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Sónia Tavares revisita os vestidos mais marcantes do seu percurso musical

A cantora faz um balanço de duas décadas como vocalista dos The Gift.

Marta Mesquita
9 de janeiro de 2016, 12:00

Sónia Tavares, de 38 anos, vive um dos momentos altos da sua carreira ao celebrar 20 anos dos The Gift. Ao lado de Nuno Gonçalves, John Gonçalves e Miguel Ribeiro, a vocalista tem levado a sua música e o nome de Portugal a vários palcos do mundo, tornando a banda de Alcobaça um dos projetos mais bem sucedidos do panorama artístico nacional.
Para assinalar esta data feliz, Sónia revisitou alguns dos vestidos mais marcantes da sua carreira, partilhando com a CARAS as emoções que pautaram estas duas décadas no palco e fora dele.
– É difícil resumir 20 anos em algumas palavras?
Sónia Tavares – Normalmente, quando se resume, deixa-se alguma coisa de fora, mas também salientamos as melhores partes. O balanço é claramente positivo e 20 anos parecem ser mais pesados do que na realidade o são. Agora, do ponto de vista dos meus quase 40 anos, 20 não foram nada! Passaram num instante. Esta carreira está feita sobretudo de coisas boas, de objetivos que foram cumpridos. Somos pessoas de sonhar muito, mas tendo os pés bem assentes na terra. Sempre tivemos atenção para não construirmos um gigante com pés de barro. Valeu a pena trabalharmos arduamente durante 20 anos para chegarmos onde estamos hoje.
– O que distingue os The Gift no mercado discográfico?
– Acredito que o segredo do nosso sucesso reside na qualidade das nossas canções e no perfeccionismo com que fazemos todas as coisas. O maior desafio para um músico é reinventar-se. Se fizéssemos álbuns iguais ano após ano, não valeria a pena. Sempre achámos que só devemos fazer um disco quando temos algo de novo a mostrar. Passados 20 anos, continuamos a ter uma banda que tem como base uma grande dedicação. Temos também uma grande união e uma amizade que nos une. Somos a segunda família uns dos outros.
– Sempre se sentiu confortável por ser a única mulher?
– Às vezes é um bocadinho solitário, sobretudo quando eles começam a falar de futebol e de outras coisas que não me interessam. [Risos.] Mas isso acaba por me proporcionar aquele tempo de silêncio em que estou mais resguardada. Damo-nos muito bem e sempre me respeitaram como sou. Tenho espaço para ser uma mulher rabugenta e com mau feitio. Aceitamo-nos como somos. Acaba por ser um casamento, em que todos cedemos um bocadinho.
– Diz que é rabugenta e tem mau feitio. Esses traços de personalidade acabam por se acentuar com a idade?
– A rabugice e o mau feitio só pioram com a idade! Tenho muito menos paciência. Mau feitio e rabugice é ser capaz de mandar o GPS pela janela do carro. Já o fiz! Uma vez assaltaram-me o carro, mas só levaram o GPS, e o meu marido [Fernando Ribeiro, vocalista da banda Moonspell] disse-me: “Foste tu! Mandaste alguém roubar o carro para te levarem o GPS.” Não consigo conter um grito, uma insatisfação ou uma satisfação. Essa impulsividade acaba por me caracterizar. Tenho também de ser eu a dizer a última palavra e nunca dou o braço a torcer. Nunca!
– Outra característica que tem mantido é o seu estilo, muito inspirado nos anos 50…
– Sim. Quando os The Gift começaram, explorava mais aquela imagem ambígua, que me levava a esconder o corpo, o que revelava alguma insegurança. Nunca lidei bem com as questões relacionadas com o meu corpo, por isso usava roupas diferentes. Mas de repente achei que precisava de mudar e, como não podia tirar partido da minha beleza natural, porque sou daquelas mulheres que precisam de se produzir um bocadinho para ficar com bom aspeto, comecei a inspirar-me naquela beleza criada nos anos 50. Percebi que com essa produção poderia tirar partido das minhas formas naturais.
– No seu dia a dia também opta por visuais dentro desse estilo, mesmo que sejam mais confortáveis e menos teatrais?
– Sim. Gosto de me arranjar para ir para algum lado. Gosto de ter esse cuidado. Sempre que saio à rua, vou em bom. Mesmo o meu ar blasé é estudado. Nada é ao acaso.
– No meio destas duas décadas de carreira, também foi mãe de um rapaz, Fausto, há três anos. Essa experiência mudou a maneira como encara a música?
– Do ponto de vista criativo, não, mas do profissional, sim. Quando estive grávida, fiz um disco e uma tournée gigantesca: corri Brasil, Canadá, mais 20 datas em Portugal e outras tantas em Espanha. Mas tornei-me mais emotiva. As coisas ficaram mais lamechas. Deixei de viver para os The Gift e comecei a viver para o meu filho.
– As suas prioridades mudaram…
– Sim, claramente. Cada vez que se marca uma digressão, já não estou a contar os dias que fico fora para ver que roupa é que levo, mas sim quantos dias vou ficar longe do meu filho. E isso acaba por abalar a minha vontade. Se, por um lado, quero muito estar um mês fora com a minha banda a tocar, porque é o sonho de uma vida, por outro, estar um mês sem ver o meu filho é de me arrancar o coração. É uma situação muito difícil de gerir… Sinto que é o começo de uma nova etapa, em que o objetivo é ter a possibilidade de levar o meu filho sempre comigo, o que neste momento ainda não é possível.
– Que memórias é que cada um dos vestidos que usou nesta produção lhe evocam?
– O vestido que usei no Coliseu de Lisboa em 1999 é de uma criadora da qual ainda gosto bastante, que é a Lidija Kolovrat, porque tira partido dos tecidos, das texturas e das formas. Usei muitas criações dela. O vestido que usei na Aula Magna em 2001 foi escolhido no próprio dia do concerto. Estava desesperada, porque não tinha nada para vestir e fui à Ana Salazar, porque sabia que ela teria alguma coisa para mim. E encontrei este vestido branco, que usei das mais variadas formas. Um simples vestido de linho acabou por ser um visual muito interessante. Depois, o vestido do Fácil de Entender tornou-se emblemático. É dos Storytailors. É uma saia de papel com uns recortes muito portugueses e uma camisa com flores. Foi um visual muito fotografado. O vestido preto, espartilhado, também é dos Storytailors. Foi aí que comecei a tirar partido da cintura e das ancas. Destaquei também o modelo dos Amália Hoje, que é uma saia e um corpete lindíssimos. Por último, o vestido que usei no videoclipe do Clássico este ano. É de uma criadora romena que encontrei nas minhas buscas na Internet. Achei que fazia todo o sentido para este tema. Parece que tenho uma hera a subir por mim.

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