Nas Bancas

Isabel e Ana Stilwell: Cumplicidades construídas no feminino

A escritora e jornalista recebeu-nos em sua casa, em Sintra, e posou para a CARAS ao lado da filha Ana e das netas, Carmo, Madalena e Marta.

Marta Mesquita
27 de fevereiro de 2016, 12:00

Emoldurada pela bruma e pelo verde cinematográficos de Sintra, a casa de Isabel Stilwell é o castelo mágico das suas netas gémeas, Carmo e Madalena, de cinco anos, que ali vivem com a avó dias memoráveis de brincadeira, em que se fazem caças ao tesouro, se montam puzzles de palácios e se contam histórias de princesas. A estas aventuras infantis jun­tou-se, há nove meses, mais uma neta, Marta, que começa agora também a apaixonar-se por esta avó presente e brincalhona.
Nesta ilustração colorida e repleta de afetos há ainda lugar para Ana Stilwell, filha da escritora e mãe das três meninas. Tal como Isabel, a cantora tem na família a sua maior fonte de inspiração, revelando-se uma mãe dedicada, que tem sabido conciliar a maternidade com todos os seus outros papéis. Durante uma manhã passada neste ‘mundo encantado’, Isabel e Ana conversaram com a CARAS e partilharam um pouco desta cumplicidade no feminino, que agora se multiplica por cinco.
Isabel, com duas netas já mais crescidas, consegue dar tanta atenção à Marta como deu às gémeas quando nasceram?
Isabel Stilwell – Quando nos estreamos no papel de avós logo com gémeas sentimos que nos saiu o jackpot, porque há sempre uma que precisa do nosso colo. Há muitas mais oportunidades para intervirmos. E acho que a Marta só ficou à vontade comigo muito mais tarde do que as irmãs. Porque a Ana andou sempre com ela para todo o lado, o que não acontecia com as gémeas. Por isso, quando a Marta estica os braços para vir para o meu colo fico extasiada, porque ela é mesmo muito apegada à mãe.
Ana Stilwell – Quando as gémeas nasceram, a minha mãe ajudou-me imenso, e agora com a Marta quase tive necessidade de a ver como só minha. Contudo, a minha mãe está sempre presente, tanto fisicamente como nas escolhas que faço. Ela está sempre dentro da minha cabeça. Partilhamos muitas ideias sobre educação, o que me ajuda a ser uma melhor mãe.
– Para a Ana está a ser uma experiência muito diferente ser mãe só de um bebé?
– Sim, é mesmo muito diferente, sobretudo quando já somos mães. Com dois bebés, a logística dos dois primeiros anos é mesmo uma loucura, porque temos sempre muitas coisas para fazer. Agora há tempo para brincar e para aproveitar mais. Vivo o aqui e o agora, sem ansiedades. Tento estar presente e ouvi-las. Claro que há dias mais difíceis, mas tenho sempre esta intenção. Sou uma mãe realista, mas sonho todos os dias em ser melhor. Contudo, tenho de aceitar que não sou perfeita e confesso que vivo muitas vezes com sentimentos de culpa por tudo aquilo que ainda não faço como gostaria.
– Sente que, neste momento, o seu papel de mãe é aquele que melhor a define?
– Sempre liguei muito à família. Sinto que sou mãe por inteiro e nem me consigo imaginar sem esse papel na minha vida. No entanto, tento ter espaço e tempo para outras coisas, como a música, e para estar com o meu marido. Mas mesmo nessas outras dimensões não deixo de ser mãe.
– A Madalena e a Carmo aceitaram bem a chegada da irmã?
– Depois de uma fase mais turbulenta, em que houve alguns ciúmes das minhas filhas mais velhas, sinto que está tudo mais calmo. As irmãs adoram a Marta e competem muito pela sua atenção. Elas são mesmo apaixonadas pela bebé.
– A Isabel esteve sempre muito presente na vida das suas netas mais velhas. Que relação têm hoje?
Isabel
– A nossa relação é cada vez melhor. Há um passado conjunto e já temos muitas referências a três. Já construímos muitas memórias. E como estão mais crescidas e curiosas é cada vez mais desafiante e divertido estar com elas.
Ana – A minha mãe e as gémeas têm uma relação muito forte e independente de mim: têm os seus segredos e as suas aventuras. Elas têm mesmo prazer em ficar com a avó. É muito giro ver a relação que desenvolveram.
– O que gostaria que as suas netas aprendessem consigo?
Isabel
– Os netos têm o poder de nos rejuvenescer, porque nos levam a fazer coisas que já não fazíamos. São também bons antidepressivos. Sinto que um bocadinho de mim vai ficar dentro delas, o que me dá uma sensação de eternidade. Vou desaparecer, mas elas vão continuar-me, de alguma maneira. Gostava muito de lhes transmitir a importância da generosidade e de olhar para o mundo como um sítio com muitas oportunidades. Também gostava que valorizassem o sentido de humor e a capacidade de se rirem de si próprias. Acho que em Portugal temos pouco essa capacidade de nos pormos em causa.
– Além de avó, continua a ser mãe. A relação com a Ana, que é a única dos seus filhos que já é mãe, mudou muito?
– Sim. É bom ver a Ana a amadurecer e a tornar-se uma mãe que toma as suas próprias opções, que são, muitas vezes, diferentes das minhas. Claro que nem sempre é fácil e é preciso aprender a respeitar a nossa filha como alguém diferente de nós. Contudo, os nossos valores essenciais são os mesmos. Mas fomos mães em épocas diferentes, o que mu­da logo muita coisa. A parte mais difícil de ser avó é perceber que, tal como os filhos, os netos não são nossos. Não controlamos o que os netos vestem, comem ou para que escola vão. E isso, para uma avó pode ser complicado de gerir, porque estamos próximos, mas não mandamos. Desde que escrevi o Diário de Uma Avó Galinha tenho ido a várias es­colas falar com avós e percebo que esta questão é muito sentida por todos, sobretudo quando esperaram tanto por um neto que depois tem de se dividir por uma série de pessoas.
– Além de romances históricos, a Isabel tem escrito bastante sobre a relação de pais e filhos e mesmo de avós e netos, seja em livros, seja em crónicas. Está, portanto, a passar por um período de um grande dinamismo profissional...
– Sim, o livro D. Teresa correu muito bem e já estou a pesquisar para escrever sobre uma nova rainha. Também estou a reeditar os meus romances históricos. No caso de Filipa de Lencastre, foi muito fascinante fazer um roteiro pelos seus caminhos, que é agora publicado com esta nova edição. É uma mais-valia para quem queira conhecer mais sobre esta rainha.
– E a Ana quer dar um novo fôlego à sua carreira na música?
– Sim, estou completamente dedicada à música. Vai haver muitas mudanças e várias surpresas... Vou fazer uma edição física do meu disco, Take My Coat, para apoiar a causa dos refugiados. Compus muito durante esta gravidez e quero reunir as minhas músicas e ver o que posso fazer a seguir. Além disso, também escrevi um livro para crianças, A Minha Mãe Tem o Sol na Barriga, que deve ser publicado em fevereiro. E estou ainda a escrever um outro livro, cujo título é Tudo o que não me Contaram Sobre a Gravidez, no qual abordo alguns assuntos relacionados com esta fase e dos quais ninguém fala.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras