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Mariana Pacheco assegura: “Sou sonhadora em todos os campos”

A atriz, de 23 anos, fala das suas grandes paixões: a representação, a música e a escrita.

Cláudia Alegria
7 de fevereiro de 2016, 12:00

A estreia como atriz aconteceu aos 11 anos, quando entrou na novela da SIC O Jogo. Participou na série Morangos com Açúcar, fez parte do elenco de Bem-vindos a Beirais e este ano foi surpreendida com o convite para ser uma das protagonistas da novela Coração d’Ouro, atualmente em exibição a SIC, interpretando o papel da maquiavélica Catarina.
Filha de pais separados, Mariana Pacheco foi educada pela mãe, produtora de áudio, com quem mantém uma relação de enorme amizade e cumplicidade e que a apoiou desde o início nesta aventura pelo mundo da representação.
– Tem sido alvo de elogios pela forma como tem brilhado nesta novela. No entanto, este desafio rouba-lhe muito tempo...
Mariana Pacheco –
É como se diz: “Where there’s a will, there’s a way” [onde há vontade, há um caminho]. Naturalmente tenho o tempo mais contado, mas tenho conseguido estar com os meus amigos. As prioridades passaram a ser outras, ou seja, acabaram as grandes jantaradas e saídas à noite, aos fins de semana... Passei a fazer coisas mais calminhas e caseiras, porque também me fazem falta.
– Para a novela tem que se maquilhar e produzir todos os dias. É uma preocupação que já tinha?
Não, e continuo a não ter. Aliás, agora, por existir esse excesso, quando não tenho que trabalhar gosto de estar com o cabelo solto, sem maquilhagem nenhuma e com roupas confortáveis.
– Ganhou projeção com este papel e uma das suas paixões, a música, acabou por ficar em stand by...
Infelizmente, sim. Há pouco tempo voltei a cantar no Casino Lisboa.... Era uma coisa que me fazia muita falta, de tal forma que, às vezes, organizava concertos em minha casa só para tomar o gosto!
– Gravar um disco continua a ser um sonho?
– É um objetivo de vida.
– Que pode concretizar-se em breve?
Gostava muito, mas é um processo que leva algum tempo. Teria que compor, arranjar quem produza, não é muito fácil...
– Já existem músicas originais?
Não, existem rascunhos e coisas muito cruas nas quais poderei eventualmente pegar, mas sinto que não tenho ainda capacidade para compor as minhas músicas, dado que não tenho muitos conhecimentos musicais técnicos. Eu só canto, é instintivo, tenho poucas bases que possam sustentar uma produção musical, portanto, não poderia compor muito mais do que a melodia de voz e a letra. Escrevo algumas coisas, mas continuo a achar que seria um trabalho a fazer com alguém, com ajuda.
– Em português ou em inglês?
Em inglês, embora tenha vindo a descobrir o gosto pelo português... Até aqui era muito renitente à ideia de escrever músicas e cantá-las em português, achava que não iam soar bem. O estilo musical de que mais gosto, o jazz, não parece soar muito bem em português, para além de que temos uma língua complexa e difícil. Acho que pouca gente consegue escrever música em português e fazê-la soar mesmo bem.
– Escrever um livro também é um sonho?
Eu gosto muito de escrever. Acho até que me exprimo melhor a escrever do que a falar: consigo expor melhor as ideias, não me perco, sou mais organizada. Tenho sempre essa necessidade e, com esta novela, senti que tinha de passar para o papel os pensamentos da Catarina, de lhe construir um passado e de escrever aquilo que ela poderia sentir, pensar, para eventualmente voltar lá, reler e saber sempre quais eram as minhas raízes, as minhas bases, e não as perder. Acho que seria um desafio muito grande conseguir escrever um livro, porque teria de ter um tema, alguma coisa para dizer.
– E existe esse tema?
Não, de todo. Escrevo coisas abstratas, coisas minhas... Não é um assunto, a não ser que publique um diário, e dificilmente isso irá acontecer!
– A quem é que escreveria uma carta?
Escrevia mais cartas quando era nova, acho que isso se perdeu um bocadinho... Mas não sei a quem é que eu teria coisas para escrever? A mim própria era estranho, não era?
– A dizer?
Estamos a falar de coisas abstratas mas talvez a relembrar-me daquilo que me move e me faz seguir em frente, para nunca esquecer a minha essência nos momentos mais difíceis. Acho muito gira aquela ideia de escrevermos ao nosso futuro eu. Talvez faça isso, deram-me uma boa ideia!
– É sonhadora?
– Sou, sem dúvida. Desde muito nova que sempre tive sonhos altos. Acho que é importante perseguirmos os nossos sonhos, mesmo aqueles que nos pareçam inatingíveis. Gosto de viver com esta sensação de que consigo alcançar tudo o que quero se me dedicar a 100 por cento e acho que, com esforço, motivação e com essa vontade, pouco será impossível. Portanto, sim, sou sonhadora, em todos os campos.
– Não tem namorado?
Não, não tenho ninguém, não tenho sequer tempo...
– Sendo sonhadora, terá certamente um ideal de homem que gostasse de ter ao seu lado?
Não, não tenho. Sei mais ou menos aquilo que quero, mas não há um perfil prédefinido para a pessoa que quero ao meu lado, não é assim que funciona.
– Mas haverá características que, para si, serão importantes?
Sim, cativa-me o sentido de humor, sem dúvida nenhuma, e a honestidade.
– A Mariana é muito mais doce que a Catarina?
Sem dúvida. Naturalmente que as diferenças são astronómicas entre mim e a Catarina. Eu não tenho nenhuma maldade!
– E esse contraste facilita ou torna mais complicado encarnar a personagem?
Acho que pode facilitar, porque são coisas tão distintas que sinto que estou mesmo a viver outra pessoa. Se houvesse mais semelhanças, se calhar teria mais dificuldade em distanciar-me de mim mesma, assim, sinto que o consigo fazer.
– E voltar a ser a Mariana não será difícil...
Às vezes é difícil devido à carga emocional que me é exigida o dia inteiro porque, apesar de ser outra pessoa, é o meu corpo, são as minhas sensações, e às vezes levo isso para casa. Há cenas pesadas, intensas, que às vezes são difíceis de despir.
– Qual é o seu lema de vida?
Acho que passa muito por, acima de tudo, seguir o meu coração, os meus instintos e os meus sonhos. E ser feliz a fazer aquilo que mais gosto. É isto que me move e que me faz ser feliz.
– Costuma arrepender-se das decisões que toma?
Não, mesmo as piores, e já fui algumas vezes pelo caminho errado. Mas nunca me arrependo porque acho que isso nos influencia a determinar aquilo que nós somos. Claro que acabo sempre por aprender e tirar uma lição das decisões erradas. Regra geral até aprendo muito mais com as decisões erradas que tomei, com os caminhos que não devia ter seguido, do que com os certos. É bom sentir que estamos a seguir pelo caminho que devíamos, mas também é bom quando vamos por outro atalho e voltamos atrás porque não estávamos muito bem. Às vezes damos mais valor às coisas certas.
– Não seria, portanto, a pessoa que é hoje se não tivesse tomado decisões erradas?
As erradas e as certas fizeram de mim aquilo que hoje sou. Portanto, naturalmente não estou arrependida de nada do que tenha feito até hoje.
– O seu pai mora em Macau. Apesar de não haver um contacto próximo, conseguem encontrar-se? Falam com frequência?
Sim, temos uma relação muito mais distante daquela que tenho com a minha mãe, também é uma coisa que se constrói. Não temos uma grande proximidade, mas temos uma relação normalíssima.
– Foi doloroso crescer longe do seu pai?
Na minha geração é muito normal crescer com pessoas cujos pais também eram separados. Hoje em dia as pessoas separam-se quando as relações correm mal, é normal. Não sinto que isso influencie assim tanto a educação e o crescimento das pessoas. Acho que o importante é haver efetivamente amor e esse carinho e amor incondicional dos pais. Não senti essa falta.
– É difícil ser filha única?
Não, de todo. Tenho tudo para mim! As atenções são sempre para a única filha. Não é que tenha crescido como uma criança mimada, pelo contrário, sempre fui muito independente, e isso também provém da educação que a minha mãe me deu e do exemplo que ela é para mim.

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