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As confissões de Angelina Jolie

Nesta entrevista, no âmbito da promoção do filme ‘O Panda do Kung Fu 3’, a atriz fala do amor pelos filhos, da paixão pelo marido, Brad Pitt, e do difícil processo que passou por causa da dupla mastectomia.

CARAS
28 de fevereiro de 2016, 10:00

Passaram apenas alguns meses desde que vimos Angelina Jolie e Brad Pitt em Junto ao Mar, o filme onde contracenam e dão vida a um casal em crise. Ela interpreta uma bailarina que vê a sua carreira desabar, Pitt veste a pele de um escritor alcoólico. A longa-metragem foi gravada no sul de França e é a primeira onde os dois atores contracenam desde Mr. & Mrs. Smith, em cuja rodagem se conheceram e apaixonaram, em 2005. E apesar de ter interpretado papéis mais dramáticos, Angelina sempre gostou de emprestar a sua voz a Tigress, uma das personagens principais de O Panda do Kung Fu 3. E foi no âmbito da promoção deste filme de animação que a atriz deu esta entrevista na qual o marido, Brad Pitt, e os seis filhos – três adotados, Maddox, de 14 anos, Pax, de 11, Zahara, de dez, e três biológicos, Shiloh, de nove, e os gémeos, Knox e Vivienne, de sete – são os protagonistas.
– Os filmes da série O Panda do Kung Fu são uma oportunidade para entrar num mundo mais divertido?
Angelina Jolie –
Geralmente sou muito alegre quando estou em casa com os meus filhos. As pessoas costumam ver-me em papéis mais sérios ou a falar de histórias difíceis, como nos filmes Junto ao Mar e Invencível, e ficam com uma impressão diferente de mim. Mas entusiasma-me interpretar a Tigress e entrar nesse mundo da imaginação.
– O que é que os seus filhos pensam do seu trabalho nestes filmes?
Todos eles adoram o Po, a personagem principal do filme, interpretada pelo ator Jack Black. Ficam felizes por ver a mãe fazer parte da história, mas na realidade o Po é o herói deles, porque é diferente e adotado, o que é muito relevante para a nossa família. Quando estou com os meus filhos, a energia deles é muito contagiante. Acabo por me esquecer das preocupações e sinto simplesmente uma enorme alegria por estar com eles.
– Acredita que hoje em dia as crianças estão a crescer demasiado depressa e são bombardeadas com demasiada informação acerca do que se passa no mundo?
É muito mais difícil para as crianças preservarem a sua inocência. Com os mais velhos, é preciso ajudá-los a entender o que se está a passar, mas também quero que enquanto estão a crescer aprendam sobre História e Literatura e outras coisas que os ajudarão a obter uma maior perspetiva da vida. Como pais, queremos criar um ambiente seguro e feliz onde os nossos filhos se sintam amados e seguros. É o mais importante. Se assim for, constroem a sua autoestima e isso ajuda-os a enfrentar os problemas que possam vir a ter.
– Em Junto ao Mar, teve uma experiência emocional tanto como realizadora como atriz que poucos poderiam imaginar.
Escrevi a história enquanto vivia o luto pela perda da minha mãe. Era importante para mim contar uma história que pudesse demonstrar a minha dor e explorar a minha própria tristeza. A nível pessoal, era importante para fazer uma homenagem à minha mãe. Senti-me inspirada por ela.
– Estava a pensar na sua mãe quando escreveu o papel da sua personagem?
Não se tratou disso. Estava a chegar aos 40 e foi com essa idade que muitas mulheres da minha família começaram a adoecer [a avó, a mãe e a tia morreram com cancro]. A minha mãe disse-me que se sentia atraiçoada pelo seu corpo e tive exatamente a mesma sensação. Estava no processo de realização do filme quando o meu médico me chamou e me disse que algo estava mal. Tive de enfrentar outra batalha, e foi quase libertador, porque me deu um sentido de consciência e de vulnerabilidade enquanto trabalhava.
– Foi difícil fazer cenas de confronto com o seu marido?
A primeira semana foi a mais difícil para nós, porque o Brad sabia que eu estava preocupada e impaciente. Eu também estava a ter problemas em conseguir explicar-lhe como teria de ficar revoltado com a minha personagem. E isso é difícil, porque não queremos que os nossos problemas pessoais inter­firam no processo de interpretação. Mas conversámos e decidimos que íamos ser completamente honestos um com o outro, não escondendo os nossos sentimentos acerca de qualquer assunto.
– Alguma vez pensou que podia pôr a sua relação em risco?
Era a nossa maneira de provarmos isso a nós mesmos. Ambos sabíamos que se conseguíssemos fazer aquele tipo de filme, iríamos sair de todo o processo mais fortes e mais felizes. E assim foi. Era muito mais fácil para mim rodar um filme de guerra que retratar um casamento que passa por um mau momento e estar a fazer essas cenas com o meu próprio marido. Mas sempre nos mantivemos firmes, no entanto foi mais perigoso para nós enquanto casal. Porém, não creio que queiramos passar por isso de novo.
– Que tipo de mãe é?
Sou muito aberta e muito ligada aos meus filhos. Sou muito honesta com eles, falo frequentemente sobre problemas maiores de modo a que não tenham medo de coisas que não entendem e não cresçam com ilusões sobre o mundo que os rodeia. Também quero que sejam capazes de explorar a sua imaginação, de se rirem de si próprios e de desfrutar da sua juventude. Eu e o Brad queremos que eles cresçam e se preparem para o mundo real e que saibam que vamos estar sempre aqui para os apoiar.
– É mais fácil criar seis crianças agora, em comparação com o momento em que nasceram os gémeos?
O primeiro ano foi o mais duro, simplesmente porque não era capaz de passar tanto tempo com os nossos outros filhos como fazia antes. Preocupei-me por isso, mas o Brad esteve genial cuidando deles e assegurando-se de que eu dormia o suficiente e que tudo estava bem em casa. Foi muito bom vê-lo tão carinhoso e generoso, embora, por vezes, estivesse esgotado. No entanto, agrada-me a ideia de ter uma grande família, nunca re­nunciando à responsabilidade que daí advém.
– Têm regras e rotinas muito específicas no dia-a-dia?
As crianças têm os seus próprios pro­fessores, que se dedicam a ajudá-los com os estudos. A hora da refeição também é muito importante, embora às vezes possa ser caótico, o ambiente em casa é sempre acolhedor e gratificante.
– Depois do casamento adotou o apelido do seu marido, que significado tem isso?
Foi uma maneira de nos aproximar­mos dos nossos filhos. Queria que tivéssemos todos o mesmo apelido e acho que ficaram contentes por isso.
– Os vossos filhos tiveram um grande peso na decisão do vosso casamento [em agosto de 2014]?
Uma das coisas mais importantes que aprendi acerca do Brad foi o facto de ele estar profundamente envolvido no seu papel de pai. Quando assinou os papéis de adoção do Maddox e da Zahara, tive a certeza de que queria estar com ele o resto da vida.

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