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Teresa Tavares: “É importante saber o que sou e isso está cada vez mais claro”

Embora seja muito discreta em relação à sua vida pessoal, a atriz, de 33 anos, assume que não está solteira. “As relações fazem-me todo o sentido e tenho sido muito feliz”, confessou-nos, sorridente.

Vanessa Bento
20 de fevereiro de 2016, 12:00

Um dia antes de partir para Bragança, onde vai estar nos próximos meses a gravar o novo filme de João Canijo, Teresa Tavares passou uma tarde com a CARAS durante a qual mostrou que aquela menina que se estreou há 15 anos na televisão é agora uma mulher com o caminho bem definido e cheia de coragem para agarrar os sonhos que a fazem voar para onde quer.
– Fez 33 anos há duas semanas. Como é que se sente em relação à sua idade?
Teresa Tavares – Sinto-me bem! Estou contente com a idade que tenho. Supostamente, depois dos 30 ficamos mais adultos, mas não sei se sinto isso.
– O passar dos anos não a deixa ansiosa?
– Não, mas começo a pensar que daqui a 30 anos terei 60 e pergunto-me se irei conseguir fazer todas as viagens que quero fazer, tudo o que ainda tenho para andar... Mas não é uma coisa que me crie ansiedade. Pelo contrário, acho que há coisas interessantes. Isto de ficarmos mais seguras de nós próprias é bom. As coisas são o que são, eu sou o que sou e está tudo bem assim.
– A idade ensinou-a a relativizar?
– Muito e acho que isso é muito importante. Hoje tenho mais assumido o que sou, sei para onde vou. Não sei quais são as curvas do caminho, e assim é que tem graça, mas sei perfeitamente o que estou a fazer. Tenho um lado muito inseguro e acho que é bom assumir isso. Para mim, é importante saber o que sou e o que quero e isso torna-se cada vez mais claro.
– Fazendo um balanço da sua vida, a que conclusões é que chega?
– Que a melhor coisa que Deus inventou foi um dia a seguir ao outro [risos]. Que não sei, de facto, o que me vai acontecer e é importante aproveitar cada momento. E que a coisa mais extraordinária de não saber o que pode acontecer é que podem acontecer coisas muito melhores do que o que imaginei. E isso aprende-se com a idade. A vida ensinou-me a aceitar e a ver as coisas maravilhosas que nos acontecem, mesmo sem serem programadas. Na realidade, tudo está sob controlo, só nos resta relaxar e aproveitar cada momento.
– Sente-se feliz com as escolhas que tem feito para a sua vida, tanto profissional como pessoalmente?
– Sim. Acho que o talento todo – e quando digo talento não me estou a restringir à vida profissional – reside na escolha e nem sempre é fácil fazer essas escolhas. Uma das coisas que aprecio mais na vida é a coragem. É ela que baliza isto tudo. É a coragem que permite que tomes as decisões que estão de acordo com o que tu és, que sejas justo e audacioso. E tento sempre estar rodeada de pessoas que me permitam viver nessa coragem.
– Já disse que desde criança que considera o cinema mágico e agora faz parte dessa magia. É um orgulho?
– É uma grande felicidade. Agradeço todos os dias por fazer o que amo e por ter oportunidade de o fazer em diferentes áreas, com diferentes pessoas e a contar diferentes histórias. Sou profundamente grata e penso nisso todos os dias. Não dou nada como adquirido.
– Já disse diversas vezes que ser atriz é a sua forma de expressão e de estar na vida. Sente que foi a profissão que a escolheu?
– Se pensar bem nisso, provavelmente sim. Chegou ali uma altura –no meu caso foi bastante cedo – em que soube que era aquilo. Acho que foi uma daquelas coisas que se tornam absolutamente claras. É isto que quero fazer, é isto que me faz sentido...
– E foi a esta profissão que já dedicou metade da sua vida...
– Ai, pois é. Passou a voar. É engraçado perceber, de repente, que já passaram 15 anos e que já aconteceu tanta coisa. É incrível. Pensar nisso faz-me valorizar cada coisa, porque tenho que aproveitar cada voltinha, cada oportunidade e cada nuvem que surge. Porque, de facto, tudo o que me aconteceu fez de mim o que sou hoje.
– E neste percurso há alguma coisa de que se tenha arrependido?
– Se me arrepender é de alguma coisa que não disse ou que não fiz. Não sou dada a arrependimentos.
– E ao longo deste tempo tem sido fácil equilibrar a vida pro­fissional com a pessoal?
– Isto pode parecer estranho, mas é tudo a mesma coisa. Toda a minha vida anda à volta do facto de ser atriz. Tenho horários que não são convencionais, portanto, faço a minha vida em função disso e tem corrido bem. Se o equilíbrio é perfeito? Claro que não, mas há um equilíbrio possível. Se agora, por causa de um projeto, tenho que estar longe de casa durante alguns meses, es­tou, porque escolhi estar e tiro o melhor desse momento. Tento não separar a minha vida pessoal da profissional. Grande parte da minha vida acontece na corda bamba, por força das circunstâncias. E isso tem coisas perigosas, mas também alician­tes. E é por isso que continuo a andar na corda bamba.
– Desde que terminou uma relação que mantinha há vários anos não voltou a assumir nenhum namoro. É por opção ou porque está, de facto, solteira?
– [Risos] É por opção. A minha vida pública tem a ver com o meu trabalho e com a exposição que ele me pede. A partir do momento em que a minha vida pessoal não se mistura com isso, não faz sentido para mim expô-la. Vou ser completamente aberta em relação a isto: sou atriz e faço vários papéis e o mais importante para mim é que as pessoas, quando vão ao cinema, ao teatro ou ligam a televisão, acreditem piamente naquela pessoa que está ali. É para isso que trabalho. E esta opção tem a ver com isso, não tem a ver com qualquer salvaguarda de outra natureza. Tenho um respeito profundo pela minha profissão e pelo que estou a fazer.
– Estando nos 30, já sente a pressão que a sociedade impõe às mulheres para se casarem e terem filhos?
– Sou muito feminista, portanto, custa-me muito que essa pressão seja especialmente exercida sobre as mulheres. Custa-me que se sinta essa pressão e que isso tenha uma importância tão grande. As relações fazem-me todo o sentido, e tenho sido muito feliz, mas não é por pressão da sociedade, é porque me torno melhor pessoa, porque estou a partilhar coisas com uma pessoa que amo e a quem me dedico e o nosso caminho, enquanto mulheres, é libertarmo-nos dessa pressão. Também não acho que tenhamos de mudar um padrão de vida porque temos um filho. Não sou mãe e se calhar vou mudar de opinião quando for, mas pretendo continuar a fazer espetáculos e sair à uma da manhã, ou a gravar logo de manhã fora de Lisboa, quando tiver um filho. As coisas não são pretas nem brancas. E o meu conceito ideal de família é nesta medida, encaixar tudo na minha vida tal como ela é. Ou seja, se agora tiver um filho, não me parece que vá deixar de fazer as coisas que já faço. Claro que vai mudar muita coisa, mas isso não.

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