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Filipe La Féria celebra 50 anos de carreira com o musical da sua vida

Aos 70 anos, o encenador prepara-se para estrear espetáculo autobiográfico.

Joana Brandão
26 de março de 2016, 16:00

O teatro, a música, a literatura, os mitos, as vedetas e os filmes são o ponto de partida para uma viagem pelos 50 anos de carreira de Filipe La Féria. O Musical da Minha Vida estreia no final de março, no Salão Preto e Prata do Casino Estoril, e conta a história do próprio encenador e dramaturgo, que tanto ama musicais.
Numa curta visita ao Porto, onde, recorde-se, viveu durante cinco anos, Filipe La Féria conversou com a CARAS no Grande Hotel do Porto, em plena Rua de Santa Catarina, sobre as suas cinco décadas dediadcadas ao teatro, mas também sobre o seu papel de avô de Leonor, de três anos, e Teresa, de seis meses, filhas da sua única filha, Catarina. “Ser avô faz-me sentir que vale a pena viver. Nesta idade, compreendo que estou a viver o outono e vejo a primavera a nascer! Sei que não vou estar presente em grande parte da vida delas, por isso dou tudo por tudo para as ver crescer. Adoro as minhas netas”, conta.
– Voltou para Lisboa há três anos, mas guarda certamente boas recordações dos tempos no Porto. Gosta de regressar?
Filipe La Féria
– É sempre bom reencontrar os grandes amigos que fiz no Porto durante os cinco anos em que tive espetáculos no Rivoli. O sucesso do Jesus Cristo Superstar, O Violino no Telhado, A Gaiola das Loucas, A Música no Coração e Piaf deixa-me saudades. Mas do Porto guardo também na memória um grupo de atores extraordinários, alguns dos quais estão a trabalhar comigo em Lisboa.
– Nesta visita, além de reencontrar os amigos, aproveitou para escolher os tecidos para os figurinos da sua próxima peça. O que podemos esperar?
– Os figurinos são uma parte muito importante do espetáculo, porque acrescentam glamour e requinte a tudo o que se apresenta no palco. Desde o My Fair Lady que a loja Cunha Rodrigues me ajuda com os tecidos, que são parte crucial para o sucesso dos nossos espetáculos. E no caso de O Musical da Minha Vida não será diferente. Como faço 50 anos de teatro, vou contar a história do meu percurso e da minha grande paixão pelo teatro musical. É a história dos meus pais e do rapaz alentejano que um dia ruma a Lisboa para cumprir o seu sonho.
– Sendo a história da sua vida, vai voltar a pisar o palco?
– Há anos que deixei de o fazer, mas vai ter a minha voz, como narrador. O elenco é extraordinário! Conto com a Alexandra, o Pedro Bargado, a Dora, a Sissi Martins, o Rúben Madureira, o David Ripado, um grande corpo de baile e uma orquestra ao vivo. Como sabem, faço os meus espetáculos como se o amanhã não existisse, dou tudo para me superar e ser sempre melhor.
E como foi recordar os seus 50 anos dedicados ao teatro enquanto escrevia a sua história?
– Em Portugal ser artista é sempre difícil. É um país que não reconhece os artistas em vida, só os elogia depois de mortos. Ao longo destes 50 anos, tem havido dias com um sol brilhante e outros mais cinzentos. Já vivi muitos desgostos, mas também grandes êxitos. Recordo o Passa por Mim no Rossio e o Amália, que estiveram em cena anos a fio. Por isso, tenho de agradecer a Deus e ao público, que reconhece diariamente o meu trabalho e esforço.
– Não sente, portanto, vontade de parar, descansar...
– Parar é morrer. E quando morrer, a primeira coisa que vou fazer é um grande espetáculo no céu! Vou pôr tudo a dançar e com plumas na cabeça! Tem sido uma luta constante, porque o nosso país não reconhece a cultura, que é sempre o parente pobre do Orçamento de Estado. Ser ator em Portugal é quase um ato de militância. Mas eu sou um guerreiro sem repouso. Parto quase sempre do zero para a construção dos meus espetáculos, mas, felizmente, tenho público e amigos que me ajudam a continuar. Quando estrear o Musical da Minha Vida, terei três espetáculos em cena, mais de 200 pessoas a trabalhar... É uma responsabilidade muito grande, que me obrigada a continuar e a estar sempre a pensar no próximo espetáculo.

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