pouco. E ele também tem ciúmes meus, é engraçado.
– Porque diz isso?
– Se eu estou com a minha mulher, a fazer-lhe festinhas, ou a namorar, ele vem pôr-se no meio. Se ela está a dar-me mais atenção, ele faz birra [risos]. É incrível!
– Ele também gosta de água?
– Sim. Adora o mar, adora piscinas. Não é grande fã de água fria, mas adora água quente. Adora jacuzzi.
– Já o pôs a surfar?
– Sim. Experimentou a primei­ra vez há seis meses, antes de ter um ano. Surfou sozinho numa prancha grande. Não sei se ele gos­tou tanto como eu, mas foi brutal.
– Acha que ele pode ser um grande surfista como o pai?
– Ele pode ser o que quiser. Não o vou pressionar para ser surfista, vou deixá-lo à vontade para ser o que quiser.
– Não tem sonhos para ele?
– Não. Apenas quero que ele seja feliz. Quero que ele se foque na sua paixão, naquilo que o apaixona, e que pense unicamente em como é que pode servir a humanidade através da sua paixão. Se ele se focar nesses dois pontos, será feliz e ajudará o resto do mundo. A maior parte das crianças não recebe essa influência dos pais. Eu vou criá-lo dizendo-lhe que a única coisa que tem de fazer é descobrir aquilo que o faz feliz e fazê-lo servindo a humanidade.
– Não é fácil.
– É sim, desde que descubras a tua paixão.
– Sempre soube qual era a sua paixão?
– Eu sempre soube, mas no início não imaginava que fosse tornar-se a minha missão. Estava para me reformar e não sabia o que havia de fazer. Então desenhei um mapa: tracei o meu objetivo e um caminho para o atingir. Nada mais importa se olhares para o mapa todos os dias. Porque tudo o que fores fazer que não esteja lá apenas te distancia da tua paixão. Senão andamos às voltas e fazemos apenas o que nos dizem ou o que achamos que devemos fazer.
– Qual é o objetivo que tem desenhado no seu mapa agora?
– Agora quero ajudar as pessoas a viverem os seus sonhos.
– Quer inspirar as pessoas?
– Não sei... Eu gosto de ser inspirado, de ver os outros a sorrir, a alcançar objetivos, vê-los felizes, isso inspira-me.

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