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Bárbara Guimarães angustiada: “Ele não vai parar enquanto não me destruir”

Manuel Maria Carrilho e Bárbara Guimarães encontraram-se em tribunal na primeira audiência do julgamento por violência doméstica e evitaram-se ao máximo.

CARAS
28 de fevereiro de 2016, 16:00

“Confesso que estive a ver fotografias do vosso casamento e tudo parecia maravilhoso. Eram de sonho.” Quem o disse foi a juíza Joana Ferrer, dirigindo-se a Bárbara Guimarães, na primeira audiência do julgamento em que Manuel Maria Carrilho é acusado de violência doméstica, e que aconteceu no passado dia 12. E apesar da sua evidente fragilidade, a apresentadora foi clara na resposta: “Isto não foi um ca­samento de sonho ou cor-de-rosa! Quando me casei, pensei que era para a vida. Tanto que integrei muito a família do meu ex-marido em nossa casa. E vi as coisas desmoronarem-se ao ponto de a minha própria família já não se sentir bem em minha casa. Foi um acumular de situações em que a pessoa já está tão desfeita, com um casamento que não existe.” E esta será a dura realidade que Bárbara Guimarães tentou esconder ao máximo enquanto durou, mas que agora assume numa voz trémula perante o tribunal.
Casada com Manuel Maria Car­rilho desde abril de 2003, a apresentadora revela que sempre houve momentos em que o agora ex-marido revelou um lado conflituoso, como a falta de pudor em ofendê-la. “Estúpida” e outras injúrias semelhantes terão sido usadas com frequência para atacar Bárbara anos antes do início das supostas agressões físicas. Mas o ponto de rutura aconteceu, segundo a apresentadora contou em tribunal, após o nascimento da filha, Carlota, agora com cinco anos. “Diria que o período mais complicado da minha vida foi depois do nascimento da minha filha, em que as coisas se foram agravando. Coincidiu com o regresso do meu ex-marido de Paris [onde esteve como Embaixador da UNESCO]. Ele veio muito angustiado com a saída do cargo e começou a isolar-se. Não queria ouvir barulho em casa, o que, com crianças, é complicado, começou a controlar os meus passos, a dar opiniões negativas sobre o meu trabalho, a afastar a minha própria família... Eu estava a apresentar o Portugal Tem Talento, programa que teve muito sucesso, e estava feliz, e isso começou a enervá-lo. Dizia: ‘Vais acabar com a tua carreira. Andas armada que és jovem, como as tuas colegas, e não és.’” A apresentadora diz que Manuel Maria Carrilho usou o filho para conseguir aceder ao seu telemóvel e, desta forma, controlar o que fazia e com quem falava. “O Dinis disse-me que o pai lhe tinha pedido para descobrir o código do meu telefone. E as discussões eram provocadas pelas mensagens que lia. Houve uma do João Manzarra que deu uma grande discussão. E depois dizia coisas como: ‘Por onde andaste? Já não tens idade para esses decotes e saias curtas’”, relatou em tribunal. De costas para Manuel Maria Carrilho, que ora esboçava sorrisos, ora tomava notas, Bárbara Guimarães respondeu, durante quatro horas, a todas as perguntas que a juíza e a procuradora do Ministério Público lhe dirigiram. Nervosa, de semblante carregado e abatida, a apresentadora teve que recordar, vezes sem conta, todos os momentos em que foi vítima de violência doméstica. “As discussões mais a sério começaram em 2012. E a primeira agressão física foi por ciúmes do Futre, que era jurado no Toca a Mexer. Depois de um direto, cheguei a casa e ele disse: ‘Já percebi que andas a fornicar com o Futre. É o que tu gostas, de gente mentecapta. É o teu tipo de homem.’ Depois, agarrou-me pelos braços – fiquei marcada – e deu-me dois pontapés. Ele ficava tipo aço, não me conseguia mexer”, explicou. Após esta descrição, a juíza não escondeu a sua incredulidade por Bárbara nunca ter ido ao hospital depois de cada agressão. “Cau­sa-me alguma impressão a atitude de algumas mulheres vítimas de violência, algumas das quais acabam mortas. Eu censuro-a!”, disse Joana Ferrer, apontando o dedo diretamente para Bárbara, com ar reprovador. “Não fui ao hospital por vergonha!”, admitiu a apresentadora. “Nunca pensei que pudesse dizer que este senhor me batia. Não me punha na situação da vítima. Estava com uma pessoa que virava monstro e a culpa era minha porque era burrinha, como ele dizia. Custava-me assumir, como mulher e figura pública, que era vítima de violência doméstica”, reconheceu. A juíza Joana Ferrer insistiu: “Depois de ler a acusação, fui à procura de prova pericial e encontro uma coisa insólita: uma perícia a fotografias. Fiquei boquiaberta. Eu podia estar calada, mas estou a antecipar-lhe já o que me estão a parecer as coisas. Digo-lhe de coração aberto, minha querida, uma perícia a fotografias para mim vale zero.”
Bárbara Guimarães continuou a reviver em tribunal, sempre que lhe era pedido, os momentos mais violentos do seu casamento: “No final do Toca a Mexer digo-lhe que é melhor pensarmos numa separação, e isso agravou ainda mais a situação. Em janeiro de 2013, ele disse-me que nunca me ia deixar.” Três meses depois, Bárbara fazia 40 anos e decidiu fazer uma festa. “O meu ex-marido achava que era patético e uma estupidez: ‘Vais celebrar o quê? A tua decadência?”, contou na audiência. “Durante a festa, duas amigas ofereceram-me um cão – nós tínhamos uma cadela, mas foi atropelada pelo meu ex-marido acidentalmente. E ele disse: ‘Que estupidez, elas acabaram com o meu casamento’ e foi ter com elas para as ofender. No fim, íamos ao [bar/discoteca] Jamaica e ele não queria ir. Quando lhe disse que eu ia, agarrou-me no braço: ‘Não vais nada, vais já para casa ou nunca mais vês os teus filhos’.” Um amigo interveio e, nessa noite, dormi no sofá”, admitiu.
Bárbara diz que reconhecia no marido o medo que ela partilhasse com alguém os episódios que agora relatou em tribunal, mas que isso não impediu o professor universitário de manter o comportamento que denuncia. “Em maio, dias antes dos Globos de Ouro, ele entra no quarto enquanto eu estava a vestir a camisa de noite. ‘Pensas que te deixo? Pensas que algum dia vais sair deste casamento? Atreve-te a fa­zê-lo e ficas sem filhos, sem nada’, disse-me. Depois, agarrou-me pelos cabelos e atirou-me contra um armário. Quando caí, bati com a cabeça”, explicou. As agressões terão prosseguido nos meses seguintes, agravando-se sempre que a apresentadora voltava a pedir o divórcio. “Era muito difícil a comunicação entre nós. Ele dizia que a culpa era toda minha, que eu é que me punha a jeito por querer destruir a nossa família. Tinha muito medo! Ele parecia possuído pelo demónio quando me batia. Ficava tão mau que eu nem conseguia reagir. Cheguei a pensar que ele não tem noção do limite e que vai até ao fim se for preciso. Ele sempre me disse que nunca perdeu uma guerra, que não ia perder esta. E não vai parar enquanto não me destruir”, declarou, angustiada.
Em agosto desse ano, Bárbara rumou ao Brasil para umas férias com os filhos. Quando regressou, terá vivido uma das agressões “mais duras”, como a caracterizou no seu testemunho. “Ele ficou danado porque o Dinis vinha muito feliz e começou a bater-me muito, ao ponto de eu sair de casa.
Deu-me pontapés, um murro no peito, agarrou-me os braços, fiquei muito magoada nas pernas... Liguei à irmã dele e disse: ‘Levei uma tareia’. Acho que só consegui usar esta palavra com ela. Ela aconselhou-me a passar a noite em casa de uma amiga, mas eu voltei para minha casa. Nessa mesma noite, ele foi buscar a Carlota à cama e disse: ‘Vês, Carlota, a tua mãe quer destruir-nos’. Tiro-lhe a Carlota e ele pega numa faca e diz: ‘Mato-te a ti, aos teus filhos e mato-me a mim’.”
A viver num constante terror, Bárbara tenta que a irmã e o pai passem o máximo de tempo possível em sua casa. “Sentia-me mais protegida”, confessou. Mas as agressões não terão parado. “Em setembro, ele começou a dar-me murros dentro do carro e eu saí num sinal vermelho”. Semanas depois, enquanto Bárbara tomava banho, Carrilho terá voltado a agredi-la. “Entrou, olhou para mim e disse: ‘Olha para ti, estás velha, decadente, com as peles caídas’. Disse-lhe para sair e ele ria-se. Lembro-me de lhe ter dito qualquer coisa como ‘vai ver filmes pornográficos’. Depois voltou com uma máquina fotográfica, tirou-me fotografias e disse que eu é que ia para os sites pornográficos. Voltou a sair e mais tarde regressou para me agredir.” A gota de água aconteceu dias depois. “Antes de ele partir para Paris, agarrou-me, deu-me pontapés, depois chorou imenso, pediu desculpa, disse-me que era uma situação de amor/ódio, para eu não levar isto tão a peito. Aqui tive a certeza de que ele era capaz de me matar. Levou-me para o sótão e disse: ‘Estás a ver estas escadas? Bates na escultura do teu pai e eu e os teus filhos vamos rezar no teu funeral’. E eu acreditei nisto!”, assumiu. Depois deste episódio, Bárbara acabou por desabafar com a irmã de Carrilho. “Falei com o meu cunhado, que é advogado, e com a minha cunhada, disse-lhes que o casamento tinha que chegar ao fim, que estava muito complicado. Eles disseram-me que ia ser muito difícil de resolver. ‘Ele não te vai largar’. Tinham o exemplo do casamento anterior”, explicou a apresentadora, reconhecendo que o seu maior receio era ficar sem os filhos. “Tive medo que ele pudesse raptar os miúdos, que os levasse e que pudesse ‘fazer’ a cabeça do Dinis. Se eu própria me senti manipulada por ele... Fui vendo o meu filho a mudar nestes dois anos. E é uma pena, o Dinis não merece isto!”, desabafou, explicando que os filhos passaram a insultá-la com frequência: “Tu és como o pai diz, és uma analfabeta.”
Depois da última agressão física, Bárbara aproveita a ausência do marido para mudar as fechaduras de casa e o desfecho, como se sabe, torna a história pública. “Não me arrependo de ter tomado esta decisão. Tenho é pena de ter sido assim. Mas a minha atitude foi dizer que sim, sou vítima. A minha escolha foi ficar viva! Hoje em dia fico triste por não ter agido como devia. Tinha-se resolvido muita coisa. Se ele me tivesse dado o divórcio, eu não dizia a ninguém que ele me batia. Psicologicamente, a pessoa sente que tem culpa de ser tratada assim”, assumiu à juíza, confessando: “Continuo a ficar envergonhada com isto tudo”. Recorde-se que o ex-ministro chegou a tentar arrombar a porta, mesmo depois de Bárbara ter apresentado uma queixa-crime e ter iniciado o processo de divórcio. Nesta audiên­cia, o arguido preferiu não falar, mas, à chegada ao tribunal, disse: “Vou rebater esta acusação com a maior das tranquilidades e espero que a justiça se faça em simultâneo com o apuramento da verdade.”

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