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Maria João Bastos: “Os momentos maus são os que mais nos ensinam”

Aos 40 anos, a atriz da novela “Coração d’Ouro” conta que está a viver um momento tranquilo e que se sente hoje uma mulher mais segura, acrescentando que nunca foi influenciável.

Sandra Cáceres Monteiro
5 de março de 2016, 12:00

Assertiva, confiante e, diz que graças ao ioga, menos ansio­sa do que já foi, Maria João Bastos assume-se como uma mulher mais emocional do que racional que não deixa nada por dizer. Aos 40 anos, tem a vida que escolheu e não está minimamente preocupada com as clássicas pressões sobre o casamento e os filhos. Na juventude perdeu o pai, um choque que não superou, mas com o qual aprendeu a viver. Apesar de praticar uma alimentação saudável, esta conversa decorreu enquanto a atriz se deliciava com um inesperado hambúrguer com batatas fritas. “De vez em quando sabe tão bem, não sabe?!”
Quando acorda dá um salto imediato da cama ou fica a ganhar coragem para se levantar?
Maria João Bastos
– De­pende... Se não estiver com muito tempo, salto logo da cama, porque corro o risco de voltar a adormecer depois de o despertador tocar. Mas se tiver tempo sou capaz de ficar horas a preguiçar. Dormir é uma das coisas que mais gosto de fazer. Durmo imenso! [risos]
E quando lhe lançam um desafio, atira-se de cabeça ou fica a analisar todos os prós e contras?
– Vou muito pelo meu instinto! O que também não significa que não pense, que não pondere, que não estude muito bem as situações...
Ter vivido de perto os atentados em Paris fê-la olhar o mundo de uma forma diferente?
– A realidade já todos a conhecíamos, mas senti-la de perto é outra coisa! Confesso que mexeu muito comigo e me fez pensar bastante na vida e naquilo em que o mundo se está a tornar. Mas o que mais me impressionou foi a coragem e a força dos franceses, que não baixaram os braços e rapidamente voltaram às suas rotinas. No dia seguinte as esplanadas estavam outra vez cheias de gente. Foi uma enorme lição de vida!
– Bons comunicadores, curiosos e com constantes oscilações de humor. Estas são algumas características do signo Gémeos. Revê-se em alguma delas?
– Tenho grandes amigos que são do mesmo signo do que eu e somos todos muito diferentes! Mas acho que sim, os Gémeos têm, de facto, grande capacidade de comunicação e facilidade na relação com os outros. Confesso que às vezes não acordo muito bem disposta, mas não tenho grandes variações de humor ao longo do dia. De qualquer forma, sou muito reservada, ao contrário do que dizem das pessoas deste signo. Também sou bastante tímida com quem não conheço bem, apesar de não parecer [risos]. Há algumas características de Gémeos que não têm mesmo nada a ver comigo!
Como é que encarou a en­trada nos 40?
– Para mim está a ser apenas mais um ano, com novas experiências que me fizeram crescer mais um pouco. Todas as idades têm o seu encanto... É muito bom aprender, evoluir, viver melhor connosco próprios. A idade traz-nos isso, o sabermos saborear melhor a vida, com uma maior tranquilidade. Aprendi a eliminar o supérfluo. A idade, até agora, só me tem trazido coisas boas!
– Quer dizer então que não gostava de ter novamente 20 anos?
– Só gostava de voltar a ter 20 anos para ter mais tempo para viver. De facto, os 40 são uma idade muito especial, muito bonita.
E como é que lida com as mazelas do tempo que vão aparecendo?
– Curiosamente, nunca me senti tão bem como me sinto agora! Lá está, tem a ver com a segurança interior que a idade me trouxe. Ainda não senti o peso da idade, mas acho que vou aceitar essa transformação de forma muito natural.
– Não começou já a sentir a pressão para se casar ou ter filhos?
– Não me sinto nada pres­sionada!
Mas não tem esses planos para si?
– Não coloco, de forma alguma, essa imposição a mim própria. Enquanto eu estiver feliz com as minhas escolhas, para mim é o que mais importa. Muito sinceramente, não dou a menor importância ao peso que a sociedade coloca nessas questões. Cada um tem o direito de fazer as suas próprias opções e o que interessa é estarmos felizes.
É influenciável?
– Nada! Gosto de uma boa discussão e que me desafiem com ideias diferentes das minhas. Não tenho qualquer problema em mudar a minha opinião em relação a um assunto se reconheço que os argumentos são válidos. Mas dificilmente me deixo influenciar!
Tem as emoções à flor da pele?
– Sem dúvida de que sou muito mais emocional do que racio­nal. Procuro é encontrar um equilíbrio entre as duas coisas.
E ‘salta-lhe a tampa’ com relativa facilidade?
– Já não, aprendi a relativizar muita coisa. Mas quando era mais nova era muito impulsiva!
Já deixou alguma coisa por dizer a alguém?
– Já devo ter deixado, mas não deve ter sido nada de muito importante, senão lembrava-me...
Por norma, gosto de dizer no imediato aquilo que estou a pensar ou a sentir. Mesmo em situações mais delicadas, que possam ferir suscetibilidades, prefiro não deixar nada por dizer.
Como é que se supera a morte de um pai aos 18 anos?
– Aprende-se a viver uma nova realidade, mas tive o apoio da minha família e com amor lá se vai conseguindo. A saudade nunca passa... A verdade é que me lembro do meu pai todos os dias!
– Neste momento está apaixonada?
– [Risos]. Sim, sou uma apaixonada pela vida! Mas não tem de correr sempre tudo às mil maravilhas. Aliás, os momentos maus são os que mais nos ensinam.

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