Nas Bancas

Brie Larson: "Nunca senti que me faltasse alguma coisa"

Aos 26 anos, é uma das favoritas na corrida ao Óscar de Melhor Atriz.

CARAS
21 de fevereiro de 2016, 14:00

Depois de ter ganhado o prémio de melhor atriz nos Golden Globe, nos Critic’s Choice e nos Screen Actors Guild, a americana Brie Larson, de 26 anos, é claramente favorita na corrida ao Óscar. Não é de estranhar se tivermos em conta o exigente papel que interpreta no filme Quarto: o de uma mulher raptada por um homem que a mantém sete anos presa num pequeno quarto, um anexo situado no jardim da casa, e a força a uma relação íntima da qual nasce um filho, Jack, que nada mais conhece nos primeiros cinco anos de vida do que esse espaço exíguo. É graças à extrema habilidade e imaginação da mãe que nunca se chega a aperceber da situação terrível em que vivem ambos.
Nascida a 1 de outubro de 1989, em Sa­cramento, capital do Estado norte-americano da Califórnia, Brianne Sidonie Desaulniers mudou-se ainda criança para Los Angeles com a mãe e a irmã, na sequência da separação dos pais, ambos quiropráticos. Foi muito jovem que decidiu tentar a sua sorte como atriz, inscrevendo-se no conservatório de teatro. O nome artístico que adotou combina um diminutivo do seu nome próprio com o apelido da avó. Estreou-se aos sete anos, fez séries de televisão e alguns filmes – acumula o trabalho de atriz com o de cantora e já gravou um disco –, mas continua a ser-lhe fácil passar despercebida na rua. O anonimato, obviamente, não irá durar.
Não foi por acaso que Brie decidiu imediatamente submeter-se ao casting para o filme depois de ter lido o livro de Emma Donoghue que lhe dá origem, O Quarto de Jack. “Quando me mudei de Sacramento para Los Angeles, tinha sete anos e a minha irmã três ou quatro. Fomos morar para um estúdio só um pouco maior do que aquele quarto e também só tínhamos uma porta que o separava da casa de banho. A cama encaixava na parede, era mesmo ‘o quarto’. Eu só tinha dois pares de jeans, algumas camisolas e um par de sapatos, a minha irmã e a minha mãe, a mesma coisa. E talvez meia dúzia de brinquedos. A minha mãe mal tinha dinheiro para comermos e lembro-me desses tempos como os mais felizes da minha infância. A minha mãe tinha uma imaginação incrível e incutia tanta vida àquele espaço que nunca senti que me faltasse alguma coisa”, revela, acrescentando: “Mas agora houve também um momento que me fez lembrar que por vezes acordava de noite e via a minha mãe a tapar a boca com as mãos para não fazer barulho enquanto chorava descontroladamente. Tremia e soluçava e eu não sabia porquê, só pensava que era como quando alguém me roubava um brinquedo. Tinha criado um mundo de fantasia com a minha irmã... Só anos mais tarde percebi que nos tínhamos mudado porque o meu pai tinha pedido o divórcio e que ela estava a lidar com tudo aquilo sozinha.”
Em retrospetiva, Brie encontra nesta fase da sua infância uma das razões que a levaram a entusiasmar-se por este trabalho: “Às vezes, não nos apercebemos imediatamente por que razão nos sentimos tão atraídos por um projeto como eu me senti pela história deste filme, mas é óbvio que em grande parte é porque acaba por estar relacionado com a minha vida.” Talvez por isso lhe tenha sido tão fácil tornar credível a personagem que poderá valer-lhe o primeiro Óscar.

Palavras-chave

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras