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Inger Nilsson: “Fazer a Pipi das Meias Altas foi uma grande maldição”

Inger Nilsson, a atriz sueca que em criança interpretou a personagem Pipi das Meias Altas, veio a Lisboa assistir à estreia do musical homónimo, protagonizado por Inês Castel-Branco.

Vanessa Bento
2 de janeiro de 2016, 12:00

Passaram 46 anos desde o seu primeiro trabalho e os mais distraídos podem não reconhecer o sorriso inconfundível de Inger Nilsson, agora com 56 anos. Mas olhando bem, saltam à vista os traços de uma das personagens mais icónicas do universo infantil: a Pipi das Meias Altas, personagem de livro, série televisiva e filmes. Inger Nilsson, que em 1969 deu vida, pela primeira vez, a esta menina independente e cheia de coragem, protagonista de uma série de televisão a que os portugueses assistiram nos anos 70, ficou eternamente com ela colada à pele. E foi precisamente por causa da personagem que a atriz esteve em Lisboa, para assistir à estreia de Pipi das Meias Altas – O Musical, interpretado por Inês Castel-Branco.
Embora tenha tentado afastar-se desta história ao longo da vida, para provar que é uma atriz multifacetada, Inger Nilsson conversou com a CARAS, em pleno Parque Eduardo VII, sobre tudo o que a Pipi lhe deu... e tudo o que lhe tirou. Mas mostrou-se extremamente reservada no que toca à sua vida pessoal, aparentando ter dedicado toda a sua vida ao trabalho, que desempenhou sobretudo no teatro.
– A Pipi das Meias Altas foi uma bênção ou uma maldição?
Inger Nilsson – As duas coisas, porque as pessoas querem que eu seja sempre a Pipi, e eu não posso ser sempre a mesma personagem. Primeiro, porque não quero, depois, porque já não tenho nove anos. Nesta profissão, esse papel foi uma grande maldição, porque até os realizadores me veem como Pipi. Tenho que dizer constantemente que nasci Inger, nunca me tornei a Pipi. Eu sou eu, não sou um papel que fiz há muitos anos.
– Tem sido difícil deixar a Pipi no passado...
– Sim. As pessoas ficam muito surpreendidas por perceberem que sou capaz de fazer outros papéis.
– Perdeu oportunidades por ter a Pipi tão colada à pele?
– Os realizadores e os produtores cresceram com a Pipi... Houve uma vez que fui fazer uma audição a um teatro, estava à procura de trabalho, e o diretor disse-me que não podia ter a Pipi ali. Disse-lhe que não era a Pipi, que estava a fazer testes para aquele trabalho, que era eu, a Inger. Mas ele não percebeu que não sou as personagens que faço. Pode ser muito complicado, muito difícil.
– A Pipi ensinou-lhe alguma coisa?
– Agora, que já sou adulta, percebo que é uma personagem que diz muito às pessoas. Mas quando era mais nova sentia-me farta de tudo isto, da necessidade que as pessoas tinham de me falar da Pipi das Meias Altas e da vontade que todos tinham de ser como ela. Todos queriam ser a Pipi. Todos menos eu! Mas hoje percebo que a personagem é muito querida e passa uma mensagem de força e independência. E claro que isso é muito bom, é muito bom ter dado isso às pessoas. Mas agora quero outros papéis, bons papéis, se possível no cinema.

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