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Pedro Lima e Anna Westerlund: Receita para o equilíbrio familiar

Genuinamente apaixonados e felizes, o ator e a ceramista têm na família a sua principal preocupação. Apesar de adorarem os momentos a dois, é junto dos filhos que se sentem mais completos.

Andreia Cardinali
10 de janeiro de 2016, 12:00

Pedro Lima e Anna Wester­lund são exemplo de um casal que conseguiu encon­trar nas suas diferenças uma harmonia que parece feita de semelhanças. Habituados a conciliar horários, o ator e a ceramista não abdicam dos momentos em família, como aconteceu num dos fins de semana que passaram na Zambujeira do Mar com os filhos, Emma, de 11 anos, Mia, de oito, e Max, de cinco.
O encontro serviu de pretexto para uma conversa animada e descontraída, onde ficámos a saber qual a receita para o equilíbrio familiar, mas também a forma como vivem com emoção a quadra que se aproxima.
– Fins de semana como este são importantes para o bem estar familiar?
Anna Westerlund – Os fins de semana são para ser aproveitados ao máximo e todos juntos. Por isso, a possibilidade de vir para um ambiente de campo como este, mais tranquilo, onde jogamos, brincamos, fazemos surf e nos afastamos ainda mais do ritmo stressante que pode ser o dia-a-dia durante a semana é sempre bom.
Pedro Lima – Fins de semana como este são menos frequentes do que gostaríamos. Por termos agendas preenchidas e por questões logísticas, fazemos isto poucas vezes. Agora investimos numa casa aqui, no Zmar, por isso podemos vir mesmo que decidamos em cima da hora. A logística simplificou-se, agora é só uma questão de encontrar espaço nas nossas agendas. Neste tipo de programas reforçamos sempre os laços.
– Agora que os vossos filhos estão mais crescidos, como con­seguem fazer programas que agradem a todos?
Anna – Agora é ainda mais fácil, porque já não há sestas e esse tipo de constrangimentos dos mais novos e gostamos todos do mesmo género de programas. Basicamente, gostamos é de estar todos juntos.
Pedro – Só o facto de estar­mos todos juntos já nos faz ficar bem dispostos e aqui há uma diversidade de programas que podem ser feitos em família que agradam a todos: passeios de bicicleta, piscina de ondas, paddle, arvorismo, futebol, jogos de tabuleiro, cartas, passeios a cavalo ou de burro, etc.
– Pedro, com as gravações da segunda temporada da novela, tem conseguido estar em casa tanto quanto desejaria?
Além das gravações de A Única Mulher, há o espetáculo Tragédia Optimista, que voltará a estar em cena no Teatro Municipal Joaquim Benite a partir de 13 de janeiro. Estou em casa muito menos tempo do que desejo, mas todos os dias tenho tempo para estar com a família, nem que seja meia hora.
– Eles não se queixam das ausências do pai?
Nunca senti isso. Cresceram com este registo, de terem um pai que trabalha muitas vezes à noite, mas que os acompanha sempre que não tem compromissos profissionais. Acho que os meus filhos e a Anna não me veem como um pai ou marido ausente.
– O apoio da Anna é, com certeza, fundamental neste equilíbrio...
Nós funcionamos como um conjunto. Há desafios que só consigo ultrapassar porque encontro na Anna e nos miúdos a força que sozinho não teria. São eles que me incentivam e contribuem para que tenha maior confiança em mim.
– A Emma está a entrar na pré-adolescência. Como estão a lidar com essa fase? Dizem que para o pai é sempre mais difícil por ser uma menina...
É mais um desafio que encaro com alguma paciência, resistência e, quando é preciso, intransigência. Quando os argumentos que nos parecem lógicos não funcionam, por vezes temos de recorrer ao argumento do estatuto de pais. Lá em casa vive-se em democracia, mas quem manda é o governo, que sou eu e a Anna.
Anna – Sabemos que é uma altura de maior conflito e a Emma é uma miúda muito inde­pendente e muito sociável, por isso, a única questão que temos reforçado é o sentido de responsabilidade dela. Não há liberdade sem responsabilidade.
– Agora que os três estão mais crescidos, sentem que têm mais tempo para estar a dois ou tudo só faz sentido se feito em conjunto?
Nós adoramos estar em família, mas também gostamos muito de estar só os dois, de podermos conversar sem sermos interrompidos, de partilhar e discutir ideias. Mas sempre conseguimos equilibrar-nos bem nesse aspeto e nunca tivemos de prescindir desses momentos. Não é preciso ir de férias para o outro lado do mundo para ter um momento a dois. Fazemos questão de criar momentos a dois no dia-a-dia.
Pedro – Não sentimos nenhu­ma ânsia de estar os dois sozinhos. Fazemos programas a dois quando nos apetece, mas acho que nos sentimos mesmo melhor todos juntos.
– Como é que vivem o Natal na vossa casa? Três crianças trazem, com certeza, muita alegria...
Anna – Para eles é uma época de festa e para nós também, pelo facto de nos juntarmos todos e de celebrarmos a sorte que temos por estarmos todos juntos, com saúde e felizes.
Pedro – Muito por iniciativa da Anna, que é a criativa lá de casa, temos construído alguns rituais que repetimos todos os Natais. Toda a decoração da casa, a árvore, o calendário de dezembro com um chocolatinho em cada janela, as bolachas de Natal, o fondue que comemos na consoada, a visita do Pai Natal e a celebração com toda a família em nossa casa, no dia 25 com muitas crianças, primos, tios, avós e a bisavó, a matriarca da família.
– Celebram o Natal de uma forma tradicional?
Anna – Não totalmente, na noite de 24 fazemos questão de estarmos só os cinco, uma vez que ficou decidido que o João Francisco [filho mais velho de Pedro] passaria sempre a noite com a mãe, para que faça mais sentido para todos e não haja uma troca ano sim, ano não. Assim, nessa noite preparamos um fondue e os três ajudam e adoram, fazemos sobremesas especiais, etc. No dia 25 juntamos todos em nossa casa num almoço de natal sueco, mas também fazemos um peru, porque somos muitos.
– Conseguem fugir do consumismo desta época com as idades que eles têm?
Pedro – Nós vivemos em paz com o que temos, por isso os desejos manifestados pelos miúdos são, por norma, fáceis de satisfazer. Acho que consumimos moderadamente.
Anna – Eles nunca tiveram muitos presentes e na verdade não são crianças que peçam muitas coisas. Normalmente, têm um desejo e aí é verdade que tentamos corresponder, mas até agora não têm pedido nada de extravagante.
– Eles ainda acreditam no Pai Natal? É importante fomentarem o lado mágico na vida deles?
Anna – O Pai Natal aparece sempre na noite de 24 e tem sido muito engraçado eles tentarem perceber quem é. Vão dando palpites de quem é que teve paciência para se vestir e andar na rua para ir a nossa casa, e esse é um segredo bem guardado [risos]. Mas ao mesmo tempo há todo um ritual da sua chegada que todos esperam ansiosamente. Nesse sentido ainda todos acredi­tam na magia e eu espero que nunca deixem de acreditar.
– Vê-se que eles são muito cúmplices. Também têm as suas zangas?
Pedro – Lá em casa discute-se com naturalidade. Quando os ânimos se incendeiam procuramos intervir o menos possível. Cultivamos a ideia de que os conflitos não devem terminar em rutura. Devemos defender o nosso ponto de vista, mas também temos de ouvir o outro. Em caso de divergência insanável, o caminho da negociação é o recomendado.
Anna – Eles são muito cúmplices num minuto e no minuto seguinte podem já estar zangados. Mas sabem admitir quando estão errados e pedir desculpa para que logo a seguir sejam amigos outra vez. Mas sentem muito a falta quando algum deles não está e vê-se que têm um amor enorme entre todos, e isso deixa-me muito feliz.
– Para terminar, qual o segredo para se manterem tão apaixonados e em sintonia?
Pedro – Para já, a Anna é muito bonita, o que facilita muito as coisas. Depois, é uma mãe extraordinária. Mas o mais importante é ter a inteligência de perceber que o amor é um caminho com momentos de encantamento, mas também com desafios, saber que tudo fica melhor por ter a Anna ao meu lado como minha mulher e mãe dos meus filhos e ter a convicção de que o futuro será ainda melhor do que o presente.
Anna – Estamos em sintonia desde o dia em que nos conhecemos. Quanto a estarmos apaixonados, há alturas em que estamos mais, outras menos, mas aceitamos isso com naturalidade. Acho que se há segredo é esse. É saber que há alturas maravilhosas e outras menos boas e esse é que é o desafio. Acho que temos uma cumplicidade tão grande, um amor tão grande pela família que construímos e um pelo outro, que tudo nos parece fácil de ultrapassar. Genuinamente, imaginamos e fazemos projetos para quando formos velhinhos e isso é muito especial, faz-nos querer caminhar lado a lado.

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