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Sandra Cóias: "Lido bem com a solidão"

A modelo e atriz, de 43 anos, fala sobre a sua dieta ‘vegan’, o estilo de vida saudável e garante que está solteira.

Sofia Nunes
1 de janeiro de 2016, 10:00

Nada fazia crer que estávamos a poucas semanas do Natal quando, em pleno inverno, o sol iluminou o castelo da CARAS, instalado na Pousada de Óbidos, e proporcionou um dia de produção com Sandra Cóias cheio de luz e calor. A modelo e atriz, de 43 anos, recebeu a equipa da CARAS com um sorriso rasgado e deu uma entrevista sem temas tabu. Vegan há 19 anos, tem estado afastada do grande ecrã, mas assume saudades da representação. Até lá, e entre trabalhos, dedica o seu tempo ao blog The Woman in Green, à sua marca de calçado vegan, Walk in my Shoes, e às Happy Green Hours – Conversas Orgânicas, que, em conjunto com Maria de Oliveira Dias, espera dar a conhecer pelo país fora um estilo de alimentação e lifestyle saudável cem por cento vegetal.
– Estamos a entrar no espírito de Natal. Como celebra esse dia?
Sandra Cóias – Não ligo muito a datas como o Natal, porque acho que são alturas um pouco consumistas. Gosto de oferecer presentes durante o ano todo, coisas que sei que têm a ver com a pessoa. Também não peço nada nesta altura, mas gosto do espírito de juntar a família toda, fazer o jantar em conjunto, conversar, porque é difícil juntar­mo-nos todos durante o resto do ano.
– Imagino que o facto de ser vegan altere um pouco a dinâmica da ceia de Natal...
– Nem por isso, é bastante fácil, porque os legumes, por exemplo, fazem parte da ementa habitual da época e acabo sempre por conseguir ter a parte vegan na ementa. Apesar de os meus tios não serem grandes adeptos, a minha mãe acaba por comer também.
– Quando é que se deu esta mudança de estilo de vida?
– Vai fazer 20 anos em maio. Na altura não havia tanta informação, mas conheci uma pessoa vegetariana que me explicou tudo sobre o assunto. De repente, percebi que era possível alimentar-me sem nenhum animal ter que morrer e isso fez todo o sentido. Uma semana depois fui para o Alentejo e nasceu um bezerro. À hora de jantar era ensopado de borrego e eu decidi ali que não consumiria mais carne. A partir do momento que se tem consciência de que é possível ter um estilo de vida alternativo, sem causar sofrimento, mais saudável e sustentável a nível ambiental, não podemos ignorar essa hipótese.
– Para alguém que gostava de carne, a transição não deve ter sido fácil...
– Não foi difícil, porque a minha alimentação em criança sempre foi mais à base de peixe, legumes e fruta.
– Esse estilo de vida é um dos segredos da sua boa forma física?
– Nunca gostei de fritos e de gorduras, o que é uma ajuda, e sempre pratiquei exercício físico. De facto, nunca tive problemas com o peso. Quando tenho vontade de fazer asneiras, o que não acontece muito, não fico de consciência pesada.
– O trabalho como manequim ajudou?
– Acho que não. Comecei a trabalhar como manequim muito cedo, mas sempre tive a preocupação de saber o que é que me fazia bem ou não.
– Tem saudades dos tempos de modelo?
– Foi uma boa fase que já passou. A rea­lidade é que sempre fui muito tímida, fiz o primeiro desfile aos 14 anos porque me convidaram. Lembro-me de que fiquei muito embaraçada, mas acabei por aceitar. Nunca foi uma coisa planeada, apesar de gostar muito de mim e não haver nada que eu quisesse mudar. O “exibicionismo” nunca fez parte da minha personalidade e estar na passerelle, com toda a gente a olhar para mim, chocava um bocadinho comigo. Apesar de terem sido tempos muito giros, pelo convívio, pelas via­gens, pelas pessoas fantásticas que conheci e com quem mantenho amizade, a minha paixão sempre foi a representação, sempre quis ser atriz, desde que vi, quando era muito pequena, o filme Música no Coração.
– E esse regresso à representação já está agendado?
– Espero que esteja para breve! Estou ansiosa e à espera que surjam convites, sendo que a minha grande paixão é o cinema e infelizmente em Portugal não é fácil sobreviver só de cinema. Estou ansiosa para começar a trabalhar, tenho muitas saudades.
– E como é que se lida com a espera?
– É difícil para um ator estar sem trabalhar. Claro que vou fazendo outras coisas, mas não são a minha paixão. Tive anos em que tinha imensos trabalhos ao mesmo tempo, uma novela, uma série e um filme e de repente há uma quebra. Para um ator que, quando tem trabalho, passa os dias focado naquele projeto, estas fases sem fazer nada tornam-no uma pessoa completamente insuportável [risos]. Tem que haver algum autocontrolo, ter paciência e perceber que são fases, mas como gosto de fazer outras coisas, também me vou dedicando a outros projetos.
– Tem sido frequentemente vista na companhia do Joaquim de Almeida...
– Somos amigos há muitos anos, aliás, fiz o meu primeiro filme, o Inferno, com ele. Sempre conversámos imenso e foi uma coincidência estarmos juntos no dia do meu aniversário, o Joaquim nem sabia da data.
– As pessoas talvez se interroguem sobre a vossa cumplicidade...
– Sim, se calhar é isso, talvez fiquem curiosas, mas realmente somos muito bons amigos, vejo nele uma pessoa super caris­mática, com imensa força e muita vontade de ser sempre o melhor profissional, que lutou e conseguiu alcançar o que queria.
– Como lidaram com as notícias que falaram em romance?
– Rimo-nos muito! Achámos imensa piada.
– Portanto, está solteira e feliz. Lida bem com a ‘solidão’?
– Sim, prezo muito o meu cantinho, se tiver comida em casa e puder, fico um mês fechada [risos]. Lido bem com a solidão, gosto muito de estar sozinha e em contacto com a natureza, sempre fui assim.
– Ser mãe ainda está ou alguma vez es­teve nos seus planos?
– Eu tenho 43 anos e já tenho filhos... filhos de pelo [risos]. A verdade é que me sinto mãe deles. Neste momento não tenho esse plano em mente... Acho que a realização de uma mulher não passa necessariamente por ser mãe e não sei se mais tarde vou ter pena se não o for, mas sempre achei que é uma enorme responsabilidade. Se um dia acontecer, acontece, mas nunca tive esse desejo de ser mãe.

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