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Teresa Tapadas: “Tenho uma estrutura familiar muito boa”

A fadista, que editou recentemente o seu terceiro álbum, abriu as portas de uma das casas da sua família, em Riachos, e falou do seu percurso e da forma como se dedica ao marido e à filha.

Andreia Cardinali
14 de fevereiro de 2016, 16:00

Nascida e criada em Riachos, onde continua a viver, Te­resa Tapadas, de 38 anos, não tinha o sonho de ser fadista, mas cedo acabou por se deixar encantar pelas notas musicais. Hoje não se imagina a fazer outra coisa e é com o apoio do marido, Luís Rosa, de 41 anos, e da filha Beatriz, de 11, que se dedica por inteiro ao fado, tendo deixado para trás o Curso Superior de Gestão Autárquica.
Foi numa das casas da sua família que a fadista falou do seu percurso, do seu novo álbum, Teresa Tapadas ao Vivo no CCB, mas também do seu papel como mandatária de Maria de Belém na candidatura à Presidência da República.
– Como surgiu o fado na sua vida?
Teresa Tapadas –
Em minha casa sempre se ouviu muita música, incluindo fado, era um momento de partilha em família. O fado surgiu como um acaso, porque diziam, na altura em que fazia parte do Rancho Folclórico de Riachos e cantava no coro da igreja, que tinha uma voz muito boa. Um dia cantei um fado, toda a gente gostou e eu fiquei encantada. Comecei a ser convidada para cantar fado e tudo foi surgindo naturalmente. Na Expo 98 vim representar o fado do Ribatejo e abriram-se as portas de Lisboa... Até hoje, onde atuo três vezes por semana em casas de fados.
– E agora tem um novo álbum, o terceiro...
Em nome singular, sim, é o terceiro. Achámos que o espetáculo no CCB merecia uma gravação e arriscámos. Foi uma noite que nos encheu as medidas a todos e foi muito complicado, porque a produção foi nossa. Foi difícil, mas ouvir no final o áudio proporcionou uma satisfação enorme. Não é um álbum propriamente novo, já que reúne as músicas do primeiro e do segundo, mas andamos a pensar num novo disco de originais.
– Calculo que neste percurso o apoio do seu marido seja fundamental?
Claro que sim. Ele é um compincha, um grande companheiro... Nesta vida de saltimbanco precisamos de um porto seguro e obviamente que terá de ser a família, em especial a que escolhemos, a que formamos. O Luís tem sido incrível.
– A sua filha demonstra al­guma queda para o fado?
Ela gosta muito e ouve, mas o que gosta mesmo é de artes. Tem muito jeito para a ginástica artística, gosta de folclore, como eu, mas nunca a ouvi cantar fado. Sabe que é o meu trabalho, mas não liga.
– Como consegue ser uma mãe presente apesar do trabalho e das viagens que tem de fazer?
Tenho uma estrutura familiar muito boa com o Luís, mas depois também tenho os meus pais e sogros. O facto de morarmos em Riachos ajuda a uma gestão equilibrada.
– E ela não se queixa das suas ausências?
Não. Tenho de lhe agrade­cer, porque é muito sensata, muito compreensiva. Claro que adora quando posso estar mais tempo com ela.
– Como é a vossa relação?
Muito boa, com muita amizade, mas muito respeito, já que sou meio ‘sargento’ [risos]. Costumo dizer que tenho mau feitio e a Beatriz foi criada um pouco à antiga, mas acho que isso não faz mal a ninguém.
– Tirou um curso de gestão autárquica que nunca exerceu a não ser agora, como mandatária de uma candidata à Presidência da República...
Exatamente. Sou a mandatária do distrito de Santarém da Dra. Maria de Belém, o que me deixou um sorriso de orelha a orelha. É uma pessoa em quem acredito plenamente e é uma mulher incrível com uma sensibilidade, um carácter que nos leva a acreditar.
– Mesmo sabendo que dessa forma terá ainda menos tempo para a família?
Pedi cinco minutos, quando me fizeram o convite, para falar com o meu marido e ele disse-me logo que deveria aceitar. Tem estado a correr lindamente e é uma grande responsabilidade dar a cara por alguém.

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