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Julgamento de Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho suspenso

A juíza Joana Ferrer pode ser afastada do processo.

CARAS
18 de fevereiro de 2016, 17:37

As “expressões utilizadas” por Joana Ferrer na primeira sessão do processo de violência doméstica movido por Bárbara Guimarães contra o ex-marido, Manuel Maria Carrilho, fizeram com que o advogado da apresentadora entregasse esta quarta-feira, dia 17, um pedido de recusa da juíza, alegando falta de imparcialidade. Como tal, a sessão agendada para sexta-feira, dia 19, fica adiada e o processo suspenso até que o Tribunal da Relação de Lisboa tome uma posição em relativamente ao requerimento apresentado por Pedro Reis. De referir que também o Ministério Público entregou um pedido de recusa da magistrada.
Na primeira audiência do julgamento, Joana Ferrer censurou a apresentadora por nunca ter apresentado queixa, tratando-a sempre pelo primeiro nome, enquanto o arguido foi sempre tratado por “senhor professor”, algo que foi considerado discriminatório. A certa altura, a procuradora que questionava Bárbara Guimarães disse à apresentadora, a propósito do facto de ela não ter denunciado logo as alegadas agressões do ex-marido: “Não tem de se justificar ao tribunal por que é que não foi ao médico. Ninguém a pode censurar”. Mas a quando a apresentadora contou que continuava a dar uma imagem pública de que tudo estava bem na relação com o ex-ministro da Cultura, mesmo quando em casa vivia aterrorizada, Joana Ferrer declarou: “Causa-me alguma impressão a atitude de algumas mulheres [vítimas de violência, algumas das quais] acabam mortas”. E acrescentou: “A senhora procuradora diz que não tem de se sentir censurada. Pois eu censuro-a! É que se tinha fundamento para se queixar, devia tê-lo feito”. Bárbara explicou que manteve o silêncio “por vergonha” e a juíza lamentou o facto de assim ser difícil provar que foi vítima de violência doméstica. “Preciso de provas”, declarou, antes de acrescentar: “Confesso que estive a ver fotografias do vosso casamento. Parece que o professor Carrilho foi um homem, até ao nascimento da Carlota [a segunda filha do casal], e depois passou a ser um monstro. O ser humano não muda assim”.
As expressões em causa mereceram críticas das associações de apoio à vítima (APAV e UMAR) e da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas mal começaram a ser reproduzidas na comunicação social.
O objetivo de Bárbara Guimarães é que o julgamento seja feito por outro juiz.

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