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D.R.

Atriz Marlene Barreto Frazão devastada com a morte do marido

Paulo Nuno Frazão, realizador na Plural, tinha 34 anos e lutava contra um cancro há sete.

CARAS
28 de dezembro de 2015, 10:44

Marlene Barreto Frazão está de luto. O marido da atriz, Paulo Nuno Frazão, realizador na Plural, empresa que faz ficção para a TVI, morreu na madrugada do passado domingo, 27 de dezembro, vítima de doença prolongada. Paulo lutava contra um cancro há sete anos.
A jovem, que participou nas novelas Jardins Proibidos e A Única Mulher, deixou uma mensagem emocionada no seu blogue, Até à Lua, no qual, nos últimos tempos, desabafou sobre a doença do marido. "A noite começou instável, o dia já o tinha sido, o anterior também. Bem sabemos que o físico já há muito que sofria. Embora as drogas ajudem a adormecer dor física e a atordoar a mente, a dor emocional não se consegue apagar. Sei que sempre me sentiste ao teu lado nestes 25 dias de internamento, deste-me vários sinais disso e agradeço-te pela tua magia. Agradeço-te pela forma como ao longo destes 7 anos enfrentámos este “assassino”. Agradeço-te por estes 9 anos de amor incondicional em que fomos os seres mais felizes e que apenas o eu e o tu importaram.
Deitei-me no cadeirão ao teu lado e adormeci ao som do teu respirar. Era leve, muito leve. Mas ouvia-se, assim ao longe. Acordei 3 vezes e levantei-me para te tapar, para te beijar, para sentir de perto o teu respirar. Falei com a enfermeira Carolina pressentindo que a tua respiração estava diferente. Ela confirmou que de facto estava leve, mas como ela dizia “ é impossível prever se vai acontecer daqui a uns minutos, umas horas ou alguns dias … sabemos apenas que um dia acontecerá Marlene”.
Voltei a deitar-me. Esforcei-me ao máximo para te ouvir respirar, mesmo com o som baixo da televisão de fundo. O relógio marcava 03h55 quando ouvi um suspiro diferente de todos os outros. Esforcei-me para o ouvir o suspiro seguinte, e o outro e o outro … e o som não saía. Levantei-me e fiquei a olhar para o teu peito. Não mexia, estava imóvel. Toquei-te na mão , beijei-te a cara… estavas tão quentinho. Porque é que não estavas a respirar? Chamei a enfermeira Carolina e a enfermeira Cristina. - “ Não estou a ver o Paulo respirar!”, disse-lhes na esperança que me dissessem - “ Calma, a respiração está apenas mais leve”. Mas não. foram rapidamente buscar a monitorização e após a confirmação abraçaram-me dizendo : “ O teu super-herói partiu.”
Tinhas partido, meu amor. Aproveitaste o silêncio da noite, o som do meu respirar e simplesmente partiste num suspiro doce e ténue. Sem sofrimento e isso ninguém me contou, fui eu própria que vi e ouvi. Nunca ficaria em paz se não tivesse sentido a paz que permitiu a tua partida.
Só te quis beijar, abraçar e ficar junto do teu peito mesmo que ali já não batesse um coração. Aquele corpo foi a morada da tua alma, a residência de um ser humano de que me orgulho muito. Um homem como nunca conheci nenhum. Havia sempre uma flor mesmo que não existisse motivo algum, um sorriso para todas as ocasiões, um carinho para aconchegar o coração em qualquer circunstância. Sempre foste de poucas palavras mas de gestos gigantes. Foste um herói em cada momento. Deitaste fora um prognóstico terrível que, há 7 anos atrás, deu-te 12 meses de vida e decidiste ser apenas FELIZ. Fomos felizes, vivemos uma história de amor de que me orgulho demais . Mas agora vão ficar as saudades", escreveu.

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