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Mariana Lobato e António Fontes navegam as ondas da paternidade

Serem pais de Bartolomeu, de nove meses, está a revelar-se o maior desafio que os velejadores já enfrentaram.

Marta Mesquita
12 de março de 2016, 12:00

Como velejadores profissionais, Mariana Lobato, de 28 anos, e António Fontes, de 33, têm na competição e na superação de desafios o seu modo de estar na vida. Habituados a grandes sacrifícios para conseguirem alcançar objetivos, não previam que um bebé de nove meses viesse provar-lhes que, afinal, a sua grande aventura, e talvez a mais exigente de todas, é a paternidade. Com o nascimento de Bartolomeu, os velejadores co­nheceram um novo universo emocional, repleto de afetos. Contudo, foram também confrontados com as dificuldades de criar um bebé: noites mal dormidas, rotinas complexas e imprevistos que obrigam os pais a ajustarem grande parte das suas vidas. Não obstante as novidades que a paternidade lhes trouxe, Mariana e António conti­nuam a ser profissionais que não desistem dos seus sonhos e que, com maior ou menor sacrifício, têm conseguido conciliar o seu papel de pais com o de atletas.
– Dá mais trabalho prepararem-se para uma grande competição ou tratar de um bebé todos os dias?
Mariana Lobato –
Neste momento, estou a fazer as duas coi­sas ao mesmo tempo! [risos] São ambas muito exigentes.
António Fontes – Mas com amor tudo se faz, pelo menos é o que sinto.
– Qual tem sido o maior desafio nesta estreia na paternidade?
Mariana –
O que me tem custado mais é não dormir bem. Há muito tempo que não durmo uma noite seguida. Há bebés mais fáceis do que outros e ele não tem sido fácil nesse aspeto. Mas o Bartolomeu está sempre bem disposto, come bem e é, acima de tudo, um bebé feliz. Tem sido um desafio, sobretudo agora, que me estou a preparar para os Jogos Olímpicos. Posso dizer que, antes de ser mãe, quando dizia que estava cansada, não estava. Agora sim, sei o que é estar cansada! Mas o que temos de fazer é não pensar muito nisso e andar com a vida para a frente. O Bartolomeu precisa de nós e nós precisamos dele para viver.
– As vossas vidas mudaram muito com o Bartolomeu?
Sim, as prioridades alteraram-se por completo. Agora temos uma pessoa totalmente dependente de nós. Contudo, acho que temos conseguido ser pais tranquilos.
António – Com o nascimento do Bartolomeu tornámo-nos muito mais eficientes na gestão do tempo. Sentimos que todo o tempo que temos em casa é curto.
– E conseguem ter tempo para fazer tudo aquilo que querem? Conseguiram integrar o Bartolomeu nas vossas rotinas?
Mariana – T
entamos inte­grá-lo nas nossas rotinas. Temos
é de saber gerir tudo muito bem.
– A Mariana está a treinar para conseguir o apuramento para os Jogos Olímpicos deste ano. Está a ser muito duro conciliar a maternidade com a exigente rotina de uma atleta que está a fazer um treino tão intensivo?
É preciso querer muito, porque é mesmo difícil. Em alguns momentos penso que sou um bocado louca, porque ter um bebé já é exigente, logo, cuidar de um bebé e fazer uma preparação olímpica ainda é mais! Às vezes questiono-me se tudo isto faz sentido... Mas tento nem sequer pensar nisso. O truque é ser disciplinada. Gosto muito de estar no mar e para mim o que mais me estimula na vida é superar desafios.
– Tudo isto exige um grande trabalho de equipa em casa...
Sim, completamente. Caso contrário, não conseguiríamos. Quando o António competiu na Mini Transat foi muito difícil coordenar tudo, mas consegui. Apoiamo-nos mutuamente. Agora é o António que dá um apoio maior ao Bartolomeu, o que me permite treinar mais.
– Como a Mariana referiu, no ano passado o António participou numa regata solitária e passou cerca de 25 dias no mar. O que aprendeu com esta experiência?
António –
Foi uma experiência ótima e significou o realizar de um sonho que tinha há vários anos. Percebi que depois de ser pai, comecei a pensar duas vezes antes de tomar qualquer decisão mais arriscada. Tenho alguém que depende de mim e, por isso, é preferível chegar em segurança, mesmo que não seja em primeiro, do que arriscar demasiado.
– Ainda é cedo para pensarem em ter outro filho?
Mariana –
Queremos ter mais filhos, mas primeiro temos de conseguir dormir uma noite inteira! [risos]

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