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Numa nova fase da sua vida, Carminho assegura: “Sinto-me muito livre”

“Um dos meus grandes objetivos é ser honesta e genuína sempre que canto. Quando estou no palco, dou a minha verdade.”

Marta Mesquita
9 de fevereiro de 2016, 16:00

O ano que agora termina foi intenso para Carminho: divorciou-se de Diogo Clemente, com quem esteve casada quase dois anos, levou o fado a vários cantos do mundo, deu um concerto arrebatador em Lisboa, a cidade que lhe fala mais ao coração, e mudou de visual. A vivência de tantas emoções contraditórias tornou-a uma mulher diferente, com mais certezas sobre quem é e para onde vai. A ajudá-la neste caminho e na descoberta de si mesma, a fadista tem os que mais ama: a família e os amigos – aqueles que lhe alimentam os afetos e a ajudam, como assume, a ter os pés assentes na terra.
Numa conversa franca, Carminho revelou a artista e a mulher que é hoje, mostrando-se
serena com o seu passado e confiante no que lhe reserva o futuro.
– Com centenas de concertos no currículo e depois de ter conquistado o reconhe­cimento internacional, ainda conserva a essência daquela adolescente que se aventurava de vez em quando a cantar fado?
Carminho – Não fui perdendo o que fui nem me esqueci de onde vim, fui adicionando. Claro que a vida muda, deixamos de acreditar em algumas coisas, os nossos gostos também se alteram... Mas a minha essência – que tem muito que ver com a minha infância, com os afetos de quem me viu crescer, com a relação que tenho com a minha família, todo esse lado da Carmo que nem sonhava que um dia teria um disco – ainda cá está. Não me consigo distanciar muito da minha profissão, faz parte de mim. Todos os dias vivo o meu lado profissional e pessoal em simultâneo, mas os que me são mais próximos conseguem recordar-me de onde vim, o que queria e o que sonhei e isso faz-me ter os pés assentes na terra quando estou perante uma plateia de oito mil pessoas. A minha família e os meus amigos ajudam-me a dar o meu melhor.
– Não haver um distanciamento entre a sua vida pessoal e profissional pode ser confuso. Não precisa de ter um porto de abrigo, um reduto em que a artista fica do lado de fora?
– Preciso. Quando estou em Portugal divirto-me imenso com os meus amigos e muitas vezes nada disso tem que ver com a música. Eles interessam-se pelo que faço, ficam radiantes com as minhas vitórias, tal como eu fico com as deles. Contudo, quando estamos juntos, não tenho o papel principal. Todos temos o nosso momento de protagonismo. Sentimo-nos iguais e isso é importante. Eles ajudam-me a afastar-me um bocadinho da minha profissão. É bom poder dedicar-me a eles e à minha família. Quando estou fora, o que mais me custa é não poder acompanhar o crescimento dos meus sobrinhos ou não partilhar as alegrias e preocupações diárias dos meus pais.
– E quando canta, mostra a Carminho que é na vida de todos os dias?
– Um dos meus grandes objetivos é ser honesta e genuína sempre que canto. Quando estou no palco, dou a minha verdade e canto como se fosse a primeira vez. Tenho de ‘desacomodar’ a minha alma para que ela não se mecanize nem se torne viciada em interpretações que me correram bem. Quero passar a emoção.
– Mas não deve ser fácil manter essa ingenuidade e deslumbramento de principiante...
– Sinto-me ainda muito miúda. A vida está sempre a reservar-nos surpresas e temos de as agarrar com as mãos, com a alma e com o coração. Por vezes, perdemos demasiada energia no sonho e acabamos por não agarrar, de facto, as oportunidades que surgem. Contudo, se não sonharmos, perdemos um bocado a magia e a vontade de nos superarmos. Às vezes a vida não nos dá aquilo que esperamos, mas acaba por nos oferecer algo muito bonito. Uma coisa que aprendi na viagem que fiz à volta do mundo [antes de se tornar uma fadista profissional] é que não podemos definir quais são os nossos limites. São as situações que nos mostram esses limites e até a nossa força.
– É uma mulher forte? Encara sempre com otimismo o que lhe acontece?
– Acho que sim. Aprendi isso com as minhas avós e até com a minha mãe e com os meus irmãos. Só quem tem muita força e consegue ser independente na sua carreira e na vida é que pode inspirar outros.
– Como é que está a encarar esta nova fase da sua vida?
– Estou a encarar muito bem. Tenho imensos concertos e já estou a trabalhar num disco novo que ainda está numa fase embrionária. Estou muito entusiasmada.
– Neste momento, o trabalho é a sua prioridade?
– É, sem dúvida.
– Quais os sonhos que a motivam?
– Quero que o meu próximo disco reflita a pessoa que sou, o que é difícil.
– E que pessoa é hoje?
– Sou uma pessoa entusiasmada com o mundo, cheia de energia, com vontade de conhecer ainda mais lugares e outros estilos musicais. Quero colocar no disco a liberdade que sinto.
– Sente-se livre?
– Sim, sinto-me muito livre.

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